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Após hiato de cinco anos, Festival de Cinema Baiano retorna em 7ª edição

Por João Paulo Barreto | Especial para A TARDE

Inteiramente gratuita e on line, começa nesta segunda, 15, e segue até o dia 26 de março, a sétima edição do Festival de Cinema Baiano (FECIBA). Mas, neste domingo, às 18h30, já tem a abertura oficial no YouTube, com show da cantora e compositora Eloah Monteiro.
O evento, que retorna após cinco anos sem acontecer, traz em sua sétima edição um importante revisitar de parte da filmografia baiana realizada nesse período. Com dez longas, dez médias e trinta curtas-metragens na grade de filmes selecionados, o festival idealizado pelos cineastas Edson Bastos e Henrique Filho se reinventou. Para Edson, o período sem acontecer, além da necessidade de uma adaptação por conta da pandemia, serviu como uma forma de formatar o festival.
“O Feciba, presencial ou on line, quando ele retornar presencial, não pode mais ser da forma como era antes por diversos motivos. Porque já surgiram várias problemáticas, vários outros anseios que precisávamos arcar neste evento. E um deles é a representatividade. A pessoa se enxergar nas telas e na organização de uma forma geral”, explica Edson. Uma das mudanças atreladas à versão on line do festival está na composição da equipe de curadoria.
“A diversidade e a quantidade de pessoas na curadoria foi um dos pontos mais positivos. Foram onze de todo o estado. Pessoas diversas, de faixas etárias diferentes. Pessoas de classes sociais diferentes, de raças diferentes e de sexualidades diferentes. Porque a realidade da gente era observar esses olhares. A Bahia é muito ampla, muito múltipla. Assim como o cinema baiano, também. Nada melhor do que colocar essas pessoas para dialogar, para entender o recorte que poderia dar dos filmes que foram lançados nesses últimos cinco anos”, salienta o produtor-executivo do festival.
Atividades e seleção
Dentre os destaques de longas-metragens, Diários de Classe, de Maria Carolina Silva e Igor Souza, filme de 2017, ainda impacta bastante a audiência na reflexão oriunda do acompanhar de três mulheres adultas em seus processo de alfabetização; Àkàrà - No Fogo da Intolerância, urgente documentário de lançado em 2020, traz em seu cerne a denúncia dos crimes de perseguição e intolerância contra religiões de matriz africana em um Brasil, infelizmente, neopentecostal, refém politicamente de igrejas, e racista. No resgate da memória de Caymmi, Dorivando Sarará - O Preto que Virou Mar, de Henrique Dantas, é um importante registro da trajetória desse músico que cantou não só a Bahia, como, também, seus credos, amores e as raízes africanas.
Na seleção de médias e curtas metragens, Entre o Céu e o Subsolo, média de 2019 de Felipe da Silva Borges, relata o peso esmagador da especulação imobiliária no bairro da Vitória, metro quadrado mais caro de Salvador, e local onde o extinto Colégio Estadual Odorico Tavares sofreu por anos ameaças de fechamento para cessão do seu terreno. O média, hoje, funciona como um epitáfio simbólico para o valor dado à educação pública de qualidade. Nos curtas, destacam-se três produções recentes. Rebento, curta dirigido por Vinicius Eliziário, que traz o encarar precoce das responsabilidades da vida adulta a partir de uma paternidade inesperada, bem como uma análise da ausência desse afeto paterno na vida de um jovem; 5 Fitas, trabalho dirigido por Vilma Martins e Heraldo de Deus, que trazem um olhar sobre a tradição da Lavagem do Bonfim a partir de um foco infantil em encontro às origens do cortejo pela experiência matriarcal; e Dela, curta de 2018 de Bernard Attal, que, além de uma singela homenagem a Nelson Mandela, é uma tenra, porém direta, reflexão sobre a autoestima infantil e a identificação com ideais definidores de caráter.
Nas atividades, com variado leque de oficinas e debates, o sétimo FECIBA, evento realizado em conjunto pela Voo Audiovisual e pelo Núproart - Núcleo de Produções Artísticas, com o suporte financeiro da Lei Aldir Blanc, trará a presença do veterano diretor Orlando Senna em uma oficina de Roteiro; a produtora Solange Lima ministrará oficina voltada para Desenho de Produção; a cineasta Cecília Amado ministrará a oficina Direção e as Sete Artes do Cinema; e fechando o ciclo de oficinas, o ator, roteirista e diretor, Thiago Almasy, participa com Produção Audiovisual para a Internet.
Futuro
O produtor executivo Henrique Filho pontua o quanto esses encontros presenciais em debates e oficinas eram importantes para o FECIBA nas suas seis edições anteriores. Além disso, o cineasta observa, também, a edição virtual como uma oportunidade de reinvenção, mas, ainda, esperançoso para futuras edições presenciais. “Com o contexto da pandemia e a possibilidade dos eventos online, se tornou uma oportunidade muito boa para o FECIBA de fazer uma retomada em um formato diferente. Acho que o nosso desejo para o futuro vai muito na perspectiva de voltar à essência do festival. As mostras que a gente executava antes e que não conseguimos realizar agora, e que é muito a cerne, a cara do FECIBA. E principalmente o fato de ser (anteriormente) um evento presencial. Ter se tornado um ponto de encontro de cineastas e realizadores para trocar ideias, fazer contatos, network, para ter contato com o público. Isso é um desejo que se potencializa agora nesse momento”, explica Henrique.
Como parte já tradicional do calendário cultural da cidade de Ilhéus, onde o festival acontecia antes de seu hiato de cinco anos, o FECIBA cumpria um papel importante no fomentar e propagar da produção baiana. Sobre voltar a essa posição nos próximos anos sem pandemia, Henrique é esperançoso. “Não temos muito como prever politicamente os próximos acontecimentos, por que estamos vivendo uma novela louquíssima, com vários acontecimentos que estão mudando os rumos. Não sabemos o que vai acontecer ainda em relação à pandemia, à vacina, aos eventos presenciais, e como ficará a história do FECIBA com isso daí. Mas essa edição, visualizando esses 50 filmes que estão representando esses últimos cinco anos sem o FECIBA, já traz na gente todo o desejo de voltar a fazer o evento presencialmente. E de voltar a ser calendário de Ilhéus”, finaliza Henrique.
De qualquer modo, bem-vindo de volta, caro Feciba. Fez falta!
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