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Consulta pública para plano de combate à Aids termina no dia 28

Marta Erhardt, do A TARDE On Line
Por Marta Erhardt, do A TARDE On Line

Até este sábado, 28, uma consulta pública sobre o “Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis entre Gays, outros Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH) e Travestis” estará disponível para sugestões da população, no site do Programa Nacional de DST e Aids.

A necessidade de estabelecer um plano de combate específico se deve à alta incidência da doença entre essas populações, de acordo com o diretor adjunto do Programa Nacional de DST e AIDS do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa. “Gays, HSH e travestis merecem atenção especial porque apesar de estabilizada, a epidemia nessas populações ainda está em um patamar alto”, explica.

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O plano mostra que a incidência de aids foi estimada em 226,5 por 100 mil pessoas, na população de gays e outros HSH com idade de 15 a 49 anos de idade. O mesmo levantamento mostra que, na população geral a taxa de incidência é onze vezes menor, com registro de 19,5 casos por 100 mil habitantes. Os dados são de uma pesquisa sobre atitudes e práticas na população brasileira, realizada pelo Ministério da Saúde em 2004.

A presidente da Associação de Travestis de Salvador (Atras) e da Associação Nacional das Travestis (Antra), Keila Simpson, destaca o diferencial do plano. “O pioneirismo deste plano é que pela primeira vez as populações alvo foram ouvidas. Foram chamados gays, HSH e travestis para oficinas onde metas, objetivos e ações foram estabelecidos”, afirma.

Linguagem acessível é apontada como diferencial

O plano direcionado para essa população também permite o uso de uma linguagem acessível. “É importante utilizar uma linguagem adequada a cada população, para atingir o maior número de pessoas. Temos buscado tratar cada situação com a linguagem mais pertinente e abordagens diferentes sobre a doença”, explica Eduardo Barbosa, diretor adjunto do Programa Nacional de DST e AIDS do Ministério da Saúde.

O plano traz separadas as ações afirmativas para travestis e as direcionadas aos gays e outros HSH. O que, na visão do presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, é importante. “É fundamental distinguir as ações específicas para cada segmento. É importante que se tenha um entendimento de que os travestis não são homens e, por isso, não podem estar no mesmo barco”, destaca.

A ampliação do acesso a insumos de prevenção, como preservativos e gel lubrificante, e o desenvolvimento de estratégias de combate à discriminação estão entre as metas da proposta. “O ministério tem ampliado a compra de camisinhas e outros insumos e vai ampliar a distribuição e o acesso. Além disso, vamos buscar que as populações tenham acesso aos serviços de saúde de forma qualificada. Também temos planos de reduzir a discriminação no atendimento”, enumera Eduardo Barbosa.

Após analisar o plano proposto pelo Ministério da Saúde, Cláudia Ramos, do Grupo Licoria e Lione, que trabalha com população de travestis, HSH e gays de Salvador, ressalta que além do combate à epidemia, ele proporciona outras ações para essas populações. “A questão da humanização do atendimento nos setores de saúde é muito importante, porque muita gente ainda tem esse estigma contra essas populações e o pensamento de grupo de risco ainda persiste para muita gente. Já tivemos muita dificuldade quando encaminhávamos uma travesti a um posto de saúde porque elas sofriam preconceito. Hoje o programa nacional assumiu essa responsabilidade”.

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