SALVADOR
Consumo de água mineral aumenta mais de 200%

Pesquisa do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal da Bahia (Ufba) mostra que o consumo de água mineral no Estado subiu 220% no período de 1997 e 2005. O estudo baseou-se nos dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A descrença no serviço de abastecimento público, além da maciça propaganda da água engarrafada, está entre as causas deste comportamento.
O estudo, feito pelo engenheiro sanitarista José Carlos Macedo Rosendo Silva, está sendo apresentado no XIII Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, que termina nesta sexta-feira, 14, em Belém do Pará. O engenheiro destacou que, “na dúvida sobre a qualidade da água distribuída pelo serviço público de abastecimento, o usuário é levado a consumir água envasada de elevado custo”. “É crucial a cobrança, pela sociedade, da melhoria do serviço público”, diz.
Na pesquisa, de metodologia qualitativa, foram ouvidas consumidores de famílias de alta, média e baixa renda, residentes em edifícios nos bairros da Graça, Vitória, Ondina, Barra e em casas do bairro do Calabar.
QUALIDADE – À desconfiança alegada no estudo da universidade, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. (Embasa) responde com a informação de que em 2007, a empresa “foi premiada pela qualidade da água fornecida aos baianos depois de pesquisa realizada pelo Grupo DCI-Brasmarket. Além disso, o laboratório da empresa detém o primeiro lugar entre 62 instituições públicas e privadas avaliadas no País”.
De acordo com a empresa, a análise da água fornecida pela Embasa em toda a Bahia “é feita regularmente, totalizando, por ano, cerca de 62,5 mil amostras submetidas às análises físico-químicas e bacteriológicas”. Por lei, o resultado das amostras deve ser informado ao consumidor, na conta de água, e aos órgãos de vigilância sanitária e ambiental.
Cabe às autoridades de Saúde, do Estado e do município, a análise dos dados, mas, em relação aos de 2007, não há informações na vigilância ambiental do Estado. De acordo com a técnica, Ana Maria Castro, problemas no sistema de informações impossibilitaram a inserção dos dados da Embasa e, conseqüentemente, a análise dos mesmos.
Já na vigilância ambiental do município, é possível saber que, em 2007, as análises feitas na água coletada em 53 pontos da rede de abastecimento detectaram que o percentual fora dos padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde para coliformes termotolerantes (bactérias que não morrem mesmo se forem fervidas) ficou abaixo de 5%. De acordo com o relatório da Coordenação de Saúde Ambiental (Cosam), que funciona na Ladeira dos Aflitos, este resultado atende ao que determina a norma do Ministério da Saúde.
O subcoordenador municipal de vigilância em saúde, Ulisses Nascimento, destaca a necessidade de cuidado com os reservatórios que, se não tiverem limpeza regular, podem contaminar a água que chega tratada. Estudos feitos em 2002 pela pesquisadora Maria Lúcia Politano, da Ufba, mostravam que o percentual de contaminação da água saltou de 5,6% em amostras coletadas na rede para 37,9% em amostras coletadas dentro das residências pesquisadas.
MINERAL – Quanto à qualidade da água mineral, a coordenadora da Vigilância Sanitária do Estado, Mara Hercília Valadares Souza, afirma que foi satisfatório o resultado das inspeções feitas em 2007 nas sete empresas autorizadas pelo DNPM para extrair água mineral no Estado. Segundo ela, em 2007 não houve nenhuma “inconformidade” que representasse risco à saúde.
De acordo com o subcoordenador da vigilância sanitária municipal, Augusto Bastos, é a armazenagem dos garrafões que costuma ter problemas. “Em 2007, tivemos três denúncias e constatamos o problema, mas nada foi encontrado de inconformidade na análise de laboratório”, afirmou.
SERVIÇO
Denúncias e pedidos de análise da qualidade da água: 3186-1100 - Visamb/SMS.