AGRONEGÓCIO
Estiagem acende alerta em produtores de algodão do oeste baiano
Altas temperaturas e tempo firme têm promovido a queda de umidade no solo, gerando riscos à fibra

A estiagem acendeu um alerta em produtores de algodão do oeste da Bahia, onde estão 98% das lavouras do estado. Os registros de altas temperaturas e tempo firme têm promovido a queda de umidade no solo e, assim, gerando riscos à fibra em algumas localidades.
A região de Guanambi tem sido motivo de atenção devido à baixa disponibilidade de água no solo, em decorrência da falta de chuva. Apesar deste cenário, a produtividade média esperada ainda não está comprometida, garante a Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia (Seagri).
Outras áreas como Barreiras, São Desidério e Luís Eduardo Magalhães, apresentam condições favoráveis ao desenvolvimento do algodão. O plantio da safra 22/23 ocupou 305,2 mil hectares, dos quais 299,2 mil estão no oeste baiano.
Apesar dos olhos atentos para algumas regiões, no geral, o clima é de otimismo em relação à esta temporada de algodão. De acordo com o produtor Paulo Schmidt, da região de Luís Eduardo Magalhães, espera-se que a chuva não continue sendo uma questão nos próximos meses.
“A maior parte do algodão não sofreu com seca. Estamos com uma previsão boa de chuva em toda Bahia e, para os próximos meses, esperamos que venha chuva o suficiente”, afirma. Ainda segundo Schmidt, também não há problemas em relação a pragas e doenças que poderiam causar danos às plantações.
Para a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a estimativa de produção para a safra ainda é a mesma. “Em fevereiro, realmente faltou chuva em algumas regiões, mas, a princípio, a nossa estimativa de produção para a safra é normal, desde que chova no mês de março e em abril”, afirma Luiz Carlos Bergamaschi, presidente da Abapa.
A fim de mitigar qualquer risco climático, produtores rurais anteciparam o plantio da safra 22/23. Além disso, agricultores também apostaram em um bom plantio do solo, através do uso de fertilizantes e calcário, e no manejo conservacionista do solo, em que há o cultivo de plantas para proteger o solo de erosão e perda de água.
2º maior produtor
A Bahia é o segundo maior produtor de algodão do Brasil, com uma produtividade em torno de 300 arrobas de fibra/hectare. No estado, a cultura é a segunda mais representativa – atrás, apenas, da soja – e foi responsável, em 2022, por uma injeção de cerca de R$ 6,5 bilhões na economia.
De acordo com o Secretário de Agricultura do Estado da Bahia, Wallisson Tum, a Seagri vem desenvolvendo instrumentos de política agrícola a fim de incentivar a cotonicultura baiana. “O Programa de Incentivo à Cultura do Algodão da Bahia (Proalba) tem sido exemplo de sucesso na concessão dos incentivos fiscais, traçando um perfil competitivo apto a atender com absoluta qualidade e regularidade o mercado doméstico e internacional, promovendo considerável desenvolvimento econômico e social para todo o Estado”, pontua.
Diante de tamanha importância, caso as previsões otimistas em relação às lavouras não se concretizem, resultará em grandes perdas para grandes e pequenos produtores, além do consumidor, já que o algodão é uma commodity essencial, como explicam os especialistas, para o desenvolvimento de diversos produtos. A colheita da safra 22/23 é esperada no final de maio.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes


