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Consumidores ignoram os medicamentos fracionados

Luciana Rebouças, do  ATARDE
Por Luciana Rebouças, do ATARDE
| Atualizada em

Mesmo com o programa de fracionamento de medicamentos regulamentado pelo governo federal desde 2005, os consumidores não atentaram para a economia que podem fazer e ainda compram caixas com comprimidos além da necessidade real. Enquanto a economia pode chegar a mais de 30% com a compra de medicamentos fracionados, Luiz Trindade, diretor do Sindicato dos Proprietários de Farmácias da Bahia, diz que a procura não ultrapassa os 10% ao mês.



Remédios que não são de uso contínuo, como antiinflamatórios e antibióticos, são boas opções para fazer economia com a venda fracionada. Trindade faz uma análise do antibiótico Cefaxina, que ao ser receitado para 12 dias sairia para o consumidor por cerca de R$ 13,20, já que ele comprará três cartelas com quatro comprimidos. Antes como a caixa vem com 10, o consumidor teria de gastar R$ 20 nas caixas e oito comprimidos de sobra.



Só neste caso, a economia chega a 34% para os pacientes. “Mas as pessoas não procuram, e quando o farmacêutico oferece até causa uma surpresa em quase todas as pessoas”, diz.



Uma das razões que Trindade atribui à falta de adesão ao programa é a falta de farmacêuticos nas farmácias (mesmo sendo obrigatória a presença do profissional), que poderiam orientar os pacientes e ajudarem nesta divulgação. “Temos 4,5 mil estabelecimentos e três mil profissionais na Bahia”, critica Trindade.



Disponibilidade – Até abril deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tinha registrado 176 medicamentos, um total de 654 apresentações destes medicamentos, de 15 laboratórios. Para Pedro Ivo Ramalho, assessor-chefe da assessoria técnica da Anvisa, este número é expressivo e abrange um conjunto relevante de classes terapêuticas. “Os pacientes devem conversar com seus médicos, ou dentistas, para fazer uma prescrição condizente com a forma de medicamento, quantidade e o período que irão tomar”, aconselha Ramalho.



A Anvisa não tem poder de tornar o fracionamento de medicamentos obrigatório, e cabe a cada empresa farmacêutica decidir sobre o tipo de venda. Mas existe um projeto de lei (PL 7026 de 2006), em tramitação no Congresso Nacional, que visa tornar obrigatório o fracionamento.



Automedicação – Uma das conseqüências da venda de remédios acima do necessário para os consumidores é o acúmulo deles em casa e uma possível automedicação após um período. Pesquisa divulgada na semana passada pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb) indica que 90%, dos 455 entrevistados, fazem uso de medicamentos sem prescrição médica.



O estudo também aponta que a automedicação é uma questão cultural que, em muitos casos, foi incentivada pelos responsáveis diretos das crianças – 91% dos entrevistados responderam que seus pais tinham o hábito de administrar remédios neles sem a devida indicação médica.



A pesquisa foi realizada pelo curso de farmácia da Uneb, com a participação de seis alunos e a orientação de Artur Dias Lima, professor em Vigilância em Saúde da universidade. Artur ressalta que dentre os principais medicamentos tomados por conta própria estão analgésicos, antitérmicos e antiinflamatórios. “Na pesquisa, os entrevistados relataram que sabem o risco que correm, mas, mesmo assim, fazem uso. O que precisa ser ressaltado é que os sintomas de uma doença podem ser mascarados por causa de um medicamento errado“, avalia o pesquisador.



Dentre os riscos, Lima enumera que os analgésicos podem causar gastrites nos pacientes; os antitérmicos podem provocar problemas hepáticos; e os antiinflamatórios podem trazer graves problemas cardíacos, provocar o aumento da pressão arterial e até alergias fatais. “São estas dores mais comuns (como dor de cabeça, de garganta, gripes) que geralmente refletem na automedicação. Dores menos comuns, como as dores de ouvido, as pessoas procuram um médico”, conta Lima.

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