DISPUTA ACIRRADA
Tesla tropeça em 2025 e perde liderança para rival chinesa BYD
Enquanto a Tesla enfrentava dificuldades, a BYD avançou de forma expressiva

Por Edvaldo Sales

A fabricante de veículos Tesla encerrou 2025 com retração nas vendas e deixou de ocupar a liderança global no mercado de veículos elétricos. A empresa norte-americana registrou uma queda de 9% nas entregas ao longo do ano, desempenho que marcou o segundo recuo anual consecutivo e abriu espaço para a chinesa BYD assumir a primeira posição no ranking mundial.
No último trimestre do ano, a Tesla entregou 418.227 veículos, volume 16% inferior ao registrado no mesmo período de 2024. Com isso, o total anual ficou em aproximadamente 1,64 milhão de unidades — número abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pela FactSet projetavam cerca de 449 mil entregas apenas no quarto trimestre.
Em parte, o resultado fraco reflete mudanças no ambiente de consumo nos Estados Unidos. O fim do crédito fiscal federal de US$ 7,5 mil para veículos elétricos, encerrado em setembro, reduziu o apelo dos modelos da marca. No trimestre anterior, a empresa havia se beneficiado de uma corrida de consumidores interessados em aproveitar o incentivo antes do prazo final, movimento que não se repetiu no fim do ano.
BYD avança expressivamente
Enquanto a Tesla enfrentava dificuldades, a BYD avançou de forma expressiva. A montadora chinesa informou a venda de 2,26 milhões de veículos elétricos a bateria em 2025, crescimento de 28% em relação ao ano anterior. O desempenho impulsionou as ações da empresa em Hong Kong, que fecharam em alta de 3,6%. A BYD não atua no mercado norte-americano, mas vem consolidando sua presença na Ásia e em outras regiões.
Segundo especialistas, a demanda por carros elétricos nos EUA ainda passará por um período de ajuste após o fim dos subsídios, o que pode pressionar as vendas no curto prazo. Além disso, a Tesla já vinha enfrentando obstáculos em mercados estratégicos, incluindo reações negativas de consumidores ao posicionamento político de Elon Musk e ao seu apoio a figuras ligadas à extrema-direita.
Cenário competitivo
O cenário competitivo também se intensificou. Além da BYD, a Tesla disputa espaço com montadoras chinesas como Geely e Leap Motion, que têm ampliado rapidamente sua produção, e com fabricantes europeias tradicionais. A Geely, por exemplo, elevou sua produção de elétricos em 39% no último ano, enquanto a Leap Motion atingiu antecipadamente a meta de 500 mil veículos e já projeta alcançar um milhão de unidades em 2026.
Internamente, 2025 foi um ano turbulento para a Tesla. Musk assumiu um papel controverso no governo dos Estados Unidos ao chefiar o Departamento de Eficiência Governamental, o que provocou protestos de revendedores e impacto nas vendas. Ainda assim, o executivo manteve discurso otimista, destacando projetos futuros como robotáxis, o Cybercab sem volante e os robôs humanoides Optimus. Apesar das apostas em novas frentes, a venda de automóveis segue como principal fonte de receita da empresa, representando cerca de 75% do faturamento.
Na tentativa de estimular a demanda, a Tesla lançou em outubro versões mais acessíveis do sedan Model 3 e do SUV Model Y. Mesmo com a estratégia, dados do setor indicam que as vendas nos Estados Unidos recuaram nos dois primeiros meses do último trimestre.
Além disso, a companhia informou crescimento de 49% no segmento de energia, um dos poucos pontos positivos do balanço. Em novembro, os acionistas aprovaram um novo pacote de remuneração para Musk, que poderá torná-lo trilionário caso a Tesla atinja um valor de mercado de US$ 8,5 trilhões e cumpra metas financeiras e operacionais ambiciosas.
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