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Aliança do Agro busca resolver demandas históricas no Oeste da Bahia

A Aliança reúne entidades como Aiba, Abapa, Aprosoja-BA, Assomiba e Faeb

Mário Bittencourt
Por Mário Bittencourt
Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia
Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia - Foto: Divulgação / LEM

O tema “Somos um só” também ganhou tradução prática no Oeste baiano com a recém-criada Aliança do Agro, grupo formado por 13 entidades ligadas à produção agrícola, pecuária, cooperativismo, máquinas agrícolas e agroindústria da região.

A proposta surgiu da percepção de que, embora o agro regional seja formado por diferentes cadeias produtivas, os principais gargalos enfrentados pelo setor são comuns: energia elétrica, logística, segurança jurídica, armazenagem, infraestrutura e sustentabilidade.

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A Aliança reúne entidades como Aiba, Abapa, Aprosoja-BA, Assomiba, Faeb, Cooperfarms, Cooproeste, Fundação Bahia e sindicatos rurais da região. Para a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, a articulação coletiva amplia a capacidade de atuação do setor.

“O produtor de algodão também planta soja, milho e outras culturas. Essa conexão se reflete nas instituições que representam o setor. Nós nos complementamos”, disse.

A presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, Greice Fontana, declarou que a união das entidades amplia a capacidade de atuação em temas que vão da produtividade à sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Com a Aliança do Agro, a ideia é que demandas regionais ligadas ao setor sejam resolvidas com mais brevidade. No Oeste, problemas de infraestrutura ligados à energia elétrica e logística (estradas e ferrovias) ocupam o centro das preocupações do agro desde o seu início.

O vice-presidente da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto, Luiz Pradela, um dos mais antigos produtores rurais do Oeste, afirma que os desafios regionais exigem articulação conjunta entre produtores, cooperativas e entidades.

“Precisamos pensar num rumo só, em busca de eficiência e competitividade. Energia elétrica, logística, comunicação e segurança jurídica são pautas fundamentais para o desenvolvimento da região”, disse.

Algodão irrigado amplia força regional no Oeste

O Oeste da Bahia também se consolidou como o maior polo de algodão irrigado do Brasil. Na safra atual, a produção de pluma chegou a 843 mil toneladas em uma área cultivada de 413 mil hectares.

Desse total, cerca de 150 mil hectares utilizam irrigação. A demanda nacional por algodão varia entre 750 mil e 800 mil toneladas, mantendo a cultura entre os principais motores econômicos do Oeste baiano.

Para a presidente da Abapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão), Alessandra Zanotto Costa, a consolidação da cotonicultura na região é resultado direto da articulação coletiva que remonta aos tempos dos pioneiros.

"O Oeste da Bahia talvez seja um dos melhores exemplos de que o desenvolvimento do agro não acontece de forma isolada. A região cresceu porque houve capacidade de articulação entre produtores, entidades, empresas, pesquisa e poder público", disse.

Colheitadeira de algodão em operação
Colheitadeira de algodão em operação - Foto: Abapa / Divulgação

A executiva destaca que o algodão baiano possui características favorecidas pelas condições do cerrado, mas foi a aposta em inovação que elevou o patamar produtivo.

"No início dos anos 2000, houve coragem dos pioneiros porque o Oeste não era uma área tradicional de cultivo da fibra. Com pesquisa, desenvolvimento, correção de solo, mecanização e genética, mudamos completamente a realidade", observou Alessandra.

O avanço da irrigação tornou-se um dos principais pilares dessa transformação. Atualmente, o Cerrado baiano soma cerca de 375 mil hectares irrigados, com projeção de alcançar 409 mil hectares até 2026.

O setor vem ampliando o uso de agricultura de precisão, sensores, monitoramento hídrico e manejo sustentável, buscando elevar produtividade sem ampliar proporcionalmente o uso de recursos naturais. A preocupação com a sustentabilidade, segundo Alessandra, deixou de ser apenas exigência de mercado para integrar a gestão da propriedade.

"Mais de 80% da nossa produção tem a certificação Algodão Brasileiro Responsável, considerado um dos programas mais completos do mundo. O produtor entende que preservar recursos naturais é garantir a continuidade da atividade", afirma.

Ela acrescenta que a tecnologia segue como aliada estratégica: "Hoje conseguimos produzir com elevado padrão de fibra, rastreabilidade e sustentabilidade, atendendo mercados cada vez mais exigentes".

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