SALVADOR
"Canteiros Coletivos" recupera áreas verdes

Os grandes olhos castanhos de Débora Didonê, 34 anos, brilham ao falar do seu projeto Canteiros Coletivos. Em atividade desde fevereiro do ano passado, a iniciativa visa recuperar áreas verdes públicas abandonadas, por meio da limpeza e do plantio de árvores, plantas e flores.
"Queremos ver áreas urbanas mais agradáveis e fazer as pessoas se sentirem felizes e saudáveis", conta. O início foi a partir de discussões nas redes sociais, em 2011, quando Débora chegou a Salvador.
Gaúcha, ela adotou a capital baiana após uma temporada em Joinville (SC). Antes, morou em São Paulo e, depois de oito anos, se cansou da vida corrida. "Aqui, lugares de passagem se transformam em locais para lixo, entulho e ficam abandonados. Passam a ser refúgio para assaltos e todo tipo de violência".
Início - A mobilização virtual surtiu efeito na vida real. "Quando vi grupos mobilizados para fazer algo pela cidade, fiquei animada e joguei a ideia. Do virtual foi para o real muito rápido", afirma. Estava plantada a primeira semente.
Até agora, foram realizadas intervenções no Parque Solar Boa Vista (Brotas), Vale do Canela (ao lado da Universidade Federal da Bahia - Ufba), Terreiro do Gantois (Federação), no bairro de Valéria, além do Rio Vermelho, na praça ao lado da Igreja de Santana.
Para as atividades - que vão desde a identificação do local a ser recuperado, passando pela limpeza, plantio das mudas e manutenção -, Débora conta com 30 voluntários fixos. Não é preciso saber sobre plantas, basta ter vontade.
"No grupo tem engenheiro florestal, biólogo, geógrafo, tem gente que entende de jardinagem, mas essas pessoas chegam naturalmente e vão compartilhando seus conhecimentos. Vamos aprendendo juntos", ressalva ela, que é formada em jornalismo.
Encontros - Semanalmente, toda quarta-feira, às 19h, no Ciranda Café (Rio Vermelho), acontece um encontro para planejamento e avaliação das ações - que, normalmente, são realizadas aos fins de semana.
A recuperação ambiental dos espaços abandonados, no entanto, não é o resultado final do trabalho dos Canteiros Coletivos. Um dos propósitos é também tornar as praças locais de convivência. "Você tem que dar um significado para o espaço. Que se crie uma feira de artesanato periódica, uma área de lazer para pais e filhos, um ponto de leitura, uma horta comunitária".
Para Débora Didonê, em maior escala, a essência do projeto é o resgate do indivíduo como cidadão. "Quando você se impõe como cidadão que fiscaliza, opina, faz projetos, dialoga com o poder público, você está formando políticos que se entendem como gestores públicos. Mas a gente sabe que nossas ações são pontuais e simbólicas".
A jornalista conta que já foi procurada pela prefeitura para um diálogo. "Eles querem entender o que a gente faz e como nos apoiar. Porque percebem isso como uma demanda dos moradores".
As ações são financiadas pelos próprios membros. "A gente faz mutirão. Recebemos doação de pessoas físicas e de empresas, mas se a gente conseguir um aporte financeiro, vai facilitar muito".
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