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ALÉM DA POLARIZAÇÃO

Camaçari e RMS como espelhos do comportamento eleitoral no Brasil

Secretário Geraldo Honorato destrincha o peso do voto indeciso e estratégico na Bahia

Geraldo Honorato*
Por Geraldo Honorato*
Geraldo Honorato é secretário de Comunicação de Camaçari
Geraldo Honorato é secretário de Comunicação de Camaçari - Foto: Divulgação

Entender o comportamento do eleitor brasileiro exige atenção a alguns territórios-chave. O cientista político Felipe Nunes, do Instituto Quaest, chamou recentemente atenção para quatro pontos geográficos que, segundo ele, ajudam a decifrar esse cenário em movimento. A cidade de São Paulo, a Baixada Fluminense, a região metropolitana de Belo Horizonte e a região de Camaçari, na Bahia, sede do maior Polo Industrial do continente, marcada por forte fluxo migratório e em franca expansão econômica e demográfica. As palavras são de Nunes.

Essas áreas funcionam como um termômetro das eleições. Nelas, há presença significativa de eleitores independentes, que não seguem um voto fixo e podem mudar de posição de uma eleição para outra. É justamente esse contingente que costuma definir o rumo das disputas. Há controvérsias, a notar.

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Uma parcela expressiva do eleitorado já tem lado definido. De um lado, estão os que votam de forma consistente em Lula e no campo político que o acompanha. De outro, os que permanecem alinhados ao ex-presidente Bolsonaro. Trata-se de um eleitor fiel, com baixa propensão à mudança, processo este que o professor Felipe Nunes chama de “calcificação do voto”. Nesse cenário, o jogo eleitoral se concentra cada vez mais na disputa por quem ainda está aberto à persuasão, os chamados independentes.

Camaçari entra nesse contexto como um caso emblemático. A cidade, que para muitos teve a disputa municipal mais acirrada e nacionalizada do Nordeste, e a Região Metropolitana de Salvador, revelam de algum modo como o voto pode variar conforme o tipo de eleição, especialmente nas disputas para o Governo do Estado.

Nas eleições presidenciais, o campo ligado ao PT venceu em Camaçari e região há mais de duas décadas. Foi assim com Lula, Dilma, Haddad e Lula, de novo. Já o comportamento para governador indica uma oscilação recente. Em 2018, Rui Costa, do PT, saiu vitorioso, mesmo diante de um ambiente político local adverso. Em 2022, ACM Neto liderou a votação nos dois turnos, superando numericamente Jerônimo Rodrigues na RMS.

O resultado de 2022 desenhou um cenário curioso, com preferência pelo PT na disputa nacional e pelo União Brasil no plano estadual. Uma combinação contraditória à primeira vista, mas que traduz um eleitorado cujo voto se move e se ajusta conforme o contexto.

Há ainda um fator novo que precisa ser levado em consideração agora em 2026. Camaçari, coração econômico e industrial da Região Metropolitana de Salvador, passou por uma mudança relevante de comando político. Antes administrada por um grupo alinhado a ACM Neto e ao bolsonarismo, a cidade agora está sob gestão do PT.

Nesse sentido, Camaçari e a RMS funcionam como um espelho parcial do país. O que acontece nesse território ajuda a revelar os movimentos mais amplos do eleitor brasileiro. Entre convicções firmes e escolhas circunstanciais, o comportamento do voto na região não apenas reflete o Brasil — ajuda a explicá-lo.

*Geraldo Honorato é jornalista secretário de Comunicação de Camaçari-BA.

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