ARTIGOS
Uma ameaça de milhões
Falha humana é causa de até 90% dos ataques hacker a empresas


O ransomware infecta ambientes por diversas técnicas, sendo a principal delas a exploração de falhas humanas — responsável por 70% a 90% dos incidentes de segurança. Vulnerabilidades de software e credenciais fracas completam os vetores mais comuns.
Pagar o resgate, muitas vezes, é a pior saída: o “sequestrador” pode não liberar os dados mesmo assim, e a empresa passa a ser vista como “boa pagadora”, tornando-se alvo de novos ataques. Dados da CrowdStrike apontam que cerca de 85% das empresas que pagam o resgate são atacadas novamente.
O ransomware não é novo, mas segue evoluindo — e continua fazendo vítimas justamente porque não recebe a atenção devida. Segundo a IBM, em 2025, cada ataque bem-sucedido gerou um prejuízo médio de US$ 5,08 milhões, considerando não apenas o resgate, mas lucros cessantes, custos de recuperação e restauração de sistemas.
No Brasil, há ainda um risco legal adicional: ransomwares modernos costumam roubar os arquivos antes de criptografá-los. A ameaça de vazamento de dados sigilosos de clientes pode resultar em multas e processos com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), ampliando consideravelmente o prejuízo.
Risco real para empresas de todos os portes
Ao ver cifras milionárias, é natural imaginar que o ransomware mira apenas grandes corporações. Essa impressão é equivocada. Ataques são majoritariamente automatizados — robôs que varrem a internet em busca de brechas, sem distinção de porte, segmento ou localização.
Pequenas e médias empresas são alvos especialmente vulneráveis: costumam ter defesas mais frágeis, nenhum plano de contingência e, diante do desespero, tendem a pagar o resgate mais rapidamente. Pensar “sou pequeno demais para ser atacado” é exatamente o raciocínio que as torna alvos preferenciais.
Uma operação paralisada por semanas, a necessidade de refazer toda a infraestrutura e o investimento emergencial em segurança podem, simplesmente, encerrar as atividades de uma empresa.
Defesa especializada é o melhor caminho
Combater ransomware vai muito além de um antivírus comum. Exige planejamento robusto e profissionais especializados em segurança de TI. Alguns diferenciais que fazem a diferença:
Empresas com planos de resposta testados se recuperam em horas ou poucos dias. Sem planejamento, a média é de 156 dias para retomar a operação completa. Equipes especializadas treinam colaboradores para identificar tentativas de engenharia social — o elo mais fraco em qualquer cadeia de segurança. Backups isolados da rede principal garantem a recuperação dos dados mesmo após uma infecção.
Ferramentas como EDR (Endpoint Detection and Response) e XDR (Extended Detection and Response) monitoram dispositivos, redes e e-mails corporativos em tempo real, permitindo respostas automatizadas e eficazes contra ameaças cada vez mais sofisticadas — inclusive as que já utilizam Inteligência Artificial para se disseminar.
Por fim, em caso de vazamento de dados, uma equipe preparada assegura que evidências sejam preservadas e comunicadas corretamente à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), reduzindo a exposição jurídica da empresa.
Investir em segurança antes do incidente é sempre mais barato — e mais inteligente — do que remediar os danos depois.
* CEO | INOVIT. Empreendedor desde 1992, fundador da INOVIT (TI e segurança da informação), presidente da ASSESPRO-BA e investidor-anjo em startups. Autor do livro Inquebrável – Empresas quebram; pessoas, não e criador da mentoria REPROGRAME. | @renato.empreendedor | @inovit.ti