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OPINIÃO

Mais de 60% dos afastamentos por Burnout são de mulheres. Quem você será em 2026?

Autoconsciência: a estratégia essencial para mulheres vencerem o burnout e liderarem em 2026

Alessandra Calheira*

Por Alessandra Calheira*

30/01/2026 - 12:46 h

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Os afastamentos por Burnout cresceram 493%
Os afastamentos por Burnout cresceram 493% -

O ano mal começou e já estamos nos despedindo de janeiro. A percepção sobre a passagem do tempo, a alta competitividade e a perspectiva de vivermos em um mundo totalmente novo, sem referências de padrões e valores vêm gerando muita ansiedade. Adaptabilidade nunca foi uma competência tão importante e desejada nas empresas. Mas qual é o custo de viver buscando se adaptar o tempo todo? E se adaptar a quê, exatamente?

O INSS divulgou que os afastamentos por esgotamento no trabalho cresceram 493% entre 2021 e 2024. E quando olhamos especificamente para os números referentes à saúde mental das mulheres, o quadro é ainda mais impressionante: entre os afastamentos por burnout, 62,8% foram solicitados por mulheres, e entre os diagnósticos da doença realizados pelo SUS, 71,7% foram de mulheres. Se fizermos um recorte para mulheres em cargos de gestão, o relatório ‘Movimento Mulher 360’, publicado pela McKinsey em 2025, aponta 66% de esgotamento.

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Alguns fatores conhecidos contribuem para esse cenário:

  • O alto custo invisível da tripla jornada.
  • Microagressões e o desgaste da autoridade feminina no ambiente de trabalho.
  • As pressões que envolvem a passagem do tempo (etarismo).
  • E, em muitos casos, os desafios impostos pelo climatério e a menopausa.

A verdade é que o mundo do trabalho é bem mais complexo e duro para as mulheres. Historicamente, são elas que, segundo dados do IBGE, recebem por seus trabalhos 21% a menos que os homens e têm menores chances de ascender na carreira. O desequilíbrio tende a se agravar com o viés da inteligência artificial que, segundo estudos, ameaça proporcionalmente mais empregos femininos.

Diante desse cenário, as mulheres podem reagir de duas formas: ficar paralisadas diante da complexidade ou agir estrategicamente para não apenas sobreviver, mas prosperar profissionalmente.

Trabalhar a autoconsciência é o primeiro passo. Não a autoconsciência como um conceito abstrato, mas sim como uma ferramenta eficaz capaz de trazer lucidez ao seu esforço. Ter clareza sobre a sua própria essência, valores, potências e falhas, e sobre seus sonhos garante musculatura para navegar em mares agitados e poder escolher os objetivos adequados e as melhores rotas.

É importante reconhecer, entretanto, que a autoconsciência não resolverá sozinha problemas estruturais como desigualdade salarial, sobrecarga doméstica ou machismo estrutural. Essas questões exigem mudanças políticas, culturais, sociais e empresariais profundas. Mas enquanto essas transformações não chegam, a autoconsciência se torna uma ferramenta de sobrevivência e estratégia individual.

A cada dia, será mais insustentável trabalhar em algo que não dialoga com seus valores e objetivos de vida. Entendo que nem todo mundo tem condições de delegar aos boletos uma posição secundária no universo das escolhas. Mas entendo também que trabalhar apenas para pagar contas tornará a jornada insustentável e adoecedora, a curto prazo. Sugiro fortemente que você comece agora: reserve um momento diário para essa reflexão.

Adote mecanismos de reflexão sobre si, seu trabalho, seus sonhos. Se tiver recursos, faça terapia, yoga, mentorias, imersões. Se os recursos forem escassos, exercite a sua fé, leia bons livros, acompanhe bons e responsáveis conteúdos. O que importa é que você invista tempo de qualidade pensando em você e sobre o que importa profissionalmente.

As respostas encontradas por meio do autoconhecimento servirão como insumos para que você trace objetivos e organize sua carreira estrategicamente. Especialistas em desenvolvimento profissional trabalham com sete pilares fundamentais: Identidade Profissional, Tempo e Mercado, Experiência e Aprendizagem, Comunicação e Marca Pessoal, Network, Finanças e Ferramentas de Acesso.

Enquanto você investe no seu desenvolvimento, algumas ações práticas podem proteger sua saúde mental desde já:

  • Estabeleça limites claros de disponibilidade profissional.
  • Use a IA como assistente para tarefas repetitivas, mas não terceirize decisões criativas.
  • Delegue tarefas simples da vida pessoal.
  • Organize melhor seu tempo.

A pergunta que abre este texto não é retórica: quem você será em 2026 depende diretamente das escolhas que fizer hoje. Em um mundo imprevisível, que clama incessantemente por adaptação, a autoconsciência deixou de ser luxo filosófico para se tornar ferramenta de sobrevivência profissional. Comece agora. Seu futuro está sendo construído neste exato momento.

*Alessandra Calheira - Fundadora da Career Organizer, professora e mestre em Comunicação e Culturas Contemporâneas. Especialista em desenvolvimento de carreira e empoderamento profissional feminino.

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