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Consumidores evitam marisco em Salvador

Tássia Novaes
Por Tássia Novaes

A oito dias da Semana Santa, é fraco o movimento à procura de mariscos no Mercado Municipal de Frutos do Mar em Salvador. O problema não é por conta da oferta. Os balcões estão abarrotados de mexilhões, papa-fumo, siri catado e ostra, mas falta quem compre. A freguesia sumiu por medo de contaminação devido ao desastre ambiental que assola misteriosamente o mar do Recôncavo há 15 dias.



"A morte dos peixes em Saubara trouxe uma repercussão negativa para a região. As pessoas nem imaginam que mais de 80% do marisco vendido aqui [Mercado Municipal] vem de Sergipe e do Ceará. O marisco das ilhas é suficiente para abastecer apenas a população local, que vive da pesca artesanal e não consegue suprir a demanda do mercado pesqueiro", garante Manoel de Correa, 59, vendedor de frutos do mar há mais de 30 anos.



Segundo os comerciantes, o marisco à venda não oferece risco à população. "É a mesma situação do peixe. O pescado vem de fora. Os fornecedores são de Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Ceará, Pará. O que aconteceu na Baía de Todos os Santos é um caso isolado", explica Antonio Luiz das Neves Filho, 28 anos, proprietário do balcão 35 do Mercado Municipal.



Apesar de abril ser o mês no qual, tradicionalmente, ocorre aquecimento da venda de pescado, por conta das comemorações católicas em louvor à Paixão de Cristo, os comerciantes temem prejuízo alto. “Está muito fraco, quem vive de pesca vai ficar no prejuízo justamente no mês que costumamos vender mais”, lamenta Maria Perpétua dos Santos, 56.



Acostumado a vender mais de 500 quilos de marisco por semana no mês de abril, o comerciante Antonio Luiz das Neves, 56, não sabe o que fazer com o material estocado. “Não conseguimos vender nem 50 quilos nos últimos dias”, diz. Junto com o filho, também comerciante, Antonio Luiz tem no pescado a única fonte de renda da família. “Agora é esperar que as pessoas tirem essa ilusão da cabeça e apareçam para apreciar nossa mercadoria.”



Natural de Salinas da Margarida, um dos municípios onde o Centro de Recursos Ambientais (CRA) proibiu a pesca por tempo indeterminado, o comerciante Luis Carlos Xavier pensa em voltar a vender marisco apenas quando o problema for resolvido. “Tenho 30 quilos no estoque. Só vou vender o que tenho porque foi congelado no início do mês”, garante.



A empresária Soraia Pires foi uma das poucas pessoas que se arriscou a levar para casa um pacote de mariscada na manhã desta quarta-feira, 28. "A notícia passa na TV e a gente fica com receio de comprar porque se trata de saúde", comenta.



O Centro de Recursos Ambientais (CRA) solicitou prazo de 15 dias para apresentar os resultados das análises feitas na região para justificar a contaminação. Enquanto isso, na tarde desta quarta-feira, 28, será realizado um encontro com representantes de órgãos ambientais dos municípios afetados e das indústrias existentes na região da Baía de Todos os Santos para discutir o assunto.

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