SALVADOR
Após dois anos de pausa, Alvorada dos Ojás retorna

Depois de um ano sem acontecer em Salvador por causa da pandemia de Covid-19, a tradicional Alvorada dos Ojás foi celebrada nesta sexta-feira, 19, em sua 15º edição. Ela foi sediada no Terreiro da Casa Branca, considerada a casa matriz do candomblé ketu do Brasil. A cerimônia no templo teve como homenageado o orixá Oxóssi, rei das matas e provedor do alimento através da caça.
A Alvorada é uma atividade político-religiosa que acontece há 15 anos, realizada pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN). O intuito é pedir paz, equilíbrio, combate as injustiças, discursos de ódio e desenvolver o diálogo sobre respeito inter-religioso. Os Ojás, tecidos brancos sagrados, são utilizados nas cabeças dos fiéis de matriz-africana e também amarrados nas árvores.
Ontem, com um número de pessoas reduzido por causa da pandemia, às 18h, houve um diálogo no terreiro para falar da importância de todos estarem juntos. Após a sacralização dos panos, às 20h, todos puderam ir ao Dique do Tororó e Campo Grande vestidos de branco, em premissa a Oxalá, para amarrar os Ojás em todas as árvores daquele espaço.
“Nós do candomblé acreditamos que sem as árvores não tem vida, por isso nós amarramos os Ojás nelas. Tem um ditado que diz que sem as folhas não tem orixá. É algo sagrado e vital que nos conecta com as energias da terra e com o ar. Nos garante o alimento e carregam histórias que ultrapassam a nossa existência. As árvores tem muito a nos ensinar com potencialidade e ancestralidade”, explicou Marcos Rezende, fundador e membro da direção do CEN.
A Iyalorixá da Casa Branca, Mãe Neuza de Xangô, comentou sobre a escolha do terreiro para sediar a Alvorada em 2021. “Quem nos deu o terreno para Xangô construir nossa cumeeira foi Oxóssi, então por conta da fome no mundo e também por sermos regidos por ele [o oxirá homenageado provedor do alimento] fizemos isso. Ficamos felizes em abrir nossas portas”.
Mãe Neuza destacou a importância de eventos assim para promover também o respeito com o candomblé que sofre muita intolerância. “Precisamos continuar nossa luta, nossa resistência. Quanto mais as pessoas pensarem em nos podar, a nossa força fica maior. Que Oxóssi nunca deixe faltar alimento nas nossas mesas e que possamos sempre poder ajudar nossos irmãos que não tem nada”, afirmou.
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