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Sucesso de “Marighella” traz à tona discussão sobre cota de tela para filmes brasileiros

Lucas Franco

Por Lucas Franco

11/11/2021 - 13:36 h | Atualizada em 11/11/2021 - 14:14

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Dia da exibição de "Marighella" no Assentamento Jaci Rocha I Foto: Nadjaí Araújo
Dia da exibição de "Marighella" no Assentamento Jaci Rocha I Foto: Nadjaí Araújo -

Exibido em oito salas de cinema de Salvador na sua segunda semana em cartaz, “Marighella” tem sido um grande sucesso, ainda que o filme dirigido por Wagner Moura seja exibido em um número consideravelmente menor de salas na comparação com “Eternos”, da Marvel, que também estreou na semana passada e se encontra em exibição em 31 salas, quase quatro vezes mais do que a produção brasileira.

“Nós já esperávamos grande apelo, mas ainda assim tem surpreendido [o filme “Marighella”]. Tem sessão de 14h25 de dia de semana lotada. Estamos fazendo vendas de ingressos por pix [pagamento eletrônico instantâneo] e te digo que, a cada sala com o máximo de locais ocupados, eu conseguiria ocupar ao máximo outra sala. E olhe que o filme está passando em outras salas de cinema da cidade”, disse a diretora de programação do Circuito Saladearte, Suzana Argollo.

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>> Confira a programação de “Marighella” no Cineinsite

Para a pesquisadora, roteirista, crítica de cinema e vice-presidente da Associação de Críticos de Cinema (Abraccine), Amanda Aouad, a situação pela qual passa “Marighella”, com a discrepância na comparação com “Eternos” em quantidade de salas de exibição, é parte de um contexto histórico. A solução, para Amanda, parece longe do fim, já que proposições de cotas de tela maiores enfrentam resistência de grandes exibidoras e as políticas públicas ainda não ameaçam mudar o cenário.

“Há uma força das grandes distribuidoras, as chamadas ‘majors’, que dominam as salas de cinema. Acaba sendo um ciclo vicioso, pois elas dizem que o público quer ver esses filmes de Hollywood, mas, ao só ter esses filmes, você acaba acostumando o público a só ver isso. Um argumento contrário a esse é que o filme está tendo sessões lotadas na Saladearte, por exemplo”.

A reportagem tentou contato com algumas das exibidoras que operam em Salvador, como UCI, Cinemark e Cinépolis, mas não obteve retorno acerca do percentual de salas ocupadas por produções nacionais. No início de outubro, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5497/19, da deputada Áurea Carolina (PSOL-MG), que propõe obrigatoriedade em definitivo de exibição comercial de filmes brasileiros em salas de cinema, com a quantidade a depender do número de salas do complexo. O PL da deputada psolista tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. A ideia é substituir a proposta original, que prorrogaria a cota de tela por mais dez anos ao invés de ser definitiva.

No entanto, o filme “Marighella” tem uma história própria, que vai além do enredo: o lançamento no Festival de Berlim aconteceu no início do Governo Bolsonaro, em fevereiro de 2019, o que tensionou o ambiente político já que, desde os primeiros momentos do mandato, o presidente da República realizou cortes de verba na Agência Nacional do Cinema (Ancine) e fez mudanças na diretoria da mesma.

Junto com sua pré-estreia em salas de cinema de todo o Brasil em novembro, “Marighella” foi projetado no Assentamento do Movimento dos Sem Terra (MST) Jaci Rocha, no município de Prado, sul da Bahia, no último sábado, 6. “Estou totalmente tocada pelo que vivemos ali. Uma confluência de lutas em uníssono numa voz de indignação coletiva, mas também imaginando e especulando saídas em ação real. Marighella, naquela noite, se encontrou com o povo que sempre amou e, pela recepção e mobilização, fica evidente a atualidade do seu pensamento e luta. Distribuição, direitos, democracia”, disse a vereadora de Salvador, Maria Marighella (PT), neta de Carlos Marighella.

Assim como a vereadora, Wagner Moura também esteve no assentamento no dia da exibição. O diretor recebeu de Maria a indicação para fazer o filme de Marighella, após ela ter lhe presentado com a biografia “Marighella, o Guerrilheiro que Incendiou o Mundo”, de Mário Magalhães. “Marighella é um filme desse tempo, que fala com a gente que Marighella amou. Me interessa ouvir as pessoas para quem esse filme foi feito. E isto tem sido potente demais”, disse a parlamentar da Câmara Municipal.

Outra produção com a temática da ditadura civil-militar que se destacou no Brasil este ano foi o longa de animação “Meu Tio José”, de Ducca Rios. Exibido no maior festival de animação do mundo, o Festival de Annecy, na França, e na Mostra de São Paulo, o filme mostra a história de Adonias, uma criança que tem um tio baleado por perseguição política na Salvador do final dos anos 1970 e início dos anos 1980.

“Enquanto o ‘Meu Tio José’ é um filme que mostra como uma criança aprende na prática o que é uma ditadura, ‘Marighella’ mostra que é importante enfrentar e não ter medo. São filmes complementares nesse sentido”, comenta Ducca Rios. Baiano, assim como Wagner Moura, que inclusive dubla a voz de José na animação, o diretor Ducca Rios enxerga que o Brasil se beneficiaria de uma lei de proteção ao cinema nacional, já que esta poderia quebrar a resistência de muitas pessoas com relação às produções locais. “Não somente garantir a cota de tela, mas também prever a reversão de recursos a partir de impostos pagos por produções estrangeiras e que retornariam para o nosso cinema”, sugere Ducca.

Na posição de exibidora, Suzana Argollo faz coro aos cineastas e apreciadores da sétima arte como um todo. “É importante que a gente ajude o cinema brasileiro a crescer. O país inteiro ganha com a geração de emprego e renda. Para que tenhamos acesso à nossa maneira de ver e de pensar o mundo”, defende a diretora de programação do Circuito Saladearte.

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