ELEIÇÕES
Quadro de estabilidade na eleição da Bahia
Com eleitorado indeciso e aprovação estável do governo, sprint final definirá a eleição


Não existe nenhum indicativo posto até o momento que aponte para uma eleição estadual na Bahia vencida com grande margem de frente. Compreendida esta sentença, o cenário emoldurado na última pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (29) apresenta algumas leituras interessantes e não excludentes.
O cenário político-eleitoral na Bahia é de estabilidade; os levantamentos anteriores, do próprio instituto, oferecem esta leitura. Tanto em agosto de 2025 quanto em abril deste ano, os principais índices sofreram pouca variação, a maior parte deles dentro da margem de erro.
Diante deste cenário, as campanhas dos dois principais postulantes ao Palácio de Ondina buscam a homeostase nos quartéis-generais e o alinhamento dos ponteiros para definir as estratégias a serem usadas durante o período no qual se entende que do pescoço para baixo é canela.
Até o momento, existem pelo menos dois pontos que estão no campo da sensação de sentimento que precisam ser trabalhados e valem destaque. O primeiro deles é o certo pragmatismo instaurado no inconsciente do grupo de ACM Neto (UB) acerca da capacidade de vencer a eleição.
Esta nuvem está presente nos ambientes de decisão e nas camadas seguintes, embora jamais seja reconhecida publicamente. Os olhares, gestos, expressões faciais, no entanto, gritam. Depois de 2022, a percepção acerca de qualquer cenário positivo é avaliada e trazida para uma realidade que não necessariamente vai se repetir. Contudo, "gato escaldado tem medo de água fria".
Já o segundo ponto, também dentro da seara daqueles que fazem oposição ao projeto petista, e que dialoga com o primeiro, é a "chegada petista". É mantra, em conversas entre analistas políticos, que o PT da Bahia aprendeu a ganhar a eleição e que o sprint final deles tem sido decisivo nos últimos 20 anos.
Voltando à pesquisa, outro dado que pode ser visto como interessante é que 44% dos entrevistados podem mudar de voto; somando aos 13% de indecisos, a linha férrea a ser percorrida é maior do que a interminável Fiol. Se por um lado esse volume de eleitores em aberto pode ser lido como espaço para o desafiante avançar, por outro é também terreno que o incumbente pode disputar palmo a palmo — e é essa ambiguidade que mantém o tabuleiro eleitoral indecifrável a esta altura do campeonato.
As locomotivas dos grupos políticos estão ainda em ritmo pouco acelerado. Os maquinistas aguardam os caminhos a serem definidos pelo time de planejamento político e de comunicação. No próximo final de semana, a convenção do PT oficializará as candidaturas de Jerônimo Rodrigues e Geraldo Júnior, e com os times escalados acabam as preliminares e entramos no jogo.
Considerando que a oposição também aposta em um sentimento de mudança detectado de forma nítida, possivelmente nos levantamentos qualitativos e quantitativos internos, o momento é de aguardar os passos seguintes.
Fato é que, nas pesquisas, o número apresentado apenas atesta o cenário de equilíbrio e constância. Quando se destaca que a aprovação do governo se mantém estável e acima da desaprovação desde agosto do ano passado — variando de 39% para 37% entre agosto de 2025 e julho deste ano, com o campo "regular" em ascensão (de 30% para 35%) e a reprovação oscilando pouco, hoje em 23% —, além de que 52% dos entrevistados acreditam que Jerônimo merece ser reeleito, os golpes para superar o incumbente precisam ser contundentes, e apostar na estratégia errada pode fazer com que a embarcação naufrague.
Ora, há uma máxima nas lutas de que quem desafia o atual campeão precisa nocauteá-lo ou ser, de forma muito clara, melhor. Se o jogo ficar no equilíbrio, a tendência é que o cinturão permaneça com quem o conquistou.