Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR

SALVADOR

Conflito no Líbano separa família baiana

A Tarde On Line
Por A Tarde On Line

Arrumar as malas e partir o mais rapidamente possível para viver os próximos quatro anos a menos de 50km da fronteira entre o Líbano e Israel. Pode parecer loucura, mas este se tornou o objetivo de vida da soteropolitana Carina Bacelar dos Santos Xavier, 28 anos. De sua casa, na tranqüilidade da Praia do Flamengo, em Salvador, ela só aguarda a liberação do passaporte da filha Ana Carolina, de 2 anos, para enfim poder reunir a família, separada pelo conflito entre israelenses e o Hezbollah.



Do outro lado do front, quem espera ansioso pelo reencontro é o marido, Ânderson Conceição Xavier, 26 anos, ex-jogador do Vitória e do Corinthians. Uma semana antes do início da guerra, o volante assinou contrato de quatro temporadas com o Maccabi Haifa, principal clube de Israel. “Família de jogador de futebol é adaptável, vive em qualquer lugar”, diz Carina, ainda sem muita convicção sobre as condições de segurança em seu futuro lar.



Xavier embarcou para o Oriente Médio na segunda quinzena de junho e esperava enviar a autorização de viagem para a filha logo depois que o Maccabi retornasse da pré-temporada na Áustria, há duas semanas. Seus planos foram adiados no dia 13 de junho, quando o Hezbollah despejou os primeiros mísseis sobre a cidade de Haifa, a terceira maior de Israel, que fica a 50km de distância da fronteira com o Líbano.



“Estávamos no vestiário e ouvimos duas explosões seguidas. Na mesma hora chegou um diretor avisando que tinha reservado hotel para toda a delegação, incluindo mulheres e filhos dos jogadores, em Tel-Aviv. Só tive tempo de pegar meu passaporte e umas mudas de roupa”, lembra. Situada a 80 km ao sul de Haifa, Tel-Aviv está situada numa região fora do alcance dos mísseis.



Desde o início do cessar-fogo, que entrou em vigor na última segunda-feira (14), cessaram os bombardeios em Haifa. E a delegação do Maccabi, que passou quase um mês refugiada em Tel-Aviv, pôde voltar à sede com tranqüilidade. “As pessoas já retomaram o ritmo de vida normal, passeiam no calçadão da praia como se nada tivesse acontecido”, espanta-se Xavier.



Carência



Carina Xavier prevê o mínimo de 15 dias para reunir toda a documentação necessária e partir rumo a Israel. Se pudesse, já teria embarcado. O motivo da pressa atende pelo nome de Ana Carolina. “Tem dias que Aninha acorda carente e diz ‘mamãe, eu quero ir pra Israel’, conta.



Em ocasiões como essa, Carina não tem dúvida: passa a mão no telefone e faz uma ligação internacional. Com o tempo, os contatos deixaram de ser ocasionais e passaram a ser regulares. Nos últimos dias, o casal chegou a manter dois contatos diários por telefone, sem contar o tempo que passam juntos conversando pelo messenger. “Quando fomos pra Tel-Aviv, a diretoria do Maccabi deixou tudo pago, incluindo o frigobar e o telefone, que eles só vão descontar no contra-cheque. Acho que esse mês eu não vou receber salário”, brinca o marido, que também não economiza para matar a saudade.



Formada em Turismo pela FTC, Carina conheceu Xavier na infância, no Calabar. Começaram a namorar há 10 anos e estão casados há 5 anos. Durante esse período, a ausência mais prolongada que experimentaram foram os nove meses em que Xavier esteve no futebol Suíço, em 1998, pelo Belinzona.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas