SALVADOR
Conselho do Carnaval é criticado em audiência na Câmara

A coordenadoria executiva do Conselho Municipal do Carnaval de Salvador pode, nos próximos dias, ser alvo de uma Comissão Especial de Investigação (CEI). Pelo menos este é o intuito do vereador Alcindo da Anunciação (PT).
Após ouvir diversas queixas de representantes de blocos afro, afoxés, de índios e independentes, o político não viu outra solução a não ser levar à mesa da Câmara dos Vereadores, na próxima segunda-feira, a análise para uma possível instauração de uma CEI no conselho.
“Diante de tais denúncias – falta de democracia e clareza nas ações administrativas, além de possíveis irregularidades –, não podemos deixar de investigar. Ao meu ver, quem está à frente do conselho (Fernando Boulhosa) não tem mais legitimidade para continuar no comando do Carnaval baiano”, apontou Anunciação.
As “denúncias” referidas pelo vereador pautaram a audiência pública realizada nesta quinta, 15, à tarde, que teve como intuito discutir temas polêmicos da folia no Centro de Cultura da Câmara Municipal. “Assistimos por anos a cinco ou seis entidades comandarem o Carnaval, a partir de interesses particulares. Juntos, os blocos afro, afoxés, independentes, de índios e outros são maioria e nem assim têm voz. Somos escanteados. Precisamos acabar com esse monopólio de quem preside o conselho. Urge uma intervenção da Câmara dos Vereadores, do Ministério Público e Tribunal de Contas”, cobra Nadinho do Congo, representante dos afoxés.
O cantor e compositor Gerônimo, representante dos artistas independentes, ressaltou outro ponto polêmico: o sorteio dos blocos. “Sorteio? É algo imposto. Não é democrático. Todos nós temos o direito de ser o primeiro da fila. Este ano fui contemplado, saí às 18h na Barra. Mas até quando blocos afro, afoxés, de samba terão que quase por imposição desfilar de madrugada?”, indagou Gerônimo.
O presidente da Associação Baiana de Trios Independentes (Abti), Valdemar Sandes, foi severo nas críticas. “Hoje, o conselho é um balcão de negócios. É um faz de conta. Migalhas para muitos, riqueza e privilégios para poucos”, reclamou.
A ausência de cotas de patrocínio e apoio também foi lembrada por Jussara Santa, representante do reggae. “Somos oito blocos de reggae e não somos ouvidos. Falta abertura política do conselho. Democracia já”, pediu ela.