AGRO
“Somos um só”: Moisés Schmidt explica o tema da Bahia Farm Show 2026
Confira entrevista com pres. da Bahia Farm Show e da Aiba, Moisés Schmidt

O presidente da Bahia Farm Show e da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Moisés Schmidt, bate um papo sobre a preparação da 20ª edição da feira, a escolha do tema “Somos um só”, os reflexos da guerra no Oriente Médio no agro baiano e nacional e a força do MATOPIBA – acrônimo que representa a principal nova fronteira agrícola do Brasil, formada por partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – sobre o agronegócio, entre outros assuntos.
Leia a entrevista completa
Como estão os preparativos e as expectativas para a 20ª edição da Bahia Farm Show?
Em ritmo intenso e reflete a dimensão que a feira alcançou, ao longo dessas duas décadas. O complexo está sendo ampliado em cerca de 35%, chegando a 38 hectares, com a expectativa de mais de 500 expositores, o que demandou grandes investimentos em infraestrutura, conectividade, mobilidade e segurança para garantir que os expositores e visitantes tenham uma experiência positiva para gravar na memória, colocando a nossa mostra como referência nacional em qualidade de infraestrutura, serviços e hospitalidade, além, é claro, de tudo o que ela apresenta em soluções para a agroindústria.
Qual a mensagem que o tema desta edição quer passar?
O tema “Somos um só” dialoga diretamente com essa construção coletiva do agro. Ele reconhece que o desenvolvimento do agronegócio, na Bahia, não foi obra isolada, mas resultado de uma cadeia integrada, com produtores, empresas, instituições, governos e famílias, que ajudaram a transformar a região.
A Aliança do Agro, entidade que congrega as cadeias produtivas e as diversas instituições de representatividade do setor, é uma prova disso e estará presente na feira. Com este tema, também estamos referindo ao campo e à cidade, a todos os municípios, regiões e estados deste grande país, que hoje tem uma missão estratégica de prover alimentos, fibras e energia para o mundo.
Quais os reflexos da guerra no Oriente Médio no agro baiano e nacional, sobretudo em relação ao aumento de custos de insumos e combustíveis?
A agroindústria brasileira está inserida no contexto global e conflitos como o do Oriente Médio impactam diretamente no câmbio e nos custos, especialmente de combustíveis e insumos, que têm forte correlação com o petróleo. Esse cenário traz incertezas e exige ainda mais planejamento por parte do produtor.
Em tempos de custos altos e pouca previsibilidade, precisamos ser excelentes em todas as nossas operações, buscando as máximas produtividades e a redução de desperdícios. A Aiba tem acompanhado esse cenário, mas ainda é cedo para dimensionar com precisão até que ponto essa situação será repassada ao consumidor final.
Qual a avaliação da Aiba em relação ao agronegócio na economia baiana?
A trajetória do agro do Cerrado baiano retrata a revolução do modelo brasileiro de agricultura tropical desenvolvido nesse bioma, a partir dos anos de 1960. Na safra 2025/2026, a região plantou em torno de três milhões de hectares e colheu, aproximadamente, 14 milhões de toneladas de grãos e fibras.
A fruticultura, a pecuária, as verduras e as hortaliças, e até mesmo a produção de novas culturas, como o cacau e o trigo, também impressionam pela adequação ao bioma, com apoio da pesquisa e do desenvolvimento científico. Há, ainda, um imenso potencial que começa a ser explorado para a produção de biodiesel, o que significa energia renovável que brota da lavoura.
A verticalização da produção é outra possibilidade real a ser intensificada, assim como a pecuária bovina, avicultura e suinocultura, por conta da oferta da matéria-prima para a alimentação animal. Mesmo nas lavouras, essa região da Bahia tem grande capacidade e segurança para crescer, pois dispõe de solo e água, sem necessidade de abertura expressiva de áreas por conta da rotação de cultura.

Qual a força do MATOPIBA sobre o agronegócio na Bahia?
A Bahia, o “BA” do Matopiba, hoje, é a locomotiva dessa macrorregião que congrega os maiores produtores agrícolas das áreas de Cerrado do Norte e Nordeste brasileiros. Quando se trabalha com o conceito de “bloco”, unido pela sinergia econômica, os processos são otimizados, tanto para a iniciativa privada quanto para o governo, que pode criar políticas públicas mais efetivas para o desenvolvimento regional.
A região do Oeste baiano, como parte integrante do MATOPIBA, tem ajudado na transformação do perfil econômico e social do Estado, deslocando, em parte, o eixo de riqueza do litoral para o interior. Segundo dados do IBGE (2025) e da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a Bahia é o segundo e quarto produtores de algodão e soja, respectivamente. Dos dez municípios com maior PIB agrícola do Nordeste, seis estão na Bahia (liderados por São Desidério e Formosa do Rio Preto).
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