Motos elétricas chegam ao mercado local, apesar da escassez de pontos de recarga

Publicado quarta-feira, 16 de junho de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 15/06/2021, 20:04 | Autor: Lucia Camargo Nunes, de São Paulo

Ainda sem representação das grandes marcas no país, o segmento de motos elétricas cresce e ganha cada vez mais as ruas. Uma das marcas mais consolidadas do país nasceu em Recife (PE) e acaba de receber um importante investimento para expandir seus negócios.

A Voltz trouxe para o mercado a primeira scooter elétrica produzida no Brasil, a EV1, em novembro de 2019. Trouxe novos modelos e atualmente contabiliza mais de 4 mil motos vendidas, todas elétricas. Além de duas lojas-conceito, em São Paulo e Recife, possui mais de 30 filiais espalhadas pelo país. Para 2021, o objetivo da companhia é multiplicar cinco vezes sua receita operacional. A Voltz anunciou recentemente que recebeu um aporte de R$ 100 milhões em uma rodada de investimentos liderada pela Creditas, plataforma digital de crédito e soluções financeiras, e também com participação do UVC Investimentos, fundo de Venture Capital do Grupo Ultra.

“Com o aporte, podemos executar planos essenciais para alavancar o crescimento da Voltz, como melhorar nossa cadeia de suprimentos, com o início da produção em larga escala no Brasil, inauguração de lojas-conceito em diversas localizações estratégicas, lançamentos de novos modelos e projetos de conectividade que redefinirão a mobilidade de duas rodas”, afirma Renato Villar, fundador da empresa.

Do total investido, a Creditas contribuiu com R$ 95 milhões. “O papel do crédito na venda de veículos, principalmente motocicletas, é importante no Brasil, e, por isso, iremos atuar também nessa demanda junto com a Voltz”, disse Sergio Furio, fundador e CEO da Creditas.

O investimento do UVC, de R$ 5 milhões, é a aposta em uma startup promissora com um produto que gera menor impacto no meio ambiente. Esse valor possibilita ainda parcerias com os negócios do grupo, como showrooms pop-up e estações de troca de bateria nos postos Ipiranga.

Fábrica em Manaus

A Voltz vai direcionar parte desses recursos para a instalação de uma fábrica no Polo Industrial de Manaus (PIM), que deve começar ainda neste ano e concentrará toda a produção e montagem das motos elétricas. O investimento inicial será de mais de R$ 10 milhões e a capacidade anual de partida de produção da fábrica será de aproximadamente 15 mil veículos/mês. A expectativa é gerar 500 empregos.

Além do seu público cativo, que utiliza o transporte para uso pessoal, a Voltz observa no crescimento do delivery uma oportunidade para ampliar seus negócios e planeja entrar no segmento com uma versão de trabalho, a EVS Work, que deve chegar ao mercado até setembro.

“A EVS pode ser totalmente controlada por aplicativo de celular, além de possuir um smart controller programado para enviar dados para a nuvem da Voltz. O veículo é a nossa grande aposta para a mobilidade do futuro”, explica Villar.

Na Bahia

A marca tem planos para abrir 12 lojas-conceito nas capitais brasileiras até o fim de 2021. Salvador será a próxima no Nordeste, com previsão de inauguração no segundo semestre. “A Voltz enxerga um enorme potencial no mercado baiano. Por isso, teremos loja própria em Salvador, que deve ser inaugurada até outubro de 2021. No interior, vamos atuar 100% com showrooms parceiros”, afirma Villar.

De acordo com o CEO, estatisticamente, apesar da moto elétrica quebrar dez vezes menos do que uma convencional, a Voltz possui assistências credenciadas pelo país. Basta solicitar o problema pelo aplicativo e em algum lugar próximo o cliente será atendido.

Modelos

Nas duas lojas-conceito e showrooms, os clientes podem testar seus produtos e conhecer sobre os veículos elétricos. As vendas são feitas exclusivamente por canais digitais, em que o consumidor seleciona o produto e configurações que deseja e efetua o pagamento. Depois, basta esperar que o produto seja entregue em casa.

Todos os veículos podem ser equipados com até duas baterias para aumentar a autonomia. Em seu portfólio, a Voltz conta com a scooter EV1, que atinge 60 km/h de velocidade e possui 60 km de autonomia (com 1 bateria) ou 100 km (com 2 baterias). A versão 2021 parte de R$ 11.490. Sua evolução, a EV1 Sport, que custa a partir de R$ 12.990, chega a 75 km/h de máxima e oferece autonomia de 100 km (1 bateria) a 180 km (2 baterias).

Já a moto elétrica EVS é uma street a partir de R$ 17.490. Chega até 120 km/h de máxima e possui autonomia de 120 km (1 bateria) a 180 km (2 baterias). As baterias das scooters e moto Voltz são portáteis e podem ser carregadas em qualquer tomada. A carga completa de uma bateria costuma levar até 5 horas.

Outras marcas

Por enquanto, elas chegam em silêncio, mas grandes cidades como Salvador começam a receber aos poucos esse tipo de veículo, que se destaca por rodar sem barulho e ser limpo, sem emissão de poluentes. Os preços ainda são altos, mas o aumento de volume pode, com o tempo, torná-los mais acessíveis.

Quem está na Bahia é a Bee Green Motos Elétricas, que possui uma revenda autorizada no Porto da Barra. A marca sediada em São Paulo comercializa desde patinetes elétricos (o piloto vai sentado, mas não requer emplacamento) da marca Gloov, além de motos e scooters elétricas de diversas marcas.

Um de seus destaques é a Super Soco TC de estilo de design Café Racer, que roda até 80 km de autonomia e atinge 75 km/h de velocidade máxima. Seu preço é de R$ 21.990.

Pelo Brasil

A MS Eletric fica em Uberlândia (MG) e informa vender para todo o país. Há planos, embora sem previsão, de abrir uma loja em Salvador. Em seu catálogo há veículos de micromobilidade (não requer CNH) e entre os que devem ser emplacados estão a scooter City 2000, que roda até 55 km e atinge 50 km/h por R$ 12.990, até uma moto off-road Cross X que custa R$ 16.990, que chega a 80 km/h e tem autonomia de 55 km.

Já a GWS, de Campinas, interior de São Paulo, desenvolve e homologa aqui scooters e motos elétricas da China e distribui por todo o país. O portfólio vai da scooter K2000DL (roda até 150 h e chega à velocidade máxima de 110 km/h) a R$ 26.800 (ano 2019) a um modelo mais esportivo como o K14 RS (máxima de 170 km/h e autonomia de 150 km), que custa R$ 83.500 (também 2019).

De acordo com o CEO da GWS, Klaus Werner Goede, não há representação na Bahia e as vendas são online. Quanto à assistência técnica, ele informa que a manutenção da moto é muito mais simples do que os modelos a combustão, e que não há revisões preventivas nem corretivas.

De Santa Catarina, a fabricante de artigos de surfe Mormaii anunciou recentemente o lançamento da marca Mormaii e-motors, que vai produzir no Brasil e importar cinco opções de bikes elétricas e três de motos elétricas. Os produtos contam com garantia de fábrica de seis meses, seguro gratuito por 90 dias, podendo renovar por maior período, assistência técnica em todas as regiões do Brasil e entrega nacional por vendas online e em lojas especializadas. O modelo Naja R2, no estilo chopper, por exemplo, roda até 55 km e custa R$ 14.990

A primeira Mormaii e-motors Concept foi lançada em fevereiro na principal avenida que liga Balneário Camboriú a Itajaí. Até o final de 2022, a marca pretende expandir a rede própria de lojas conceito para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Recarga

Julio Câmara, professor de engenharia mecânica do Senai Cimatec, afirma que a manutenção de um veículo elétrico é mais simplificada, porém, se não tiver uma assistência técnica próxima de sua localização, deverá levar a moto a uma oficina não autorizada.

É preciso também verificar as condições da garantia da moto. “A pessoa precisa avaliar o custo-benefício disso, se vale a pena abrir mão da assistência enquanto não tiver uma rede estabelecida”, esclarece.

Quanto ao produto, Câmara diz que: “Elas têm uma vocação urbana e é preciso saber sua autonomia. Se for sair de Salvador terá limitações. Mas para a cidade é perfeita”, ressalta o professor do Cimatec.

Câmara aponta desafios em relação a recarga. “O consumidor vai precisar ter um local, e como faz se mora em prédio? O condomínio permite o uso da tomada? No futuro próximo, prédios terão eletropostos. Mas agora não, então ele vai encontrar essa dificuldade”, pondera.

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