ARTIGOS
Um bate-papo sobre a IA
Confira o artigo de Armando Avena


Estarei hoje à noite, a partir das 18h, no café da Livraria Leitura do Shopping da Bahia, discutindo o impacto da Inteligência Artificial na arte, na cultura e na economia. E, desde já, convido a todos.
O evento, que terá a participação do publicitário Pablo Caldas e do professor Rodrigo Moraes, faz parte da Semana da Literatura, uma promoção da editora Caramurê e da Livraria Leitura, que ocorre entre 26/06 e 03/07.
Muitos leitores enviaram-me e-mails, indagando a causa da minha preocupação com a Inteligência Artificial. Outros dizem que a IA é apenas mais uma tecnologia, entre tantas outras criadas pelo homem, e que a humanidade saberá lidar com ela. E responder a essas indagações tête-à-tête será um momento especial.
O que me preocupa na IA é o fato de ela ser a primeira tecnologia criada pelo Homo sapiens que atua sobre aquilo que sempre foi considerado o diferencial humano: a capacidade cognitiva.
Uma tecnologia é disruptiva quando altera simultaneamente a economia, a organização social, a cultura e a forma como os seres humanos trabalham e pensam. E, sim, houve outras tecnologias disruptivas ao longo da história da humanidade.
No século XVIII, por exemplo, a invenção da máquina a vapor multiplicou a capacidade física do homem, ao substituir a força muscular humana e animal. E isso, aliado a outros fatores, resultou na Revolução Industrial, na urbanização acelerada, nas fábricas e na emergência do capitalismo.
No final do século XIX, a eletricidade também mudou o mundo, potencializou a capacidade física do ser humano e permitiu que as máquinas funcionassem em qualquer lugar e a qualquer hora. O resultado foi a produção em massa, a iluminação das cidades e os modernos meios de comunicação. Tão disruptiva foi a eletricidade que, sem ela, sequer existiria a IA. Já o computador, que automatizou os cálculos e o processamento de dados, foi a tecnologia disruptiva do século XX e resultou na revolução da informação, na globalização e na internet.
O problema é que, diferentemente de outras tecnologias, a IA não amplia apenas a força física e a velocidade do processo de cálculo e informação; ela tem certa capacidade cognitiva e, com isso, pode substituir o ser humano nas atividades intelectuais, uma prerrogativa que antes lhe era exclusiva. Ou seja, a IA não é apenas uma ferramenta, não é tão somente uma máquina que aumenta a capacidade analítica do ser humano. Ela é mais que isso: tem linguagem, raciocínio, análise e é capaz de criar conteúdo, inclusive conteúdo artístico – música, literatura e artes plásticas. Em outras palavras: a IA interfere no próprio processo de pensar. É uma “tecnologia de propósito geral” e talvez precise de controle.
Assim, espero a todos nesta sexta-feira (26), na Livraria Leitura do antigo Shopping Iguatemi, para que possamos discutir o novo mundo que está surgindo.
*Escritor, jornalista e economista, membro da Academia de Letras da Bahia – ALB