Ações de vandalismo chegam a 600 ocorrências no primeiro semestre de 2022

Entre janeiro e maio deste ano, a Semop já gastou R$ 750 mil para a reposição de material

Publicado sábado, 06 de agosto de 2022 às 05:00 h | Atualizado em 05/08/2022, 23:48 | Autor: Antonio Dilson Neto*
Funcionário da Embasa realizando conserto da via e fazendo reposição da tampa do bueiro que tinha sido roubada na avenida San Martin
Funcionário da Embasa realizando conserto da via e fazendo reposição da tampa do bueiro que tinha sido roubada na avenida San Martin -

Entre janeiro e maio deste ano a Diretoria de Iluminação e Serviços Públicos (Dsip), vinculada à Secretaria de Ordem Pública (Semop), já gastou R$ 750 mil para reposição de material furtado ou manutenção de equipamentos danificados por vândalos na capital baiana. Somente no primeiro semestre, foram registradas 600 ocorrências de vandalismo, sendo os lugares com maiores números de casos: Acesso Norte, Avenida ACM e Avenida Luis Viana Filho.

Com o furto de fios e cabos e as demais ações, os prejuízos para as empresas são grandes, mas a população também sofre com interrupção ou dificuldades em serviços essenciais, como metrô e iluminação pública. 

Segundo a CCR Metrô Bahia, os dados referentes a casos de roubos que impactaram a operação em 2022 ainda estão sendo consolidados, mas estimativas apontam que só no primeiro semestre os casos já somam maior número que todo o ano passado. Em 2021, foram 106 ocorrências.

“Há uma série de impactos para a concessionária, que incluem custo e tempo de manutenção e reparo que foi furtado ou vandalizado mas, o maior impacto quem percebe são os usuários, na utilização dos serviços”, diz Leonardo Balbino, gerente executivo de atendimento e operação da CCR Metrô Bahia. 

Segundo o gerente, muitas vezes as ações não são percebidas diretamente pela população, mas têm um custo operacional. “Muitas vezes, quando os cabos são furtados, eles interrompem algum sistema de monitoramento ou sinalização, escadas rolantes ou elevadores. Em casos mais graves, o metrô opera em capacidade reduzida, por segurança até o reparo que, muitas vezes, não pode ser feito durante a operação dos trens, só ao fim do dia. O impacto é muito grande”, afirma. Cerca de 

R$ 5 milhões foram investidos pela CCR em soluções preventivas e corretivas.

Segurança Pública

O delegado Arthur Gallas, diretor do Departamento de Crimes contra o Patrimônio, explica que não adianta combater apenas quem comete o furto, mas entender a dinâmica por trás da ação. “Essas ações acontecem em toda a cidade, principalmente em locais próximos a espaços de revenda de sucata, que fazem a compra desse material furtado. É um sistema todo interligado. As pequenas sucatas arrecadam os materiais e passam para empresas maiores, intermediárias que já processam esses materiais de forma mais industrializada e revendem para siderúrgicas, para que possam derreter e fabricar cabo de novo. É preciso quebrar essa cadeia”, afirma.

Gallas registra que foi montado um grupo de trabalho para combater as ações de furto em todos os níveis do processo. “A Secretaria de Segurança Pública montou a operação chamada Metallis, que significa metal em latim. Estão envolvidas instituições como Polícia Militar, Polícia Técnica, Corpo de Bombeiros, e as empresas que são prejudicadas de alguma forma. Já tivemos uma ação de levantamento dessas empresas que compram o material e agora teremos a parte permanente de combate efetivo, para quebrar a cadeia. Atuar simplesmente em cima do cidadão que está em situação de vulnerabilidade cometendo aquele pequeno furto não resolveria o grande problema”. 

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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