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Chevrolet Opala: os bastidores de um ícone

Marco Antônio Jr. | A TARDE SP
Por Marco Antônio Jr. | A TARDE SP
| Atualizada em

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Opala é uma pedra preciosa brasileira, e seu nome representa na astrologia o mês de outubro
Opala é uma pedra preciosa brasileira, e seu nome representa na astrologia o mês de outubro -

O lendário Chevrolet Opala está prestes a completar 50 anos de lançamento. Sua história começou antes, porém, em 1966, no Clube Atlético Paulistano, em São Paulo, onde a General Motors do Brasil convocou a imprensa e afirmou que daria início ao Projeto 676. Seria um carro de passeio, em duas versões, para seis passageiros, com configuração básica e "de luxo", anunciou D. Martins, cuja gestão havia se iniciado em 1964 e ficaria marcada definitivamente pelos esforços para lançar o primeiro carro de passeio da Chevrolet.

Vale lembrar que em meados dos anos 1960, a Chevrolet tinha posição consolidada entre os utilitários que eram fabricados na unidade de São Caetano do Sul, arredores de São Paulo, desde 1925. Entre modelos que eram apenas montados aqui ou a linha nacional como a pick-up Chevrolet 3100, a versão furgão ou a perua Amazona, faltava um automóvel de passeio. A montadora estava bem atrasada, uma vez que havia integrado o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia) na gestão de Juscelino Kubitschek em 1956. Dez anos depois, tinha apenas uma linha de utilitários, enquanto marcas como a DKW-Vemag, Willys Overland, Puma, Fábrica Nacional de Motores (FNM) e também a Volkswagen já tinham posições consolidadas entre seus automóveis de passeio. A Ford anunciaria em breve o Ford Galaxie, um carro luxuoso de grande sucesso nos Estados Unidos, mas a linha GM aguardava novidades. Que vieram.

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No final de 1966, vários protótipos foram fotografados em São Paulo. Alguns modelos eram o full size Impala, exibindo suas belas lanternas arredondadas, outros eram modelos europeus de tamanho reduzido. O segredo foi muito bem guardado ao longo de 1967, ano em que o Galaxie roubou a cena. A decisão da General Motors, no entanto, estava tomada.

A ideia era lançar aqui um modelo híbrido, de porte médio, pois o Impala, apesar de fazer sucesso e ter bons índices de venda por aqui como modelo importado, era grande demais para os nossos padrões. Internamente, a Chevrolet usou o projeto do Opel Rekord C, que fazia sucesso desde 1953, para basear seu novo carro. Em 1967 vieram diversas unidades do carro para o Brasil, nas carrocerias sedã e cupê, mas seu visual arredondado nas laterais e com faróis quadrados seria seriamente modificado.

Imagem ilustrativa da imagem Chevrolet Opala: os bastidores de um ícone
| Foto: Divulgação
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Motor e design

Enquanto isso, a GM contratava o jovem, porém experiente, piloto Ciro Cayres, com 33 anos. Mesmo sem ser engenheiro formado, Cayres já tinha corrido em todas as principais competições em Interlagos com veículos como Maserati, Corvette, Romi-Isetta e chegou a ser piloto oficial da equipe Simca e depois Jolly com os automóveis da Alfa Romeo. Ciro Cayres colaborou ativamente para aprimorar o conjunto mecânico do Opala, embora a marca tenha optado pelo motor tradicional de seis cilindros em linha com 2.507 cm³ de 125 cv adotado pela linha de utilitários e pelos modelos europeus desde os anos 1950. A suspensão recebeu especial atenção, já que o conjunto do Rekord C era duro, ao estilo europeu, e Ciro recomendou a adoção de um conjunto mais confortável em virtude do posicionamento de mercado do novo carro.

O visual europeu foi aprimorado por David Clarke, que aplicou elementos de estilo de modelos mais modernos da linha Chevrolet usando como base a linha de carros dos Estados Unidos. A grade foi inspirada no Chevy Nova, e a traseira, nas belas lanternas do Impala. A lateral foi mantida quase intacta, enquanto o interior ganhou elementos arredondados de inspiração esportiva. A sugestão do piloto Ciro Cayres era que a Chevrolet tivesse um modelo esportivo, que viria a ser o modelo SS. Como a mecânica seis cilindros é bem robusta, bastaria uma mínima preparação de comando e alimentação, usando carburadores de corpo quádruplo, para que o carro pudesse voar nas pistas. Mas a orientação era que o Opala fosse um carro familiar e mais sóbrio, pelo menos de início. Em 1968 o carro já estava pronto e a adequação da rede de concessionários era o último passo. Mecânicos foram treinados, líderes de equipe receberam muita informação sobre o carro cujo nome era conhecido. Opala é uma pedra preciosa brasileira, e seu nome representa na astrologia o mês de outubro, quando ele foi lançado há 50 anos. A sequência da história é bem conhecida ao longo dos 23 anos seguintes.

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