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Templos e política

Confira o artigo de José Medrado

José Medrado
Por José Medrado
Imagem ilustrativa da imagem Templos e política
Foto: Reprodução

Acompanhei, pelas redes sociais, embates entre pessoas que concordaram com a chamada Marcha para Jesus e a Parada do Orgulho LGBT, quando se argumentavam onde e para que uma e outra. Naturalmente, e infelizmente, se tornou campo de batalha, onde um condenava a ação do outro, o entendimento sobre para que eram as manifestações em si. Entendo e sinto que há lugares que nasceram para o silêncio, não ausência de som, mas o silêncio da ausência, aquele que permite ouvir o que o barulho do mundo não alcança.

Um templo, uma igreja, um centro espírita, uma casa de oração são como portos construídos para acolher embarcações cansadas das tempestades da vida. Quem atravessa suas portas não procura slogans. Procura sentido. A religião, em sua essência mais profunda, é uma ponte lançada sobre o abismo das inquietações humanas. Ela convida o olhar a ultrapassar os limites da matéria, a perceber que a existência não se resume às disputas do presente, aos interesses passageiros ou às paixões que dividem os homens. Seu horizonte é mais amplo. Seu convite é mais elevado.

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Por isso, causa estranheza quando o altar se transforma em palanque e a linguagem da transcendência passa a disputar espaço com a retórica da campanha político-partidária. São universos diferentes. Um aponta para o eterno, o outro se ocupa do transitório. Um busca unir consciências em torno de valores universais; o outro, por sua própria natureza, organiza preferências, escolhas e divergências.

Quem busca uma experiência religiosa não deseja vestir a camisa de uma torcida. Não chega ao templo para ser recrutado para um lado ou para outro das disputas humanas. Chega porque carrega perguntas que a política não responde. Leva consigo dores que nenhum programa de governo consegue aliviar por completo. Procura paz, consolo, esperança, reconciliação. Procura um encontro com algo maior do que si mesmo.

A fé, entendo assim, é uma janela aberta para o infinito. A campanha eleitoral é uma estrada que percorre as urgências do presente. Quando essas duas paisagens se confundem, ambas perdem algo de sua identidade. A religião corre o risco de reduzir sua mensagem espiritual às fronteiras de um projeto temporal. A política, por sua vez, tenta apropriar-se da autoridade moral que pertence à esfera da consciência e da crença.

Valores espirituais podem inspirar cidadania, ética, solidariedade e compromisso com o bem comum. Mas inspirar não é instrumentalizar. Iluminar não é dominar. Há uma diferença importante entre levar princípios para a vida social e transformar espaços de fé em arenas de disputa eleitoral. Quem entra em um lugar de oração não deveria encontrar bandeiras. Deveria encontrar horizontes.



*Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz

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