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Truffaut, o homem que amava o cinema, crianças e mulheres

Adalberto Meireles

Por Adalberto Meireles

19/10/2015 - 8:35 h

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Cena de "O Último metrô", de François Truffaut
Cena de "O Último metrô", de François Truffaut -

A obra de François Truffaut escorre na tela em sua elegância clássica e em pleno exercício de mise-en-scène. Não importa se é um dos grandes, ou apenas um filme acima da média: forma e conteúdo chegam intimamente ligados para expressar amor, liberdade, fuga, imensidão, vazio, infância, beleza e entretenimento na arte que poderia significar, simplesmente, nouvelle vague.

Nada como a sequência das crianças contemplando um espetáculo de marionetes em Os Incompreendidos, seu primeiro longa, que inaugura o movimento francês com Acossado, de Jean-Luc Godard, no final dos anos 1950, para expressar essa ideia de fascínio que o cinema de Truffaut e a nouvelle vague exercem.

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Nascido em Paris em 1932, Truffaut morre em 1984, aos 52 anos, vítima de câncer no cérebro. Vive o bastante para dirigir 26 filmes, dos quais oito compõem a mostra A Nova Onda François Truffaut, em cartaz até quarta-feira no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha. Faltam preciosidades como A Noite Americana (1973), A História de Adèle H (1975) e A Mulher do Lado (1981). Mas estão em exibição alguns dos melhores títulos do cineasta.

É bom notar a famosa série de filmes em que o personagem Antoine Doinel, interpretado por Jean Pierre Léaud, pontifica desde criança, a partir de Os Incompreendidos, como uma extensão da personalidade do cineasta: "Às vezes falo a verdade, mas não acreditam em mim, então eu prefiro mentir", diz o personagem, que voltaria em Antoine et Colette, em Beijos Proibidos (1968), Domicílio Conjugal (1970) e Amor em Fuga (1979).

Fruto da celebração, em 2014, dos 30 anos de morte do diretor, a mostra traz ainda um objeto de culto instantâneo: Jules et Jim, ou Uma Mulher para Dois (1962), filme-fetiche impulsionado pelo sentimento de tragédia, tendo Jeanne Moreau, ao lado de Oskar Werner e Henri Serre, ao sabor das transformações que marcaram o início do século 20. Catherine seria a um só tempo a personificação da ternura e da beleza e uma esfinge pronta para ser decifrada nessa aventura existencial que gira em torno do amor e da morte.

Aliás, amor e morte caminham juntos na arte deste cineasta que se definiu, em 1977, com O Homem Que Amava as Mulheres, espécie de testamento cinematográfico antecipado de quem estava ainda para fazer O Último Metrô (1980), canto de resistência em uma Paris sob a ocupação nazista, A Mulher do Lado (1981) e De Repente, Num Domingo (1083), com os quais fecha a homenagem ao mestre do suspense já celebrada no livro de entrevistas Hitchcock/Truffaut.
Apaixonado

Era um apaixonado pelo cinema e pelas mulheres, é bom frisar. Sobre a infância, um dos seus temas prediletos, discorreu em vários filmes até dedicar Na Idade da Inocência (1976) exclusivamente aos menores - um mosaico de pequenas histórias flutuantes que se entrelaçam acompanhando crianças do berço ao início da adolescência.

Com Fahrenheit 451(1966) conseguiu popularizar a sociedade distópica criada por Ray Bradbury para tipificar os regimes de exceção. De infância difícil, adolescente delinquente, até se tornar um dos maiores cineastas e pensadores de cinema do mundo, François Truffaut exerceu influência sobre outros diretores, a exemplo de Steven Spielberg, com quem trabalhou em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977). Mas seu grande mestre foi André Bazin, o crítico de cinema que o resgatou das ruas para as páginas da revista Cahiers du Cinéma.

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