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Velar é um SUV por excelência

Por Marco Antônio Jr. | A TARDE SP
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Na mitologia grega, Hefesto é o cultuado deus dos metais. A armadura de Aquiles, o elmo alado e as sandálias de Hermes, o arco e flecha de Eros, entre outros itens, teriam sido forjados à perfeição por Hefesto. A mesma beleza útil da era grega se aplica ao Range Rover Velar, que visto de longe parece ainda, após um ano de seu lançamento no Brasil, um carro-conceito.
A delicadeza das maçanetas retráteis e a leveza com que acelera parecem ignorar princípios físicos tal qual a carruagem de Helio, capaz de viajar o planeta. Assim, o Land Rover Velar impressiona em todos os sentidos, como em suas dimensões generosas, que incluem 2,87 m de entre-eixos, 4,80 m de comprimento e 2,14 m de largura.
O motor 3.0 V6 de 380 cv assume uma postura dócil que não nega qualquer aventura, DNA de um Land Rover. Entrega potência à medida, e com o controle adaptativo ajusta a altura e o comportamento da suspensão conforme o tipo de terreno, com ângulo de ataque digno de um off-road.
Clássico
Suas linhas angulosas estão longe de qualquer desenho asiático ou estilo datado dos modelos franceses. Vanguardista, os "ombros largos" são destaque bem calçados com pneus Scorpion aro 22. A dianteira é menos impressionante que a traseira, que vista de longe relembra o Jaguar F-Pace, do qual compartilha plataforma.
Por dentro, os blocos do painel, formando ângulo de 45 graus, são fruto de um design cuidadoso. Três telas, uma à frente do volante e duas no console, trazem informações sobre o veículo, tração do sistema Terrain Response 2, climatização e entretenimento, com destaque para o sol Meridian 825 W com telas e alto-falantes que têm a silhueta da bandeira inglesa. O couro Windsor, presente nos bancos com aquecimento, resfriamento e até massageadores para motorista e passageiros, completa o conjunto deste lorde inglês, que tem teto em Alcântara preto de fino toque. A elegância segue presente no grafismo equilibrado dos mostradores intuitivos, mas que podem distrair os motoristas com tantos comandos.

Os detalhes do Velar surpreendem sem excesso e poderiam permitir que Hefesto chamasse sua criação metálica de obra-prima, antecipando a essência romana séculos à frente. O Velar não está tão à frente assim, mas certamente é um dos melhores em sua classe e tem um pouco de futuro, também pela leveza graças ao alumínio, presente em 80% da construção do utilitário esportivo de fato.
O único senão neste legítimo crossover levado a máxima potência é realmente acostumar-se com o que ele é capaz. Se ele couber no seu orçamento, é uma pedida que em nada irá gerar frustração. Pelo contrário, Hefesto ficaria feliz com a escolha e a família toda também.

A origem de um conceito
Nomeado por um dos engenheiros que o projetaram, de ascendência espanhola, Velar significa algo como "guardar segredo". O nome surgiu em 1969, quando a British Leyland, dona da Land Rover à época, mostrou um veículo familiar 4x4, sisudo mas com acabamento caprichado para a época, com vidros amplos e um desenho considerado de vanguarda.
Com motor 3.5 V8 de módicos 130 cv e câmbio manual, exibia torque agradável especialmente em baixa rotação com mínima aderência e chegou ao mercado explorando o nome Range Rover cuja geração seguiu por 25 anos.

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