Arrizo 5 em versão elétrica

Publicado quarta-feira, 09 de outubro de 2019 às 12:15 h | Atualizado em 09/10/2019, 12:21 | Autor: Wagner Gonzalez | Foto: Divulgação

Tema recorrente no cotidiano do automóvel, o carro elétrico continua movimentando o mercado brasileiro, com a proposta de novos modelos e a vetorização direcionada a locadoras e frotistas. Foi com essa visão que a Caoa Chery apresentou o Arrizo 5e, modelo derivado diretamente da versão equipada com motor a combustão, que é montada no Brasil. As primeiras unidades do que a empresa classifica como o primeiro sedã elétrico do País chegarão montadas da China, até que os números justifiquem sua montagem por aqui.

O primeiro lote de importados será destinado a esses dois segmentos (locadoras e frotistas), mesma opção focada pela JAC para alguns dos seus produtos similares. O preço anunciado para o Arrizo 5e é de R$ 159.900, acima do JAC iEV40 (R$ 153.900) e do Renault Zoe R$ (R$ 149.900) e razoavelmente abaixo do Nissan Leaf (R$ 195.000).

Considerando as opções de veículos para quatro/cinco passageiros, o Arrizo 5e se encaixa perfeitamente entre o iEV40 e o Leaf. Em termos de desempenho, está mais próximo do Nissan e acima do JAC. Já em termos de funcionalidade, porém, a disputa é entre os compatriotas chineses: o acabamento de ambos é semelhante e confirma o progresso da indústria desse país.

Multimídia

Alguns detalhes, porém, ainda merecem atenção especial, em particular o revestimento externo do painel de instrumentos e da central multimídia de 10” instalada verticalmente. Ambos refletem demasiado a luz externa e dificultam a leitura das informações ali exibidas. Somado a isso, o fato que um automóvel elétrico implica interpretar dados novos, até mesmo inéditos, para o motorista comum, o problema toma dimensões maiores.

Investimento

Como se trata de um modelo derivado de outro projetado para usar motor a combustão, o 5e foi adaptado para receber um motor elétrico com potência de 90 kW ou 122 cv, e torque de 276 Nm (28,1 kgfm), alimentado por uma bateria com capacidade de carga de 53,5 kWh. Seu similar é equipado com um motor 1.5 turbo, flex de 150 cv e 19,4 kgfm. Dinamicamente, o Arrizo 5e demonstra vitalidade e comporta-se bem nas arrancadas e retomadas de velocidade.

Como as dimensões de comprimento, altura, largura e distância entre eixos permaneceram praticamente inalteradas, a localização das baterias de íons de lítio, no assoalho da parte traseira do veículo, gera a sensação de carro mais estável, algo reforçado pelo fato que a velocidade final do 5e é de 152 km/h, 38 km/h, abaixo do modelo que lhe deu origem. Essa percepção é destacada pelo peso extra das baterias e seus sistemas, fato que elevou o peso total em 172 kg e agora o modelo atinge 1.520 na balança, em ordem de marcha. Quem vai sentado no banco traseiro, porém, vai sentir isso na pele. O assoalho do compartimento traseiro ficou mais alto e força o passageiro desse assento a viajar com o incômodo de manter as pernas mais flexionadas.

Recarga

Um dos itens que demandam mais curiosidade em relação à compra e manutenção de um carro elétrico é a durabilidade e manutenção da sua bateria. A utilizada no Arrizo 5e é dividida em 22 módulos de quatro pares e dois módulos de cinco pares, o que, segundo o fabricante, permite solucionar mais facilmente eventuais problemas com o sistema de propulsão elétrico, que tem garantia de oito anos, contra três do restante do automóvel. O tempo de recarga estimado para uma carga rápida varia de uma hora, em eletropostos, a oito horas, quando conectado a um wallbox, uma caixa instalada junto à parede da garagem do proprietário. Um cabo específico para uso emergencial em tomadas de três pinos alonga esse período para até 20 horas.

A Caoa Chery aponta autonomia de 322 quilômetros, conforme medição do Inmetro. No carro avaliado por A TARDE Autos, porém, ao iniciar o percurso, essa autonomia superava 360 km. Andando no trânsito pesado de São Paulo a recuperação de energia era mais sensível e notada a velocidades de até 60 km/h. Na estrada, andando a ritmo próximo a 100 km/h, notou-se um intervalo de alguns segundos para sentir o efeito de freio regenerador.

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