A TARDE AGRO
"Cooperativismo teve papel decisivo na transformação do oeste baiano"
Confira entrevista com o presidente da Cooperfarms, Marcelino Kuhnen
O crescimento do Oeste da Bahia como uma das principais fronteiras agrícolas do país foi construído pela integração entre produtores, cooperativas, entidades e tecnologia no campo.
Ao longo das últimas décadas, a região ampliou produtividade, modernizou a gestão das fazendas e fortaleceu sua competitividade no mercado nacional e internacional.
Mas o avanço do agro também trouxe desafios estruturais, principalmente nas áreas de energia, logística e infraestrutura.
Nesta entrevista, o presidente da Cooperfarms, Marcelino Kuhnen, analisa o papel do cooperativismo, da Bahia Farm Show e das ações conjuntas que sustentam o desenvolvimento do agro baiano.
Confira a entrevista completa
A Cooperfarms nasceu da união de 22 produtores rurais e hoje reúne mais de 190 cooperados em diferentes estados. Como o cooperativismo ajudou a transformar o Oeste da Bahia em uma das principais fronteiras agrícolas do país?
A Cooperfarms nasceu de uma necessidade real do produtor rural. Na época, o Oeste da Bahia pagava muito mais caro pelos insumos do que outras regiões do país, e isso fez com que os produtores entendessem que, unidos, seriam mais fortes. O cooperativismo trouxe justamente isso: força coletiva.
Primeiro com a compra conjunta de agroquímicos e, depois, ampliando para fertilizantes, sementes, armazenagem e soluções completas para o cooperado.
Essa união ajudou a reduzir custos, aumentar a competitividade e impulsionar o desenvolvimento da região. Hoje, o Oeste da Bahia é referência em produtividade, e o cooperativismo teve um papel decisivo nessa transformação.
A cada ano, a cooperativa se fortalece ainda mais. Prestes a completar 18 anos de fundação, a Cooperfarms já soma mais de 200 cooperados, consolidando sua atuação no Oeste baiano e reforçando seu compromisso com o desenvolvimento do agro regional.
O tema da 20ª edição da Bahia Farm Show é “Somos um só”. Na prática, como essa integração entre produtores, cooperativas, entidades e empresas fortalece o agronegócio baiano diante dos desafios do mercado?
O Oeste da Bahia cresceu justamente porque aprendeu a trabalhar de forma integrada. A união entre produtores, cooperativas e entidades fortalece a representatividade regional e permite avançar em pautas fundamentais, como infraestrutura, logística e energia.
Quando todos caminham na mesma direção, a região ganha força para buscar políticas públicas e soluções que sustentem o crescimento do agro. Quem não tem planejamento e objetivos, qualquer caminho serve.
Esse não é o nosso caso. O Oeste da Bahia sabe onde quer chegar: mais desenvolvimento, competitividade e geração de riqueza para toda a Bahia.
A Cooperfarms integra a Aliança do Agro, que reúne entidades representativas do setor no Oeste baiano. Quais pautas hoje exigem mais atuação conjunta para garantir competitividade e sustentabilidade ao agro da região?
Hoje, sem dúvida, a principal pauta é a energia. A escassez energética já impacta diretamente o crescimento do Oeste da Bahia, limitando a expansão da irrigação, da agroindustrialização e de novos investimentos.
Além disso, existem desafios ligados à logística e à necessidade de políticas públicas alinhadas ao ritmo de desenvolvimento da região, especialmente na área ambiental e de licenciamento.
A atuação conjunta das entidades é essencial para garantir infraestrutura adequada e manter a irrigação como um diferencial competitivo e sustentável para a Bahia.
A Bahia Farm Show acompanhou a evolução tecnológica do campo nas últimas duas décadas. Quais mudanças o senhor considera mais impactantes na gestão das fazendas desde a criação da feira até hoje?
Falo agora como produtor rural, e não somente como presidente da Cooperfarms. A Bahia Farm Show se consolidou como uma grande vitrine tecnológica do agro brasileiro.
Ao longo dessas duas décadas, o produtor rural passou a ter acesso mais rápido à inovação, com máquinas mais eficientes, agricultura de precisão, biotecnologia e ferramentas de gestão que elevaram significativamente a produtividade no campo.
O crescimento das produtividades de soja, milho e algodão no Oeste da Bahia mostra o quanto a tecnologia transformou a gestão das fazendas.
E a feira teve um papel importante nesse processo, aproximando o produtor das soluções, das linhas de crédito e das tecnologias que impulsionam o desenvolvimento do setor.
O agro do Oeste da Bahia cresceu em produtividade, exportação e adoção de tecnologia, mas ainda enfrenta gargalos. Quais são os principais desafios estruturais que precisam ser superados para sustentar o crescimento do setor nos próximos anos?
O Oeste da Bahia já mostrou sua força produtiva, mas agora precisa avançar em infraestrutura para continuar crescendo no mesmo ritmo. Energia, logística e estradas ainda são os principais gargalos.
A BR-242 é fundamental para o escoamento da produção e precisa de investimentos que acompanhem o tamanho da região hoje. A Fiol (Ferrovia de Integração Oeste Leste) também é estratégica para melhorar nossa competitividade e integrar ainda mais o Oeste baiano aos grandes corredores logísticos do país.
Outro ponto importante é o avanço da logística portuária, principalmente para atender a crescente demanda das exportações do agro baiano. À medida que a produção cresce e se diversifica, é fundamental que a estrutura logística acompanhe esse desenvolvimento.
Além disso, precisamos olhar para a industrialização e para a agregação de valor da produção local. O futuro do agro passa por transformar matéria-prima em desenvolvimento, emprego e oportunidades para toda a Bahia.