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É preciso resposta rápida: assédio no transporte público reduz mulher a objeto

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Marta Rodrigues*
Por Marta Rodrigues*
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Foto: Denisse Salazar

A mudança na percepção dos brasileiros sobre a violência contra a mulher tem duas faces. A primeira é positiva: mostra uma sociedade mais consciente de um problema historicamente naturalizado. A segunda é inquietante: revela que a violência alcançou um nível capaz de provocar espanto coletivo. Não por acaso, pesquisa Datafolha encomendada pelo Movimento Mulher 360 mostrou que, pela primeira vez, a violência contra a mulher passou a liderar a lista de preocupações dos brasileiros quando o assunto é criminalidade. Seis em cada dez entrevistados afirmam estar preocupados com o tema e quase 90% acreditam que os casos aumentaram no último ano.

Os números ajudam a explicar essa percepção. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica. São mais de quatro mulheres assassinadas por dia. A maioria das vítimas é negra.

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Mas a violência contra a mulher não se resume aos feminicídios. O medo faz parte da rotina de milhões de brasileiras em casa, no trabalho, nas ruas e no transporte público. Pesquisa dos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, divulgada pela Agência Brasil, apontou que 97% das mulheres entrevistadas já sofreram algum tipo de assédio no transporte público e 71% conhecem outra mulher que passou pela mesma situação. É preciso mecanismos que deem respostas rápidas e concretas.

É dessa realidade que surgem iniciativas como a Lei nº 9.835/2025, de minha autoria após demanda popular na capital, conhecida como Lei do Vagão para Mulheres. A proposta prevê espaço exclusivo para mulheres no metrô nos horários de pico, quando aumentam os relatos de assédio e importunação sexual. Sua implementação permanece suspensa por decisão judicial, após liminar de uma associação de empresários metroviários sediada em Brasília.

A mesma preocupação orienta a Política Municipal de Enfrentamento ao Feminicídio, aprovada em 2023 e ainda não implementada pelo município. É preciso combater o assédio no transporte, por isso também apresentei o projeto Abrigo Amigo, inspirado em outros estados, para criar pontos de ônibus mais seguros, com monitoramento e acompanhamento remoto para mulheres que aguardam transporte.

Em Salvador, essa discussão possui um recorte ainda mais evidente. As mulheres negras, maioria da população da cidade, seguem entre as principais vítimas da violência de gênero. Como ensina Carla Akotirene, gênero, raça e classe social se cruzam e ampliam vulnerabilidades. Quando a violência contra a mulher se torna a principal preocupação dos brasileiros, o país recebe um sinal claro. A conscientização é um avanço. Mas ela também revela a urgência de transformar proteção em política pública eficaz e que saia do papel e do discurso.

*Vereadora de Salvador pelo PT e presidente da Comissão de Reparação

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