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Não caia no Golpe

Publicado quinta-feira, 13 de setembro de 2018 às 11:27 h | Atualizado em 12/09/2018, 12:07 | Autor: Henrique Almeida e Lhays Feliciano
Estelionatários usam nomes de lojas reais e solicitam aos clientes um sinal de garantia
Estelionatários usam nomes de lojas reais e solicitam aos clientes um sinal de garantia -
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Nos últimos três meses, o número de casos de golpe de preços baixos para veículos seminovos intensificou-se na capital baiana. De acordo com a presidente da associação de revendedores de seminovos da Bahia (Assoveba), Daniela Peres, foram, pelo menos, 100 casos entre tentativas e golpes efetivados no período citado.

No entanto, o fato não é novo, segundo o delegado da 12ª Delegacia da Polícia Civil, Nilton Tormes. A ação dos estelionatários já data de pelo menos dez anos, mas intensificada nos últimos meses. Atraídos pelos preços abaixo do mercado, os interessados na compra dos veículos caem na própria ansiedade e na falta de informação sobre o negociador.

Daniela explica que o golpe é realizado da seguinte forma: o estelionatário se apropria de um anúncio na internet sobre a venda de um veículo e troca as informações de contato adicionando as próprias, além disso, geralmente, adiciona fotos de uma determinada loja revendedora de seminovos para passar credibilidade à oferta.

Quando contatado, o estelionatário pede um "sinal de garantia", ou seja, sob a alegação de grande procura pelo veículo, pede que a vítima faça um pagamento inicial na conta física indicada. Efetuado, o estelionatário adquire o dinheiro e encerra as negociações.

"Geralmente, eles (os estelionatários) ofertam um preço de R$ 5 mil a R$ 10 mil abaixo do preço de mercado. As pessoas não se informam sobre com quem estão negociando, não exigem o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) e depositam o dinheiro em uma conta física, o que não se deve fazer", alerta Peres. Ela ainda acrescenta que o processo de busca de um veículo, em geral, começa na internet, mas não deve terminar nesse ambiente. "É preciso ter contato com o carro e conhecer pessoalmente o lojista ou particular com quem se está negociando. Também é importante pesquisar a média do preço do carro que se deseja adquirir e comparar com o ofertado", diz a presidente da Assoveba.

Atualmente, a associação conta com cerca de 300 lojas de revenda de seminovos. Como uma das formas de se prevenir do golpe, alguns lojistas realizam, diariamente, pesquisa na internet, para observar se existe alguma oferta falsa no nome da empresa. Mário Silveira, representante da loja Mário Veículos, conta que o estelionatário usa perfis comerciais falsos no WhatsApp (aplicativo de mensagens) e induz as vítimas a realizarem o pagamento, mostrando cópias de CNPJ de determinada loja.

O próprio Mário entrou em contato com um dos golpistas, ao descobrir que havia um estelionatário usando um perfil falso da loja. Nas mensagens de texto, o suposto vendedor admite a fraude. "Posso parar com isso. Você vai me dar quanto? Porque estou ganhando muito bem com sua loja", diz uma das mensagens. Ele ainda alerta que a maior parte dos casos ocorre no site de vendas OLX.

Contatada, a empresa informou, por meio da assessoria, que "lamenta o ocorrido e esclarece que seus representantes estão acompanhando de perto as histórias de que tomou conhecimento, inclusive visitando os lojistas afetados em busca da melhor resolução para os casos. A OLX recomenda que os compradores possivelmente lesados registrem um boletim de ocorrência".

A TARDE não conseguiu relato das vítimas contatadas, mesmo sob a promessa de não identificação das fontes.

Mediador

O delegado Nilton Tormes ainda explica que existe um outro tipo de golpe, onde o estelionatário atua como mediador da venda. Nesse caso, ele entra em contato com determinado anunciante de um veículo e, ao mesmo tempo, entra em contato com algum interessado. Sem maiores detalhes de negociação, ele não barganha o preço anunciado e com o comprador promete vender por menos do que o indicado.

Induzido pela falsa possibilidade de economia, a vítima deposita o valor na conta física do intermediador. Tormes destaca que o golpe não atinge somente pessoas com baixa escolaridade ou menos esclarecidas. "Eu tive o caso de um médico que caiu no golpe. O carro que ele tinha interesse custava cerca de R$ 83 mil no mercado. O valor que o estelionatário ofertava era R$ 20 mil a menos. Ele, na ânsia por economizar, não pesquisou e caiu no golpe", lembra o delegado.

Ele destaca que mais investigações estão em curso e que já houve prisão realizada. "Na maioria das vezes, as vítimas se permitem ludibriar. Elas não verificam o estabelecimento comercial, não checam o veículo e não têm contato pessoal com o proprietário. Precisamos informar a população, para que se certifique e faça o negócio com o máximo de garantias. E não se deixar enganar, não se deixar ludibriar pela falsa vantagem", alerta o delegado.

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