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Lideranças do setor explicam por que o Matopiba é o futuro do Brasil

Saiba a visão dos produtores sobre o impacto social do Matopiba

Divo Araújo
Por Divo Araújo

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Maurício Buffon, presidente do Aprosoja
Maurício Buffon, presidente do Aprosoja - Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

A expansão do agronegócio no Matopiba é vista pelos produtores como fundamental para transformar a realidade dos quatro estados que integram a região. Na avaliação de Maurício Buffon, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil) e produtor no Tocantins, o avanço da agricultura no Cerrado tem impactos diretos no desenvolvimento regional.

Buffon destaca o papel estruturante da atividade. “Qual outra atividade teria esses estados, essas famílias, essa população, se não fosse a agricultura?”, questiona.

Para ele, “a aptidão dessa região é agrícola” e isso a torna “de fundamental importância”, especialmente diante da escassez de alternativas econômicas.

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Essa vocação produtiva também se expressa na base tecnológica que sustenta a expansão. Segundo Celito Missio, vice-presidente da Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do Matopiba (Aprosem), a região se consolidou como um polo relevante na produção de sementes.

Grande parte da produção de sementes do Matopiba está na Bahia

De acordo com ele, o volume produzido na região é suficiente para plantar cerca de 6,5 milhões de hectares, o que representa algo entre 13% e 14% da área nacional cultivada com soja.

Essa evolução tem raízes no desenvolvimento científico. “A Embrapa foi fundamental para a ocupação do Cerrado”, afirma. Segundo ele, o grande salto ocorreu quando a pesquisa conseguiu adaptar a soja ao clima tropical.

“Não tinha como plantar soja no Cerrado, porque ela não crescia. A Embrapa conseguiu tropicalizar a cultura”, explica.

Biotecnologia

A incorporação de biotecnologia também foi determinante nesse processo. “A primeira soja transgênica veio com resistência ao herbicida glifosato”, lembra.

Posteriormente, novas tecnologias passaram a incorporar resistência a pragas, como lagartas, ampliando a eficiência do manejo. “As sementes têm muita tecnologia embarcada. Está tudo na genética”, afirma.

Esse conjunto de inovações contribui para a adaptação da cultura às condições locais. “É muito importante ter variedades adequadas à região, que resolvam problemas como pragas e nematoides”, diz Missio.

Segundo ele, o trabalho conjunto entre empresas de biotecnologia e melhoramento genético tem sido essencial para atender às demandas do campo.

Essa base tecnológica ajuda a explicar também a transformação observada nas cidades, como destaca Buffon.

“A transformação é muito grande, é só olhar as cidades que são impactadas diretamente”, diz.

A chegada da agroindústria reforça esse movimento. “O próprio algodão traz muita indústria de descaroçadeira, e isso gera muito emprego.”

Em regiões com essa cadeia produtiva, o trabalho tende a ser contínuo. “Onde você vê uma indústria de algodão, ela trabalha o ano inteiro, não para. Então é um emprego constante”, afirma.

Desafios estruturais

Apesar dos avanços, os produtores apontam desafios estruturais. “Nós precisamos de mais segurança jurídica”, diz Buffon, que também menciona gargalos logísticos.

“O agronegócio movimenta muito grão, muita fibra. É muito caminhão. Então precisa de suporte em estradas e ferrovias.”

Ele chama atenção para o potencial ainda pouco explorado da infraestrutura de transporte. “A gente tem muitas opções de ferrovia que o Brasil não está sabendo usar”, afirma.

“A hidrovia do Tocantins seria importantíssima para o desenvolvimento da região.”

Entre os projetos considerados estratégicos, ele cita a ampliação da malha ferroviária. “A Ferrovia Norte-Sul ajudou bastante, mas nós precisamos ampliar. Precisamos da Ferrovia Oeste-Leste funcionando para ter opção de portos.”

Buffon aponta ainda a limitação dos portos como um entrave ao crescimento. “Hoje estão praticamente em suas ocupações máximas. E a agricultura não para de crescer”, afirma.

“Cada novo espaço que se cria já chega ocupado por uma safra maior.” Para ele, melhorar o acesso aos portos do Nordeste é fundamental.

Por fim, Buffon ressalta o papel das entidades representativas. “Hoje temos a Aprosoja em 16 estados. Ela defende não só a soja, mas a agricultura como um todo.”

Segundo ele, essas organizações são fundamentais para levar as demandas do setor ao poder público. “Quem faz isso é a associação.” Entre os principais temas em discussão, ele destaca o crédito rural.

“Temos uma questão muito grave de endividamento, e a associação está trabalhando firme nisso”, afirma.

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