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Seletividade e narrativas na opinião pública
Confira o artigo de Cláudio André


A busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) na semana passada reposicionou o caso do Banco Master no centro da política nacional. Na condição de líder do governo no Senado, Wagner aproxima o presidente Lula do epicentro da crise com as suas relações financeiras com Augusto Lima, sócio baiano de Daniel Vorcaro, exigindo mais explicações detalhadas nas próximas semanas, já que é inegável que a nova operação delimita um marco zero do escândalo ao colocar o PT em margem estreita de desgastes públicos que não existia como fato desde que os vazamentos sobre a investigação se tornaram recorrentes na imprensa nos últimos meses.
Um segundo ponto é que o campo político liderado por ACM Neto também tem o que explicar. O ex-ministro João Roma e o próprio ex-prefeito carregam evidências de relação direta com Vorcaro e com Augusto Lima. O problema da investigação da PF é que deixa de tratar com equidade temporal, sendo que a apuração precisaria necessariamente alcançar a oposição baiana com o mesmo rigor que alcançou Wagner. ACM Neto confirmou meses atrás ter sido consultor do Banco Master. João Roma, por sua vez, manteve relação próxima com Ronaldo Bento Vieira, o ministro que lhe sucedeu no Ministério da Cidadania, tornando-se depois parceiro do banqueiro baiano. Para chegar em Wagner, a investigação “pulou” duas casas temporalmente e deixou de colocar centralidade em todas as articulações construídas por Augusto Lima com diversos políticos baianos.
Para chegar em Wagner sem alcançar o União Brasil de Antônio Rueda e ACM Neto, somado à Federação com os Progressistas de Ciro Nogueira, foi necessário resgatar a tática que lembra o modelo de seletividade consagrado pelas investigações da Lava Jato. Naquela operação, ficou claro que um conjunto amplo de partidos organizou acesso indevido a financiamento de campanha, mas a Justiça avançou de forma desigual entre as organizações partidárias. O caso Master corre o risco de repetir essa assimetria, na medida em que o caminho mais republicano seria uma investigação unificada que trouxesse as duas pontas do escândalo ao mesmo tempo, faltando meses para o dia das eleições.
Um terceiro ponto: há uma temporalidade estratégica em jogo. Flávio Bolsonaro busca construir uma equivalência retórica entre a presença do PT e do PL no caso Master, na tentativa de minimizar a crise que está metido com o “irmão” Vorcaro. Está em aberto o quanto o PT e o Palácio do Planalto saberão manejar rapidamente a crise e as posições públicas republicanas sobre o caso, sem dúvidas, cobrando de Wagner uma responsabilidade política categórica, já que ele e Lula estarão em campanha oficial daqui a algumas semanas diante da centralidade da Bahia na disputa estadual e presidencial.
*Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]