SALVADOR
Confira entrevista com Ricardo Guimarães

As empresas precisam se adaptar com velocidade na sociedade atual. A frase é de Ricardo Guimarães, presidente da consultoria de marcas Thymus e palestrante da terceira edição do A TARDE Meetings, evento promovido pelo Grupo A TARDE nesta quinta, dia 30. Durante o encontro, ele concedeu entrevista à nossa reportagem. Confira:
A TARDE - Nesta transição da sociedade industrial para a sociedade de informação como as empresas devem atuar?
Ricardo Guimarães - A principal virtude de uma empresa hoje é a adaptabilidade, e uma velocidade suficiente que dê a capacidade de ele participar e liderar no cenário e que ele se adapta. É o famoso time to market!
AT - As empresas, no Brasil, têm conseguido acompanhar esta evolução?
RG – Na realidade, não é só no Brasil, esta competência de adaptabilidade é uma demanda da época, não de um lugar, de um País, não só para as corporações, mas para as pessoas. Como é que você vive em tempo real? Tempo real, hoje, significa transparência. O que a imprensa sempre fez? Ela tem o fato e tem um tempo para divulgar o fato. É o bastidor, quando é possível dar uma manipuladinha para você sair bem quando for divulgada a informação. No tempo real, não existe este tempo entre o fato e a informação. Nesta hora, você tem que estar apto para a qualquer momento, se expor. Então transparência não é mais uma preocupação, não é mais uma virtude.
AT - A preocupação com a imagem é um reflexo desta demanda?
RG – A imagem se constrói com a identidade e não apenas com comunicação. Por isso que comunicação passa a ser exercício de identidade. Quer dizer, tudo que você faz, está dizendo ao mundo o que você é. Desde a roupa que você veste, a maneira como você se porta, como você fala. Aliás, as pessoas acreditam muito mais quando você não está falando, quando ela está te analisando.
AT - Como devem se comportar as empresas neste período de transição?
RG – O maior desafio é deixar de se comportar como máquinas. A gente sempre teve um sonho de que a empresa funcionasse como um relógio, tudo mecanizado, tudo pormenorizado, as pessoas como peças da engrenagem. E esse comportamento, neste ambiente tumultuado, turbulento, a máquina quebra aos pedaços. É preciso que a empresa se comporte como um sistema vivo, que seja plástico, flexível, permeável. A empresa não é uma máquina isolada, ela interage com um ecossistema completo. Ela tem que vender, que oferecer emprego, tem que sobreviver. E a velocidade desta empresa se adaptar depende também da velocidade do ecossistema. Por exemplo, se ela tiver uma cadeia de fornecedores lenta, se a cadeia dela não for inovadora, ela não terá força competitiva para chegar ao mercado.
AT - Em relação a atual conjuntura internacional, de crise. Poderá ser uma oportunidade para algumas empresas?
RG - É uma oportunidade fantástica. Quem são as pessoas capazes de reconhecer a realidade como de fato ela se apresenta, de fazer um diagnóstico. A crise é uma realidade complexa, interdependente, que muda muito rápido e que estava sendo gerenciada por instrumentos de regulamentação e controle que previam uma sociedade mais lenta, mais fiscalizada. É como se a gente tivesse gerenciado a sociedade com o painel de controle de um fusca.
AT - Como enfrentar esta crise?
RG - Essa transição começou com o aumento da velocidade, da volatilidade, portanto, o futuro ficou mais incerto... O que as empresas precisam neste momento incerto relacionamento de qualidade, que permitam ela se adaptar, garantindo a perenidade.