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Demanda por peças de motos é crescente

Publicado quarta-feira, 08 de setembro de 2021 às 06:04 h | Atualizado em 07/09/2021, 21:26 | Autor: Lucia Camargo Nunes
Pandemia aumentou o uso de motos, impulsionando compras de peças e acessórios | Foto: Divulgação
Pandemia aumentou o uso de motos, impulsionando compras de peças e acessórios | Foto: Divulgação -
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Vários fatores contribuíram para o incremento das vendas e da utilização de motocicletas na pandemia. Trabalhar sobre duas rodas em serviços de delivery se tornou opção para um contingente enorme de trabalhadores. Ao mesmo tempo, muita gente adotou a moto como transporte econômico, na capital e interior, outros, decidiram se aventurar em viagens com o vento no rosto. Toda essa demanda aumentou a necessidade de manutenção e, consequentemente, a procura por peças.

O segmento aquecido reflete também no pós-vendas e nas motopeças. “A demanda no segmento de duas rodas cresceu muito com a pandemia. Acreditamos que vários fatores foram responsáveis. Sempre que há uma crise, percebe-se que a demanda por motos aumenta, devido ao custo do combustível. Quem usa o carro para ir ao trabalho, por exemplo, o troca pela moto”, avalia Érica Trosman, gerente de desenvolvimento de produtos da Laquila, uma das maiores distribuidoras de motopeças da América Latina, sediada no Paraná.

Frota de motos

Mas o aquecimento foi além da simples locomoção. “Houve também um grande aumento na frota de motoboys (entregadores), impulsionados pelos lockdowns e as medidas de restrições por causa da pandemia. Em grandes cidades, muitas motos rodaram 24 horas, trocando apenas o condutor. Isso gerou uma maior frequência de necessidade de manutenção, o que aqueceu ainda mais o setor de peças de reposição”, explica Érica. A expectativa da distribuidora é crescer na ordem de 45% este ano.

“Muitos dos profissionais que passaram a trabalhar para os apps de delivery optaram por adquirir uma moto nova, mas há uma grande parcela que investiu em peças, para potencializar sua moto de lazer ou fora de uso e transformá-la em instrumento de trabalho. Da mesma forma, os que já trabalhavam nessa função e os que compraram novas motos também buscaram nossos serviços, pois a alta demanda gerou uma necessidade mais constante de manutenção”, afirma a gerente de suporte comercial da Laquila, Iael Trosman.

Entre as peças no aftermarket de maior demanda estão pistões, anéis, kits de transmissão e pneus. Por diversos motivos, como valorização cambial, redução da oferta e aumento de custos, os preços dos componentes importados subiram em torno de 15% e os nacionais, 20%. Outra consequência deste cenário é a falta de alguns produtos.

Relatório produzido pelo Mercado Livre aponta que a intenção de compra de motocicletas novas aumentou 36% em maio, em relação ao mesmo período em 2020. A plataforma mede a intenção de compra registrando quando os usuários iniciam uma interação ou fazem contato direto com o vendedor.

De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), analisados pela associação do setor, a Abraciclo, o número de pessoas habilitadas para este tipo de veículo cresceu 17,5% nos últimos cinco anos.

O principal motivo para a compra de uma motocicleta em 2020 foi a locomoção (91%). Em segundo lugar, o lazer (66%), seguido pelo trabalho (15%). Devido à pandemia, muitas pessoas passaram a utilizar a motocicleta para evitar o transporte público e suas aglomerações.

Com apenas três anos no mercado, a Bravic, sediada em Salvador, é uma distribuidora que fornece motopeças para lojistas e oficinas. Seu portfólio com aproximadamente 1.500 itens inclui amortecedores, discos de freio, kits de transmissão, motor de partida e painel completo de motos, entre outros. A sua estrutura é voltada para atender a todo o Nordeste e, em breve, o território nacional.

O gerente geral da Bravic, George Almeida, explica que muita gente que estava desempregada em 2020, ou trabalhava no transporte por aplicativo, migrou para as entregas por motos. “Com isso tudo aqueceu. Desde motos usadas, peças etc. No ano passado, quem tinha estoque se deu bem, vendeu, porque a China parou. As empresas zeraram seus estoques. Este ano ainda está um pouco aquecido, mas estamos sofrendo com o alto valor do frete marítimo”, avalia Almeida.

Entre os componentes mais afetados, ele conta que pneus (nacionais) a empresa recebeu após um ano do pedido. “Recebemos muitas peças agora após seis meses, mas tudo estava faltando. Teve época que faltou câmara de ar, derivada da borracha”.

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