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Sessão Azul leva acessibilidade para crianças autistas no cinema

Evento da Rede UCI aconteceu na tarde desta terça em comemoração ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Publicado terça-feira, 02 de abril de 2024 às 17:29 h | Autor: Artur Soares
Como parte da comemoração, a UCI convidou cerca de cem pessoas associadas a Autimais e a Associação Amigos dos Autistas da Bahia
Como parte da comemoração, a UCI convidou cerca de cem pessoas associadas a Autimais e a Associação Amigos dos Autistas da Bahia -

Os cinemas de Salvador foram tomados pela acessibilidade na tarde desta terça-feira, 2. Em comemoração ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a rede de cinemas UCI Orient organizou uma sessão especial para pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

A ação UCI Azul aconteceu no Shopping da Bahia, Paralela e Barra, com as exibições sendo iniciadas a partir das 14h. O filme exibido foi “Kung Fu Panda 4”, animação que conta as aventuras do panda desastrado Po. As sessões contaram com um volume de som reduzido e luzes levemente acesas para garantir o conforto do público. 

Como parte da comemoração, a UCI convidou cerca de cem pessoas associadas a Autimais e a Associação Amigos dos Autistas da Bahia (AMA-BA). Além de assistirem ao longa gratuitamente, os convidados também receberam um combo de pipoca e refrigerante para completar a experiência.

Lia Regina de Castro, assistente social da AMA, comentou sobre como a causa vem ganhando mais visibilidade recentemente. "Hoje se fala sobre autismo com mais leveza, mais inclusão e entendimento. Mesmo sem entender todo o processo, nós temos a sociedade dizendo 'Eu estou aqui, eu estou aberta'", disse.

Lia ressaltou que o UCI Azul é uma forma de trazer a experiência do cinema para pessoas que nunca tiveram essa oportunidade. "Nós temos mães aqui que nunca levaram os filhos ao cinema, por conta do preço e do receio, pelo barulho e complexidade que o cinema tem na visão de cada uma delas", explicou.

"Para a gente que tem tantos nãos, uma ação dessas é sempre bom. Às vezes isso já afaga a mãe, as crianças, já que a gente tem tantas portas fechadas", afirmou Luana Neres, mãe de duas crianças autistas.

Levando os filhos ao cinema pela primeira vez, Luana ressaltou a importância de outras ações serem criadas para pessoas com outros tipos de deficiência. "Que eles (a rede de cinema) continuem com essas ações e não ajudem só a gente que é autista, mas que também tenham esse olhar para pessoas surdas", pontuou.

O evento serviu como uma oportunidade de lazer para as famílias de pessoas com o transtorno. "Eu e meus filhos ficamos mais presos em casa. Mas quando tem uma oportunidade dessas a gente vem", contou Zezito dos Santos, portador de autismo nível um.

Com opções de lazer restritas por conta de sua condição e a dos filhos, Zezito conta que a ação serve como uma forma segura de entretenimento para sua família. "Devido a violência, a gente não ocupa as ruas de nosso bairro, ficamos trancados. Você não vê autistas brincando nas ruas ou passeando, só se for no Shopping, Parque da Cidade, Parque dos Dinossauros e etc", explicou.

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