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"A ponte mudará o desenho da logística baiana", afirma presidente da Codeba

Ponte Salvador-Itaparica e canal de 17 metros: Antonio Gobbo detalha o futuro dos portos da Bahia

Cláudia Lessa

Por Cláudia Lessa

05/02/2026 - 5:50 h

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O diretor-presidente da Autoridade Portuária Federal – Codeba, Antonio Gobbo
O diretor-presidente da Autoridade Portuária Federal – Codeba, Antonio Gobbo -

Em entrevista ao Caderno Bairros - A TARDE, o diretor-presidente da Autoridade Portuária Federal – Codeba, Antonio Gobbo, fala sobre as expectativas com a Ponte Salvador-Itaparica em relação a setores como os de serviços, varejo e imobiliário corporativo e a atuação do órgão para viabilizar o tráfego marítimo com a construção do equipamento. O gestor aborda, ainda, a projeção de movimentação portuária este ano, entre outros assuntos.

Confira a entrevista completa

Quais os principais benefícios que o setor portuário estadual terá com a Ponte Salvador-Itaparica?

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"Considerando os mais de 4 milhões de pessoas diretamente impactadas pelo empreendimento e cerca de 5,4 milhões de habitantes nos 200 municípios na área de influência do novo sistema viário projetado, considero o projeto como um empreendimento emblemático, que mudará totalmente, e para melhor, o desenho estruturante da logística baiana.

Entre os benefícios que a ponte trará, cito a economia de tempo e recuperação de deseconomias com custos indiretos de transporte no contorno de Itaparica e na limitação do sistema de ferry-boats, além da incorporação de um novo vetor imobiliário de ocupação às margens do novo sistema viário.

Os benefícios para a competitividade do transporte de carga também podem ser significativos, o que permitiria aumentar a competitividade dos canais de acesso ao Porto de Salvador, através de uma nova rota de escoamento."

Dentro da atuação da Autoridade Portuária – Codeba relacionada à dragagem e canalização, o que já foi feito até o momento?

"A licitação para o aprofundamento do canal de acesso para 17 metros de profundidade está em etapa final de tramitação, com um ano de antecipação em relação ao cronograma original. Isso foi possível graças à estreita coordenação entre a Autoridade Portuária, o Governo do Estado e a Casa Civil da Presidência da República, além da Marinha do Brasil, a Praticagem da Bahia e o próprio Consórcio da Ponte, no sentido de ajustar condicionantes técnicas, estudos de manobrabilidade e ajustes no projeto do sistema viário e de mobilidade urbana.

Foi redefinida a geometria do canal de acesso para atender às condicionantes principais. Dependemos, agora, da tramitação do licenciamento ambiental da obra, pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), para lançar o edital. Além disso, a Autoridade Portuária também iniciou um processo de requalificação técnica do cais público para alargamento e aumento da profundidade, no mesmo sentido do aumento da capacidade operacional."

Em relação à Guarda Portuária, qual foi o investimento da Codeba?

"Investimos em equipamentos e treinamento para a Guarda Portuária, incluindo veículos, lanchas de patrulha e armamento e inauguramos, em dezembro, o Centro Integrado de Segurança Pública Portuária, no Porto de Aratu, o primeiro no país voltado à integração da Codeba e dos órgãos de segurança pública, além do Ibama e da PMBA (Polícia Militar da Bahia) não apenas pelo compartilhamento de técnicas de segurança, mas pela ampliação da prevenção e combate ao crime organizado nas áreas portuárias, a partir de uma ação articulada.

O espaço conta com auditório, sala de treinamento de defesa pessoal e estande de tiro. Este ano, também será implantado, no Porto de Salvador, o Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. Essas ações voltadas à segurança pública e combate ao crime organizado são parte da missão da Autoridade Portuária Federal - Codeba como instalação estratégica do Governo Federal."

Qual a expectativa da Codeba em relação à projeção de movimentação portuária neste ano?

"Os portos administrados pela Autoridade Portuária Federal – Codeba alcançaram, em 2024, o marco de mais de 13,7 milhões de toneladas em cargas movimentadas. Entre janeiro e novembro de 2025, os portos públicos baianos movimentaram quase 12 milhões. Com a consolidação dos dados anuais, este número deve aumentar. Já para o ano que se inicia, a nossa expectativa é de um incremento significativo dos índices gerais, principalmente o Porto de Aratu-Candeias, que passa a operar também graneis sólidos em larga escala, além dos tradicionais petroquímicos."

Com o anúncio recente do governo federal de um conjunto de obras de infraestrutura para o setor portuário, quais os investimentos atuais da Codeba?

"Estamos investindo em atualização tecnológica e transformação digital dos processos de gestão, em controles de segurança física e cibernética e em planejamento do tráfego marítimo na Baía de Todos-os-Santos.

O projeto já foi apresentado junto à diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha (DHN), em outubro, com o objetivo de obtermos autorização para a implantação do VTMIS (Real-time Traffic Monitoring), sistema que garantirá mais segurança náutica e maior fluidez nas operações executadas nos portos públicos e privados da Bahia, bem como nas áreas monitoradas pela companhia.

Esse sistema funciona como a torre de controle dos portos e a operação será executada juntamente com a Marinha do Brasil e compartilhada com outras forças de segurança. Outro investimento é o reforço da Segurança Portuária, com a aquisição de equipamentos, lanchas, armamentos, treinamento e capacitação com simulação embarcada, em parceria com a Polícia Federal, além de curso de Operador de Aeronaves Remotamente Pilotadas para uso de drones nas operações de segurança.

Além disso, a Bahia receberá US$ 2,5 bilhões de investimentos para descomissionamento plataformas e construção de novas embarcações. O envio de duas plataformas desativadas para descomissionamento na Bahia e a construção de novas embarcações no Estaleiro Enseada, em Maragojipe, prevê a geração de cerca de cinco mil empregos."

Que projetos de sustentabilidade ambiental foram abraçados pela Codeba?

"Um conjunto de ações de gestão de resíduos do Porto Organizado, vinculadas ao Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), é realizado sob a coordenação da Gerência de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho (GMAST) da Codeba, a exemplo da Operação Verão Porto Limpo e de ações permanentes de gestão ambiental nos portos da Bahia, como limpeza de praias, mutirões em áreas terrestres, campanhas de educação ambiental, ações de sensibilização sobre o descarte correto de resíduos, oficinas de compostagem e reaproveitamento, apoio a iniciativas comunitárias e parcerias com órgãos públicos e instituições locais.

Por meio do projeto Porto-Cidade, a Codeba realizou o estudo e iniciou a adequação na infraestrutura para a redução dos impactos ambientais e a promoção do desenvolvimento sustentável das populações que vivem no entorno dos portos. Outra iniciativa é o projeto de descarbonização e eletrificação dos cais, iniciado no Porto de Salvador, com a instalação de tomadas para abastecimento elétrico dos rebocadores que fazem as manobras dos navios.

Também será feito o mapeamento do potencial de captura de carbono da Baía de Todos-os-Santos, que será conduzido sob coordenação da Unesco. Cabe destacar que a Codeba adquiriu o certificado internacional I-REC (International Renewable Energy Certificate), que comprova a utilização de energia renovável nas operações portuárias durante o ano de 2024.

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