A TARDE AGRO
Bahia Farm Show mostra avanços da tecnologia e os desafios de acesso no agro
Veja as principais vertentes tecnológicas para a 20ª edição da BFS
Novidades tecnológicas sempre foram um dos focos principais da Bahia Farm Show ao longo de sua história, acompanhando a revolução digital que transformou o Oeste baiano em uma das regiões mais tecnificadas do país.
Nesta 20ª edição, inteligência artificial, agricultura de precisão, drones e automação estarão com ainda mais evidência, como processo natural de evolução.
Sistemas de piloto automático e orientação, por exemplo, já estão consolidados nas fazendas, conforme avaliação da Agrosul Máquinas, distribuidora da John Deere no Oeste da Bahia.
"Eles são a primeira etapa para toda a agricultura baseada em dados, com ganhos de eficiência operacional, redução de sobreposição e melhor aproveitamento de tempo e insumos", afirma Bruna Lermer, diretora de marketing da empresa.
A partir dessa base, o produtor passa a contar com um ecossistema integrado que vai do planejamento da safra ao plantio eficiente, passando por pulverização precisa e colheita de qualidade até chegar à consolidação dos dados para gestão e tomada de decisões.
A inteligência artificial já deixou o campo das promessas e entrou na rotina das propriedades mais avançadas. Equipamentos da John Deere incorporam IA especialmente nas operações de pulverização e colheita.
"Na prática, a IA auxilia a otimizar a regulagem dos equipamentos, tornar as aplicações mais precisas, reduzir o consumo de insumos e combustível e minimizar perdas de grãos", explica Bruna. O Centro de Soluções Conectadas da empresa já processa com IA o volume massivo de dados enviados pelas máquinas no campo.
Desafios da conectividade
Mas a tecnologia de ponta ainda enfrenta gargalos. A conectividade, apontada como decisiva para o pleno funcionamento de ferramentas como telemetria e monitoramento remoto, continua sendo um desafio em áreas mais afastadas do MATOPIBA.
"Em áreas com limitação de internet, o avanço ocorre de forma mais gradual", admite Bruna. "Felizmente, nos últimos anos surgiram diversas soluções e várias empresas olhando esse mercado, o que vem reduzindo muito o custo de implantação."
Para contornar o problema, a John Deere oferece soluções como o JDLink Boost, que amplia a conectividade via satélite mesmo em regiões com baixa cobertura de internet.
Outro obstáculo é a relação entre investimento e retorno. A Agrosul percebe uma procura consistente por máquinas mais conectadas, mas sempre com o produtor atento aos custos e ao retorno sobre o investimento.
Por isso, a John Deere passou a oferecer soluções retrofit, como o Precision Upgrades, que permitem atualizar equipamentos já em uso no campo sem a necessidade imediata de renovação total da frota.
"O agricultor de hoje não procura necessariamente a solução mais barata, mas sim aquela que entrega maior retorno", diz Bruna.
Nesse cenário de margens apertadas, o especialista em Inteligência Artificial e Inovação Gui Zanoni faz um contraponto ao pessimismo de curto prazo.
"Entendo o aperto. Juros altos, margem comprimida, soja sem ajudar. Mas a conta de 'custo por hectare versus preço da soja' resolve o ano, não os próximos cinco", afirma.
"O produtor que congela investimento agora vai sentir em 2028, quando o vizinho que continuou tiver 30% mais produtividade com 20% menos insumo", deduz.
Zanoni rebate a ideia de que tecnologia é sinônimo de custo elevado. "Tecnologia não é o que encarece o custo por hectare. Encarece quando se compra a tecnologia errada, no momento errado, sem dado pra sustentar a decisão", explica.
"IA bem aplicada no agro não é a colheitadeira de três milhões. É a camada de dados que faz aplicar menos defensivo, ajustar a janela de plantio e prever quebra antes que ela aconteça."
Para ele, a pergunta que o produtor precisa fazer nesta safra é objetiva: "qual o menor investimento que destrava a maior decisão da minha lavoura?"
Startups e soluções acessíveis
Paralelamente às grandes marcas, a feira também tem se consolidado como um espaço estratégico para startups que buscam aproximar o produtor de inovações mais acessíveis.
Na avaliação do Sebrae, a ampliação do espaço dedicado à inovação na Bahia Farm Show representa um avanço importante para o fortalecimento do ecossistema do agronegócio, especialmente para pequenos e médios produtores.
"Essas empresas emergentes trazem inovações acessíveis e adaptáveis, que dialogam diretamente com as necessidades do campo, facilitando a adoção de novas tecnologias por produtores de diferentes portes", afirma Maísa Amorim, analista de negócios do Sebrae Bahia no Oeste.
Segundo ela, as startups têm ajudado o produtor a "produzir mais com menos", integrando tecnologia à rotina da fazenda, com foco em redução de custos, aumento da produtividade, melhor uso de recursos naturais e melhoria da tomada de decisão.
"Na Bahia Farm Show, isso se traduz em um ambiente onde o produtor não apenas vê máquinas, mas passa a enxergar soluções completas, baseadas em dados, automação e sustentabilidade, elementos cada vez mais decisivos para a competitividade do agro no Oeste baiano", completa Maísa.
A analista destaca ainda que a presença crescente de startups na feira fortalece a cultura da inovação aberta, conectando empreendedores a empresas consolidadas e criando oportunidades de parcerias estratégicas.
Além disso, a aproximação com investidores se torna mais viável, ampliando as possibilidades de acesso a capital, mentorias e programas de aceleração.
Lançamentos nacionais
A Bahia Farm Show também será palco de lançamentos nacionais. A Zait.ag, startup brasileira, apresenta o Zait Calda, uma solução 100% nacional que automatiza o preparo, manejo e gestão da calda de pulverização.
Desenvolvido com investimentos de R$ 1,4 milhão, o sistema reduz em até 60% o tempo de preparo da calda e aumenta em cerca de 10% o rendimento operacional dos pulverizadores, eliminando filas para abastecimento no campo, segundo a empresa.
"Todo o preparo é automatizado: a receita pode ser configurada diretamente em nosso portal ou integrada ao ERP do cliente", explica Franz Arthur Pavlu, presidente da Zait.ag, segundo o qual o sistema também minimiza erros de dosagem, garante a ordem correta de mistura e reduz a exposição dos operadores, alinhando-se às boas práticas agrícolas e de segurança do trabalho.
A empresa traz ainda um sistema PWM que promete economia de defensivos sem a necessidade de altos investimentos em pulverização localizada com sensores em tempo real. A tecnologia utiliza válvulas PWM e mapas gerados por drones para atingir precisão centimétrica, atuando a nível de planta.
Em estudos internos realizados em cana-de-açúcar no interior de São Paulo, o sistema alcançou economia superior a 90% no controle de ervas daninhas, sem danos por fitotoxidade à cultura. O produtor pode fazer o mapeamento por conta própria utilizando a plataforma da empresa ou contratar o serviço.