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Consultec prefere não responder questões

Amélia Vieira, do A TARDE
Por Amélia Vieira, do A TARDE

>>Adiamento do Enem foi assunto mais "twittado" desta quinta

Responsável principal pelo consórcio criado para gerir o processo seletivo do Enem deste ano, a baiana Consultec (Consultoria em Projetos Educacionais e Concursos Ltda) optou pelo silêncio. A justificativa para todas as perguntas feitas por A TARDE à representante da instituição, a sócia-diretora Adelaide Rezende, nesta quinta, foi sempre a mesma: “Por uma questão de alinhamento, a decisão é que todo o pronunciamento oficial será feito pelo MEC”.

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A Consultec lidera o Connasel (Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção), que também é formado pelo Instituto Cetros, de São Paulo, e pela FUNRio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Adelaide Rezende informou que a decisão de não dar informações foi tomada em conjunto com as outras instituições do Connasel, único concorrente e vencedor da licitação do Ministério da Educação para operacionalizar todo o processo do Enem.

Questionada sobre o funcionamento do esquema de segurança, suas etapas e sobre qual ponto ela considera mais vulnerável e passível de ter ocorrido o vazamento da prova, Adelaide Rezende preferiu justificar que o sigilo não pode ser quebrado. “Pela amplitude do Enem, todo o processo de segurança foi amplificado e os cuidados tiveram a maior sofisticação”, disse.

Arguida sobre a informação obtida junto ao Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep) de que a prova elaborada teria chegado à Bahia via mídia digital e que alguém da Consultec a teria levado à gráfica em São Paulo, ela mais uma vez disse não saber de nada. “Se o Inep falou, então é oficial”, limitou-se a dizer.

Também não houve resposta sobre como se deu a escolha da gráfica que imprimiu as provas, a Plural, de São Paulo, integrante do Grupo Folha.

A Consultec, com sua decisão de não dar informações sobre problemas relacionados a um processo sob sua responsabilidade, age de forma semelhante ao que fez no caso do vazamento do gabarito da prova da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), ano passado. A empresa organizou o exame e dois dias antes da aplicação das provas, ela mesma anunciou o vazamento de informações. Porém, optou por nada mais falar sobre o caso que, aliás, ainda não teve sequer suspeitos apontados.

Em residência - Repercutindo a fraude do Enem com estudantes do terceiro ano do Colégio Cândido Portinari, no Costa Azul, A TARDE soube, através de uma aluna, cujo nome será preservado por ter menos de 18 anos, que sua colega de turma tinha em casa pacotes de provas do Enem. Isso porque sua mãe teria um cargo ligado à coordenação do exame.

A coordenadora da escola, Fátima Leão, a pedido da reportagem, perguntou à garota se a mãe poderia conceder uma entrevista. Porém, a jovem, que havia prometido sigilo absoluto à mãe, ficou apavorada e caiu em prantos. A coordenadora disse que soube do fato também na manhã desta quinta. A direção do colégio se recusou a fornecer o contato da mãe da estudante.

Questionada sobre o fato, Adelaide Rezende, mais uma vez, alegou não saber de nada. Também não quis dizer se as provas do Enem que seriam aplicadas neste final de semana já tinham chegado à Bahia.

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