ARTIGOS
Fim da escala 6x1: a Bahia tem muito a ganhar
Confira o artigo de Augusto Vasconcelos


O ano de 2026 já entrou para a História. Finalmente, fizemos avançar uma antiga reivindicação do movimento sindical: a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Um feito comparado a outras grandes conquistas, como o 13º salário e o direito às férias.
Com a aprovação da PEC 221/19 na Câmara dos Deputados, ficarão assegurados pelo menos dois dias de repouso remunerado por semana, um dos quais preferencialmente aos domingos, possibilitando mais convívio das famílias, bem-estar, saúde e dignidade humana.
A sobrecarga é um dos principais fatores de adoecimento ocupacional, segundo a OMS. Os números preocupantes afetam diretamente as contas públicas, abarrotando o INSS e o SUS. Conforme relatório Sapiens Labs de 2023, o Brasil detém a maior prevalência de ansiedade, com 9,3% da população - 3º pior índice global de saúde mental, entre 64 países. O custo previdenciário com auxílio por incapacidade temporária em decorrência de transtornos mentais saltou de R$19 bilhões em 2022 para mais de R$ 30 bi em 2024.
Com as novas tecnologias, a produtividade aumentou. Precisamos fazer com que os benefícios cheguem à sociedade e não apenas a quem concentra renda. Não faz sentido exigir a mesma jornada de 40 anos atrás a um empregado que agora pode trabalhar com mais celeridade e ganho de escala.
Ao contrário do que dizem os opositores, a construção da PEC foi responsável, com regulamentação específica para atividades que demandam tratamento diferenciado e transição de 14 meses para a efetivação total da redução - em 60 dias, a jornada já será de 42 horas, para melhor organizar a mudança.
Na Bahia, cerca de 600 mil trabalhadores serão beneficiados diretamente. Haverá aquecimento de setores que já são muito fortes, como serviços, turismo e comércio. Nossa cultura e economia criativa também irão se beneficiar, assim como o esporte e atividades de lazer, que possuem um ecossistema econômico dinâmico.
Eficiência não depende da exploração do trabalho e sim de melhorias em logística, aumento do valor agregado da produção, incremento da industrialização e investimentos em pesquisa e inovação que permitam disputar a fronteira tecnológica. Foi nesses moldes que o Governo federal criou a política da Nova Indústria Brasil. E aqui, desde o início da gestão do Governador Jerônimo Rodrigues, qualificamos 25 mil pessoas em 120 segmentos, atraímos novas empresas, fortalecemos as já existentes e registramos a menor taxa de desocupação da série histórica.
Parabéns às Centrais Sindicais, ao Presidente Lula e aos parlamentares progressistas que tiveram coragem de enfrentar a discussão que nos possibilitou alcançar uma expressiva vitória. Agora, a batalha será no Senado, mas estamos confiantes.
*Secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia