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“Meu Nome é Gal” é uma homenagem digna de uma figura icônica

A cinebiografia tem direção de Dandara Ferreira e Lô Politi

Edvaldo Sales
Por Edvaldo Sales
| Atualizada em
A cinebiografia tem direção de Dandara Ferreira e Lô Politi
A cinebiografia tem direção de Dandara Ferreira e Lô Politi -

Homenagear grandes artistas não é um trabalho fácil - se for, tem algo errado. E quando se trata de Gal Costa, uma das figuras mais icônicas da música brasileira e que, infelizmente, morreu em novembro de 2022, essa tarefa exige ainda mais cuidado e dedicação. “Meu Nome é Gal”, cinebiografia da cantora, comandada pelas diretoras Dandara Ferreira e Lô Politi, não consegue sair isenta de deslizes, mas é uma homenagem que faz jus à artista.

O filme foca nos primeiros anos de carreira da artista, interpretada por Sophie Charlotte, quando ela saiu de Salvador, na Bahia, onde viveu até a sua adolescência, e se mudou para o Rio de Janeiro para realizar seu sonho de ser cantora. Lá, reencontrou seus amigos Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Dedé Gadelha, que acompanharam os seus primeiros passos na música profissional no final da década de 1960.

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A relação da protagonista com a dupla Caetano e Gil, personagens de Rodrigo Lelis e Dan Ferreira, respectivamente, é um dos maiores trunfos do longa e é dessa dinâmica que se desenrolam algumas das melhores cenas de Meu Nome é Gal.

O afeto e o respeito entre os três é demonstrado com gestos, sem precisar ser verbalizado, o que torna o amor entre eles ainda mais verossímil. Uma pena o mesmo não se aplicar ao desenvolvimento do relacionamento de Gal e Lélia (Elen Clarice), que é pouco aprofundado.

O roteiro, assinado por Maíra Bühler, Lô Politi e Mirna Nogueira, é ágil e tem uma crescente pautada na escalada do sucesso da Gal, no surgimento do Tropicalismo - movimento brasileiro de ruptura cultural que, na música, tem como marco o lançamento, em 1968, do disco “Tropicália ou Panis et Circencis” - e no impacto dos horrores da Ditadura Militar, que levou à prisão e, depois, ao exílio de Gil e Caetano em Londres.

O filme, no entanto, não funcionaria se a escolha da atriz para dar vida a Gal não fosse tão assertiva. Sophie Charlotte transita de uma performance mais introspectiva e doce para camadas mais dramáticas da atuação com a naturalidade necessária para criar um elo com o espectador. A direção contribui para que isso aconteça. A câmera acompanha a protagonista, deixando claro quem é a estrela do show e a cinematografia reforça ainda mais isso.

Sophie Charlotte é Gal Costa em "Meu Nome é Gal"
Sophie Charlotte é Gal Costa em "Meu Nome é Gal" | Foto: Divulgação

Ademais, Meu Nome Gal trabalha muito bem aspectos como trilha sonora e figurino. Juntos, eles ajudam a contar a história e são peças essenciais para a imersão do público na história. Clássicos como “Baby”, “Meu nome é Gal” e “Divino maravilhoso” são colocados no longa em momentos importantes para a trama. Já as roupas são essenciais para demarcar a evolução de Gal ao longo do filme.

A imersão proporcionada por Meu Nome é Gal é interrompida em alguns momentos pela montagem apressada - e pouco cautelosa - e pelo uso exagerado de imagens de arquivo. Por um lado, é compreensível o uso desse material para enriquecer a narrativa. Mas, por outro, o excesso prejudicou a fluidez apenas para reforçar algo que já havia sido estabelecido minutos antes.

Gal Costa morreu aos 77 anos, quando tinha 57 de carreira e mais de 40 álbuns entre discos de estúdio e ao vivo lançados. Ou seja, um vasto material para ser abordado em uma cinebiografia. Felizmente, o recorte da vida da cantora que foi levado para as telonas e se tornou Meu Nome é Gal não só faz uma ótima homenagem, como também tem potencial para aproximar mais gente do legado daquela que foi considerada por muitos a maior cantora do Brasil.

Assista ao trailer de Meu Nome é Gal:

Confira as sessões de Meu Nome é Gal, em Salvador, no Cineinsite A TARDE.

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análise filme gal costa Meu Nome é Gal

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