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Salvador Smart City - cidade do futuro

SALVADOR 4.7.7

Salvador segue rumo aos 500 anos como uma Smart City humana e conectada

De Alice aos 500 anos, veja o futuro da capital baiana desenhado por três gerações

Salvador Smart City - cidade do futuro - Foto Shirley Stolze | Ag. A TARDE

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Andrêzza Moura

Por Andrêzza Moura

29/03/2026 - 4:01 h

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Olhar para os próximos 23 anos é imaginar Salvador aos 500 anos: uma cidade mais conectada, inteligente e feita para as pessoas. Neste domingo, 29 de março, enquanto a cidade celebra 477 anos, a pequena Alice também apaga suas 7 velinhas.

Com curiosidade infinita e uma imaginação sem limites, ela nos lembra que o futuro ainda é um grande desenho em construção, repleto de cores, sons e possibilidades.

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A pequena Alice faz sete anos no mesmo dia de Salvador
A pequena Alice faz sete anos no mesmo dia de Salvador | Foto: Arquivo pessoal

Após conhecermos o futuro cérebro da capital baiana, olhar para as potencialidades do Comércio, Orla e Paralela, acenar para estudantes de tecnologia, dar uma volta pela mobilidade, ver os robôs chineses da saúde e entender a tecnologia por trás do carnaval, chegamos à oitava e última parada da série “Salvador 4.7.7 - A Capital do Futuro”. Nada simboliza melhor essa trajetória do que celebrar, no mesmo dia, a cidade e Alice - uma pequena soteropolitana que já aponta para o amanhã da primeira capital baiana.

A cidade, em plena transformação ao se consolidar como Smart City - um ambiente urbano que utiliza tecnologia avançada -, encontra na imaginação de Alice inspiração para soluções inovadoras e inclusivas.

Quando fala sobre a cidade, Alice imagina um transporte público com “muitas partes”. Certamente, ela ainda não conhece os termos técnicos, mas sua intuição reflete o que especialistas projetam: integração entre metrô, ônibus e novos modais em um sistema único, mais conectado e humano.

Metrô de Salvador
Metrô de Salvador | Foto: Reprodução | CCR Metrô Bahia

A percepção infantil da pequena soteropolitana dialoga diretamente com os debates sobre o futuro da cidade. Para o pesquisador em urbanismo Pablo Fiorentino, o futuro da mobilidade em Salvador dependerá das escolhas feitas agora. Ele aponta dois cenários possíveis:

  • Pessimista: a continuidade de gestões que priorizam viadutos e alta velocidade, mantendo o transporte público precário.
  • Otimista: investimentos em transporte coletivo, pedestres e ciclistas, seguindo exemplos de cidades como Paris e Fortaleza. “Salvador precisa de coragem para romper com o senso comum da carrocracia”, afirma Fiorentino.

Transporte aquático e teleférico no Subúrbio

A projeção otimista citada pelo pesquisador se fortalece com os avanços detalhados pelo secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.

“Temos um centro de comando moderno, inteligência artificial para contagem de fluxo, drones para planejamento urbano e veículos elétricos. Salvador possui hoje o maior eletroterminal público do país, com capacidade para carregar 20 ônibus simultaneamente. A mobilidade é feita por pessoas e para pessoas”, afirma o secretário.

Souza ainda destaca que a cidade está ampliando ciclovias e estudando novos modais, como transporte aquático e teleférico no subúrbio, integrando tudo com metrô e ônibus.

Salvador Smart City
Salvador Smart City | Foto: Reprodução CTB

Esse olhar tecnológico e integrado encontra eco no planejamento da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), segundo o presidente Eracy Lafuente.

“Estamos investindo em mobilidade e urbanismo de forma planejada, com participação do setor privado. Conseguimos verba para novos trens e estudo para expansão de estações. É um vetor de desenvolvimento socioeconômico”, afirma ele.

Cidade inteligente para todos

Atualmente, Salvador ocupa o 9º lugar entre as cidades inteligentes do Brasil. Tecnologia já faz parte do cotidiano da cidade, impactando a educação, a saúde e a mobilidade urbana. Mas o verdadeiro desafio está em como expandir esses avanços, tornando-os ainda mais integrados, inclusivos e eficientes para todos os soteropolitanos.

Louise espera que Salvador seja tecnologicamente justa com todos
Louise espera que Salvador seja tecnologicamente justa com todos | Foto: Arquivo pessoal

Se a pequena Alice está apenas no início da caminhada, Louise Lima, prestes a completar 17 anos, na próxima terça-feira, 31, já percorre um caminho diferente. Para ela, a tecnologia transformou profundamente a educação, mas exige responsabilidade.

“Mudou muita coisa, principalmente com a inteligência artificial. Hoje em dia você encontra qualquer coisa na internet, está tudo na palma da mão. Mas muitos estudantes estão criando um vício de não fazer atividades… jogam na IA e já têm a resposta”, explica ela.

Aluna de uma escola particular, Louise pensa no coletivo e sonha com uma Salvador mais justa e conectada, onde escolas públicas sejam bem equipadas, professores valorizados, internet de qualidade alcance todos os bairros e a educação prepare de fato para a vida.

Educação para todos
Educação para todos | Foto: Divulgação

Ela imagina também transporte eficiente e saúde pública de qualidade, acessíveis a todos, construindo uma cidade inclusiva e inovadora.

“Espero que os transportes públicos sejam mais eficientes, rápidos e confortáveis. Que haja integração entre ônibus, metrô e outros meios de transporte. E que hospitais e postos de saúde sejam bem equipados, com diagnósticos mais rápidos e atenção à prevenção”, espera.

Educação para o futuro

Andrea Machado, professora do Senai Cimatec e especialista em Inteligência Artificial, explica que com o avanço das tecnologias o foco da educação mudou.

A tecnologia é parceira da professora nas aulas no Senai Cimatec
A tecnologia é parceira da professora nas aulas no Senai Cimatec | Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

“O foco já não é mais o que aprender, mas como aprender. O professor não será substituído, ele será ainda mais importante como mediador das relações de aprendizagem. Hoje, o mais difícil é filtrar a informação. Precisamos formar alunos críticos, criativos, empáticos e colaborativos”, avalia a professora.

Ela reforça que a tecnologia na educação deve ser usada de forma ética e estratégica, preparando os estudantes para um aprendizado personalizado, adaptativo e centrado em competências.

“Podemos pensar em uma aprendizagem adaptativa, em que cada aluno tenha experiências personalizadas de acordo com suas dificuldades. A escola e o professor serão curadores de conteúdo e arquitetos de experiências de aprendizagem”, afirma.

Professora Andrea Machado é especialista em IA
Professora Andrea Machado é especialista em IA | Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

Sobre a educação do futuro, Andrea complementa:

“Estamos vivendo a transição para uma era de experiências personalizadas com base em tecnologias digitais. A educação do futuro precisa considerar também a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional dos alunos. É fundamental investir em políticas públicas, infraestrutura e formação de professores para que isso seja possível”.

Olhar de quem viu a cidade se transformar

O servidor público aposentado Carlos Cândido, de 77 anos, - com direito a duas datas de aniversário: 11 e 18 de março, por um curioso erro familiar - traz a perspectiva de quem viu a cidade se transformar diante dos próprios olhos.

"Evoluiu muito. Ficou muito moderna, principalmente agora com a informática e a tecnologia. Hoje, há assistência residencial, mutirões, vacinas… No meu tempo não existia isso. Se houver preocupação dos governantes, a tendência é melhorar cada dia mais", avalia o senhor.

Carlos Cândido, servidor público aposentado
Carlos Cândido, servidor público aposentado | Foto: Arquivo pessoal

Ele lembra da época dos bondes, do crescimento dos ônibus, da chegada do metrô e da expansão de sistemas como o BRT.

"Eu alcancei o bonde, o trem no subúrbio. Hoje, temos metrô, BRT, viadutos e túneis. Sai de Salvador para Lauro de Freitas rapidinho. Foi uma bênção para todos. Hoje, vejo melhorias e muita coisa boa acontecendo”, concluiu.

Saúde, IA e humanização

Entre o olhar curioso de Alice, a consciência crítica de Louise e a experiência de Carlos, a tecnologia aparece como fio condutor. Mas, quando o assunto é saúde, especialistas reforçam: inovação só faz sentido se vier acompanhada de humanidade.

Saúde de qualidade para todos
Saúde de qualidade para todos | Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde

Em Salvador, a tecnologia na saúde caminha a passos largos rumo ao futuro, integrando cada vez mais recursos digitais às consultas e ao cuidado com os pacientes.

A médica Mayara Silva reforça que mesmo com o avanço da tecnologia, o olhar humano continua sendo decisivo
A médica Mayara Silva reforça que mesmo com o avanço da tecnologia, o olhar humano continua sendo decisivo | Foto: Divulgação Ascom Afya

Mayara Silva, médica da família e professora da Afya Salvador, explica como a inovação já faz parte do dia a dia da medicina.

“A saúde digital tende a estar totalmente integrada às consultas, à gestão e ao cuidado com os pacientes. Telemedicina, telediagnóstico e inteligência artificial permitem um cuidado mais personalizado, mas o julgamento crítico continua sendo do médico”, explica a médica.

Simulador médico
Simulador médico | Foto: Divulgação Ascom Afya

Mayara destaca ainda que ferramentas como telemedicina e telediagnóstico, combinadas à inteligência artificial, permitem monitorar dados em tempo real, antecipar riscos e oferecer um atendimento mais preciso. Mas, reforça, o olhar humano continua central nas decisões clínicas.

Para Paloma Modesto, pró-reitora da Afya Salvador, a tecnologia e a humanização devem andar juntas.

Para Paloma Modesto, pró-reitora da Afya Salvador, tecnologia e humanização se complementam
Para Paloma Modesto, pró-reitora da Afya Salvador, tecnologia e humanização se complementam | Foto: Divulgação Ascom Afya

“Não existe contradição entre tecnologia e humanização - pelo contrário, uma potencializa a outra. Queremos formar médicos tecnológicos e humanizados ao mesmo tempo, capazes de compreender o território e as necessidades da população”, descreve a pró-reitora.

Segundo Paloma, preparar profissionais para o futuro exige integrar inovação e cuidado, garantindo atenção de qualidade e empatia, mesmo em um cenário cada vez mais digital.

Simulador médico
Simulador médico | Foto: Divulgação Ascom Afya

Com investimentos em plataformas digitais, telemonitoramento e inteligência artificial, Salvador projeta um sistema de saúde mais eficiente, acessível e centrado nas pessoas, onde tecnologia e humanização caminham lado a lado.

Salvador 500: tecnologia e humanidade

Entre três gerações, três perspectivas e diferentes áreas do conhecimento, um ponto em comum surge: o futuro de Salvador não será definido apenas pela tecnologia.

O futuro é uma escolha e dependerá das decisões tomadas agora. Alice imagina. Louise questiona. Carlos compara. Especialistas apontam caminhos, gestores apresentam projetos e pesquisadores alertam para escolhas estratégicas.

Salvador deve alinhar mobilidade eficiente, educação conectada e saúde de qualidade, garantindo que o avanço tecnológico sirva às pessoas e não apenas à infraestrutura. A Salvador dos 500 anos poderá ser mais conectada, sustentável e inovadora, mas nenhuma tecnologia substituirá o elemento essencial que move uma cidade: as pessoas.

Hoje, com 477 anos, a cidade precisa ser mais do que uma Smart City. Ser inteligente vai além da inovação digital: envolve planejamento, cuidado com a população e integração entre serviços, preparando o terreno para que as próximas décadas tragam soluções realmente inclusivas e humanas.

O que todos os soteropolitanos esperam é que a Salvador de 500 anos seja tecnológica, inclusiva e humanizada: transportes integrados, educação adaptativa e digital, saúde preventiva e personalizada. Um futuro que combina inovação com empatia, conectando a cidade aos próximos 23 anos.

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