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Futuro é agroindustria: oeste baiano investe na verticalização

Oeste da Bahia visa intensificar a verticalização para atrair novos investimentos

Miriam Hermes
Por Miriam Hermes
Fábrica da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães
Fábrica da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães - Foto: Divulgação | Inpasa

Consolidado como grande produtor de grãos, fibras e frutas, o Oeste da Bahia já tem parte da produção industrializada na região, com a produção de óleo de soja, beneficiamento primário do algodão e produção de farinhas de milho, dentre outros em menor escala.

Neste momento os esforços congregados visam intensifica a verticalização com atração de novos investimentos e projetos integrados que agregam valor às commodities, gerando empregos e renda entre a população regional.

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Com este propósito específico foi criada há um ano a Aliança pela Agroindústria da Bahia, congregando 13 entidades ligadas ao agronegócio baiano que estarão na 20ª Bahia Farm Show avançando em busca de soluções aos gargalos e articulando novas possibilidades.

A formação da Aliança, de acordo com o diretor de Desenvolvimento da Agricultura, da Seagri, Assis Pinheiro Filho, formatou “um modelo de articulação público-privada que elevou o patamar da verticalização da produção no estado”.

O engenheiro agrônomo afirmou que a participação da estrutura estadual neste processo, “foca em transformar a Bahia de uma grande exportadora de commodities brutas em uma potência de produtos processados e de alto valor agregado”, sintetizou, destacando que os pilares deste trabalho “são os incentivos fiscais e atração de investimentos, em um trabalho conjunto com a SDE”. O desafio, pontuou, é atrair grandes indústrias para a região.

Neste contexto a biorrefinaria Inpasa, instalada em Luís Eduardo Magalhães, começou a operação em abril deste ano. Com investimento de R$ 1,3 bilhão e capacidade de processar por ano 1 milhão de toneladas de grãos (milho e sorgo), a produção anual prevista é de 470 milhões de litros de etanol, 245 mil toneladas de DDGS (ingrediente para nutrição animal), 23 mil toneladas de óleo vegetal e 132 mil GWh de energia elétrica.

A unidade instalada na Bahia faz parte de um conjunto de oito biorrefinarias do grupo, instaladas em diferentes estados do Brasil. Durante a instalação o projeto gerou 2.500 empregos diretos e indiretos, com geração de 450 empregos fixos para a operação plena.

Conforme o diretor da Seagri, para a chegada da Inpasa na Bahia, “a secretaria atua diretamente no fomento à rotação de culturas e estímulo ao cultivo de segunda safra no Oeste, especialmente milho e sorgo”.

Fábrica da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães
Fábrica da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães - Foto: Divulgação | Inpasa

Ele ressaltou que para suprir a agroindústria sem desabastecer outros setores, a Seagri também apoia pesquisas e assistência técnica para expandir o sorgo grão, “que é altamente resistente ao estresse hídrico”, asseverou.

No segmento da pecuária, segundo Pinheiro Filho, foi assinada uma cooperação técnica entre Seagri, ADAB, Acrioeste, FAEB e Captar Agrobusiness, visando a implantação da identificação individual de bovinos, através de chipagem. “Isso agrega um valor imenso à agroindústria (frigoríficos) da carne, garantindo rastreabilidade socioambiental exigida pela Europa e Ásia”, apontuou.

Ainda no segmento pecuário, o presidente da Cooperativa de Produtores Rurais (Cooperfarms), Marcelino Kuhnen, disse que o projeto da cadeia integrada de suínos que a entidade desenvolveu e está em busca de mais parcerias, é um exemplo das ações que estão chegando para valorizar a produção regional de grãos.

“Foi pensado para gerar empregos, fortalecer os municípios e criar novas oportunidades para toda a região”, afirmou. A estimativa traçada no projeto é para a criação de mais de 2 mil empregos diretos e mais de 15 mil indiretos, além de quase R$ 1 bilhão em receitas agregando valor à produção regional.

Presidente da Cooperfarms, Marcelino Kuhnen
Presidente da Cooperfarms, Marcelino Kuhnen - Foto: Divulgação | Cooperfarms

O produtor destacou o momento histórico que o Oeste da Bahia está vivendo. “Durante muitos anos, mostramos nossa força produzindo no campo, e agora chegou a hora de transformar essa produção em mais desenvolvimento para a região”, ressaltou.

Uma das instituições que fazem parte da Aliança, a cooperativa foi criada em 2008, tem sede em Luís Eduardo Magalhaes e reúne mais de 200 associados. Com atuação em seis estados, movimenta cerca de R$1,2 bilhão em faturamento por ano.

Energia e água

“Temos alguns casos concretos neste trabalho inicial, tendo à frente a Aliança pela Agroindústria”, afirmou o produtor rural, vice-presidente da Cooperfarms, Luiz Pradella, apontando a necessidade de energia elétrica em quantidade e qualidade/estabilidade como principal demanda regional para instalação de mais indústrias.

Ele destacou que a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) em parceria com outras entidades e órgãos públicos desenvolveu o Estudo de Demandas Energéticas do Oeste da Bahia e está à frente deste trabalho que busca mais energia para a região, também representando a Aliança. Com dados e projeções sobre a crescente demanda por energia para a região, o estudo foca a expansão da produção agrícola, da irrigação e das agroindústrias.

Conforme Pradella, para buscar as soluções, junto de representantes da Neoenergia Coelba o grupo de trabalho esteve em reunião recente com dirigentes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no Rio de Janeiro, reforçando as conversações para solucionar o gargalo, “em busca de melhorias efetivas”, enfatizou.

Produtor rural, Luiz Pradella
Produtor rural, Luiz Pradella - Foto: Divulgação | AIBA

Ele citou ainda a insegurança jurídica fundiária como outro grande gargalo regional, “que preocupa os produtores que compram uma propriedade na boa fé e acabam perdendo a matrícula”, lamentou, acrescentando que os documentos são essenciais para regularização das terras com órgãos ambientais, para exercer as atividades de forma legal e obter financiamentos bancários. “Este problema existe em vários estados, não é exclusividade da Bahia”, ressaltou.

Para Pradella, pelo fato da região continuar com um único modal de transporte, o rodoviário, a questão de logística é obstáculo para maior expansão regional, pois está prejudicada e tem reflexos na produção rural e nas agroindústrias. “Falta a ferrovia que está há anos aí em construção. Tem feito muita falta este modal para a região”, criticou.

Apontado como insumo indispensável para a crescente prática da irrigação nas lavouras, o Aquífero Urucuia tem um tratamento especial, segundo Pradella que é um dos grandes incentivadores para uso do sistema de Plantio Direito na Palha nas lavouras da região. O modelo visa a sustentabilidade dos solos e dentre outras vantagens facilita a infiltração das águas das chuvas para o reabastecimento do aquífero.

Para compreender a dinâmica do reservatório subterrâneo, que tem 80% da sua área sob os chapadões do Cerrado baiano, um estudo do seu potencial foi desenvolvido por cerca de 10 anos sob a liderança da Aiba e envolvimento de diferentes equipes de pesquisadores.

Os produtores investiram nos estudos para saber quanto podem utilizar e o monitoramento deve indicar o nível do aquífero, para fazer as atividades com segurança, atendendo o quesito da sustentabilidade. Para Luiz Pradella, a atividade rural deve ser em um tripe sustentável, com base no social, ambiental e econômico, “senão não dá certo”, sinalizou.

Em nota a Neoenergia Coelba o reconheceu que energia elétrica é fator estratégico para o desenvolvimento da agroindústria e apontou que o ciclo de investimentos de 2026 a 2030, tem previsão de aplicar R$ 3,2 bilhões no Oeste baiano. As obras preveem 10 novas subestações e ampliação de outras 15 unidades, bem como mais 3,9 mil quilômetros de rede, visando ampliar em 93% a oferta de energia na região.

A modernização e expansão busca aumentar a confiabilidade do fornecimento e dar suporte ao crescimento econômico da região, conforme a concessionária que citou o diálogo com a Aliança do Agro e demais entidades representativas do setor, Fieb e a Seifra/BA.

Pontuou ainda que “a necessidade de reforços estruturantes na rede básica de transmissão, cujo escopo de atuação ultrapassa o papel da distribuidora de energia”, motivou a busca pela estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), EPE.

Ainda de acordo com a distribuidora “os investimentos sob sua responsabilidade direta já estão previstos no plano divulgado, com muitas obras em plena execução”. No entanto, apontou que os reforços na rede básica de transmissão dependem de leilões, coordenados pelo governo federal. “Ainda assim, a companhia atua de forma proativa e colaborativa na articulação institucional necessária para viabilizar essas soluções estruturantes para a região”, finalizou.

Mão de obra

A qualificação profissional é um dos pilares para que o Oeste baiano aproveite plenamente as oportunidades geradas pela expansão da agroindustrialização. O Sistema Faeb/Senar afirma que tem investido continuamente na formação de trabalhadores rurais, técnicos e produtores, com cursos, treinamentos, assistência técnica e gerencial e ações voltadas à inovação no campo.

A criação da Aliança pela Agroindústria da Bahia reforça a estratégia, pois aproxima os setores produtivos, as instituições de ensino e o poder público em torno de um objetivo comum: preparar pessoas para atender às novas demandas da indústria ligada ao agro.

“Hoje, não falamos apenas de produção, mas de agregação de valor, tecnologia, logística e gestão, áreas que exigem profissionais cada vez mais capacitados”, explica o presidente da Faeb e 1º vice-presidente de Finanças da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Humberto Miranda.

Segundo ele, nos últimos anos, a atuação da entidade no oeste aumentou. Houve fortalecimento da assistência técnica e gerencial, expansão da oferta de capacitações e iniciativas voltadas à inovação, sustentabilidade e sucessão rural.

Também houve avanços na aproximação entre os produtores e as novas tecnologias, além de maios integração com sindicatos rurais, cooperativas e demais entidades do setor, fortalecendo as cadeias produtivas.

Recentemente, o Sistema Faeb/Senar investiu na ampliação das formações com foco na qualificação profissional, cada vez mais alinhadas às demandas reais do setor produtivo. Um exemplo importante é a Qualificação em Mecanização Agrícola na Produção de Grãos e Fibras, com carga horária de 360h, ofertada em formato híbrido.

Trata-se de uma formação conectada à realidade do oeste da Bahia, altamente tecnificado e com forte demanda por profissionais preparados para atuar com máquinas, tecnologias e processos produtivos cada vez mais modernos.

Humberto Miranda também cita como avanço relevante, também fruto da escuta das demandas dos produtores e empresas rurais, o Curso Técnico em Segurança do Trabalho no Agro, com carga horária de 1.200h, formato semipresencial e oferta totalmente gratuita. O curso nasce da necessidade de formar profissionais aptos a atuar em ambientes produtivos cada vez mais complexos, tecnificados e exigentes, contribuindo para a segurança, a prevenção de riscos e a melhoria das condições de trabalho no campo.

Como uma das mais importantes lideranças estaduais, Miranda projeta que o oeste baiano continuará sendo uma das regiões mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.

“Vejo um futuro marcado pela ampliação da agroindustrialização, incorporação de novas tecnologias, fortalecimento da sustentabilidade e diversificação das atividades produtivas. A região reúne condições excepcionais de solo, clima, capacidade empreendedora e organização do setor produtivo. Tenho convicção de que o oeste seguirá como referência nacional em produtividade, inovação e competitividade”.

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