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Conservação de aves é urgente na Bahia

JORNAL A TARDE
Por JORNAL A TARDE

Estudo da ONG Save Brasil mostra que Estado tem a maioria das áreas prioritárias para a sobrevivência de pássaros do País



Maiza de Andrade




A Bahia é o Estado com o maior número de áreas importantes para a conservação de aves do País, de acordo com o estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Conservação das Aves – Save/Brasil. Publicado em um livro que será lançado em março, na 8ª Conferência da Diversidade Biológica, em Curitiba, o estudo durou cinco anos e revelou novas espécies como a borboletinha-baiano (Phylloscartes beckeri) na Serra das Lontras, ao sul de Itabuna, a 429 km de Salvador.



Estão na Bahia, 31 das 163 áreas identificadas nos biomas da mata atlântica, cerrado, caatinga e pampa, em 15 Estados. Das 31 áreas, quatro foram consideradas prioritárias para a ação da Save/Brasil que é a representante nacional da BirdLife International, uma aliança de organizações ambientalistas presentes em mais de 100 países e que foi criada em 1922. A Serra das Lontras, na região sul, a Serra da Ouricana, em Boa Nova, os remanescentes da Mata Atlântica do baixo sul e a divisa da Bahia com Minas Gerais, no município de Macarani são as áreas prioritárias porque apresentam, entre outras características um grande número de espécies em extinção (ver lista).



“Identificamos que são áreas com espécies criticamente ameaçadas de extinção e onde não havia nenhuma ação de conservação até iniciarmos os estudos em 2000. Se não fosse feito nada, havia o risco de extinção global porque muitas espécies só existem nesses locais”, afirmou a bióloga e diretora da Save/Brasil, Jaqueline Maria Goerck. Segundo ela, o desempenho da Bahia deve-se ao fato de o Estado ter em seu território remanescentes de três dos quatro biomas pesquisados. “A Bahia é um dos Estados com maior diversidade biológica e onde é necessário aumentar o esforço de conservação”, disse ela. “A gente espera que o governo do Estado da Bahia e dos municípios usem os dados deste estudo como base do planejamento de conservação”, observou ela.



O Brasil possui cerca de 1.800 espécies de aves, que representam 20% das nove mil espécies existentes no mundo. É o terceiro País em diversidade de aves (atrás apenas da Colômbia e do Peru). No entanto, é o primeiro em número de espécies em extinção. Das 1.212 aves ameaçadas no mundo, 118 estão no País, incluindo duas já extintas na natureza - o mutum-do-nordeste (Mitu mitu) e a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii).



Pássaros desconhecidos atraem pesquisadores



Em Boa Nova, município da região sudoeste, a 438 km de Salvador, a descoberta do gravatazeiro e da sua importância para a ciência tirou o município do anonimato e encheu de orgulho os filhos da terra. Para o digitador, Marcos Messeder, 27 anos, é um privilégio para o município abrigar o gravatazeiro. “A descoberta foi muito importante para o município que até recebeu um prêmio por isso”, disse.



“Levamos a informação para a cidade mostrando sua importância e a comunidade deu um retorno muito bom e já existe iniciativa do município para conservação da espécie”, observou a bióloga da Save Brasil, Jqqueline Maria Goerck, responsável pelas pesquisas patrocinadas pela BirdLife International em Boa Nova.



Já no baixo sul, próximo aItuberá, a preciosidade é o macuquinho- baiano, espécie com alto risco de extinção. O que preocupa os especialistas é que se trata de uma região onde a Mata Atlântica está bastante degradada. Em geral, estimadamente, cada espécie de ave requer área de 10 mil hectares. “No baixo sul não tem nenhum fragmento de floresta com este tamanho. A idéia é tentar recuperar e conectar os fragmentos existentes”, afirmou a bióloga.



Na Serra das Lontras, ao sul de Itabuna, em altitudes acima de 400m, foi recentemente descrita a espécie Phylloscartes beckeri, conhecida como borboletinha-baiano. Para o biólogo da Save/Brasil, em Ilhéus, Cassiano Gatto, há indícios na região da existência de espécies a serem descritas, ou seja, que ainda são desconhecidas da ciência. “Isso faz com que essas áreas sejam importantíssimas do ponto de vista da conservação”, disse ele.Caracterizada pelo comportamento discreto que dificulta encontrá-lo na natureza, o entufado-baiano (Merulaxis stresemanni) é motivo de alerta para a conservação dos remanescentes da mata de cipó na divisa da Bahia com Minas Gerais, no município de Macarani(BA)/Bandeira(MG). Segundo Jaqueline, “há muito tempo não era visto e corre sério risco porque a região está muito degradada”.



SERVIÇO



Save/Brasil 11.3815-2862

BirdLife International

www.birdlife.org



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