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TURISMO

Onde o rio e o mar se encontram

JORNAL A TARDE
Por JORNAL A TARDE

Siribinha, a menos de 200 km de Salvador, é o lugar ideal para fechar o verão com sossego e belas paisagens



Há 25 anos, usar canoa para chegar à localidade de Siribinha era a única opção para seus pouquíssimos visitantes e para moradores, como o comerciante Neilton Ferreira (56 anos). Simplesmente não havia estrada de acesso a este belo pedaço da Costa dos Coqueiros, onde o Rio Itapicuru deságua no oceano. Hoje, canoas são mais para passeios no rio com turistas ou para a pesca com tarrafa (rede), útil no sustento dos nativos.



Siribinha está a 19 km da cidade de Conde que, por sua vez, dista 164 km de Salvador pela BA-099, rodovia formada pela Estrada do Coco e Linha Verde, que corta o litoral norte. A estradinha local, de areia, terra e cascalho, margeia a praia todo o tempo e, quando chove muito, apresenta grandes poças. Se isto não permite uma viagem confortável, por outro lado ajuda um pouco a conter a demanda, poupando o lugar de uma “invasão” maior.



Mas ajuda pouco mesmo, pois a propaganda boca a boca atraiu novos donos de pousadas e turistas de regiões cada vez mais distantes. O interesse do turista é basicamente o mesmo: chegar a este fim de linha entre o rio e o mar e desfrutar de muita paz. Na margem do Itapicuru, as crianças aproveitam a maré baixa para correr atrás de minúsculos siris, que somem dentro de seus buracos num piscar de olhos.



ESTRUTURA – A praia está do lado oposto, com ondas fortes e um mar ideal para a pesca com vara e molinete (uma terapia para quem vem estressado da cidade). Na areia, toscas palhoças cobertas com folhas secas de coqueiro protegem do sol implacável. A cerveja gelada vem de estabelecimentos que, em alguns casos, são um misto de residência, bar, barraca, restaurante e pousada. Tudo bem simples. Mas, para muita gente, é aí que reside o charme.



E isto inclui desde os sacolejos na estrada, com suas roças de coco e choupanas de pescadores, à rusticidade de sua praia. No trajeto para a vila de Siribinha, estão Poças e Rio do Sítio, ancoradouro para barcos de pesca, como o de Vanilton Pimenta, o Guir. No início da conversa, ele já solta ter fornecido alimentação para a equipe de filmagem de “Tieta”, que se hospedou na vizinha Barra do Itariri, com Sônia Braga e companhia.



Também dono de restaurante, Guir é um dos beneficiados com a expansão do turismo e do veraneio na região. Outros que agradecem à Linha Verde e aos turistas são os poucos donos de barcos que fazem o passeio até a foz do Itapicuru. Lembre-se de que o local é primitivo, mas a prática de cobrar de acordo com a cara do freguês revela sintonia com hábitos, digamos, “modernos”. Geralmente, o passeio custa R$ 20.



Descida na duna e mergulho no Piranji



Pertinho da foz do Itapicuru, singelas barracas têm cerveja, caranguejo e outros petiscos, degustados “preguiçosamente” às margens cálidas do rio. Quem chega ao local (também pode vir de buggy pela praia) não tem vontade de sair tão cedo. Em Poças ou Siribinha, aluga-se barco para descer o Itapicuru rumo a Cavalo Ruço, do lado oposto da barra. Trata-se de uma duna de 30 metros de altura, de onde se escorrega para cair no Rio Piranji.



Mais adiante, está Cajueirinho, nascente de água doce que brota da raiz de um cajueiro. Calcula-se haver 400 habitantes em Siribinha, número que pelo menos duplica no alto verão. Não mais agora, no final da estação. Mas, enquanto as águas de março não chegam, ainda há tempo de fazer deliciosos passeios regados a cerveja, tira-gostos e moquecas, agora menos disputados pela clientela. E um dos melhores lugares para isso é o Restaurante Xeiro de Mar, a poucos metros da Igreja de Bom Jesus dos Navegantes.



Ali, Simone Paiva, estudante de turismo que também tira uma de cozinheira nas horas vagas, atende com simpatia, explicando aos forasteiros, por exemplo, a diferença entre moqueca e ensopado (a primeira leva azeite-de-dendê). Ao lado das mesas, uma cortina feita de conchas de diferentes tamanhos balança ao mais suave vento, produzindo uma melodia. As conchas separam as mesas dos clientes de um corredor de areia bem quente, que liga a praça da igrejinha à praia.



Sítio do Conde tem mais estrutura



Logo na saída da cidade de Conde (que não fica na orla), o visitante encontra a localidade de Sítio do Conde, uma vila praiana com muitas barracas e... muita música que lembra a orla de Salvador. Portanto, quem não está disposto a visitar uma espécie de sucursal da Praia de Jaguaribe, evite pelo menos as barracas mais próximas à praça principal.



No entanto, Sítio do Conde tem praias bem agradáveis, com arrecifes que formam piscinas naturais, e pousadas confortáveis, além de ruas calçadas e um comércio que é importante para Poças e Siribinha. Há uma praça bem-arrumada, onde bares e restaurantes atraem a clientela à noite, e sua população é simpática e hospitaleira. As praias dos Artistas e do Corre Nu são as mais conhecidas.



Um pouco da história local



A história de Conde remonta ao tempo dos jesuítas na Bahia. Foram eles beneficiados por uma sesmaria concedida em testamento por Garcia d’Ávila, senhor da Casa da Torre, em 1621. Quando por lá chegaram, os padres encontraram os índios tupinambás na foz do Rio Itapicuru. Não demorou muito e os religiosos ergueram a Capela de Nossa Senhora do Monte num lugar que passou a ser chamado de Itapicuru de Baixo.



Quando a sesmaria tornou-se freguesia, recebeu o nome de Nossa Senhora do Monte de Itapicuru da Praia. A freguesia tornou-se vila em 1806, por ordem do Conde dos Arcos (último ocupante do Castelo Garcia d’Ávila – em Praia do Forte), razão pela qual o município chama-se Conde. Quem deseja conhecer uma autêntica feira do interior é só aparecer em Conde aos sábados, de preferência pela manhã, e encontrará uma variedade enorme de produtos da região e de áreas vizinhas (Bernardo de Menezes).

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