SALVADOR
Continua a farra dos cambistas do ferry

Clarissa Borges,
Do A Tarde On Line
Apesar das ações anunciadas na última quarta-feira pela TWB, bastou chegar o fim-de-semana para os cambistas voltarem a atuar no terminal de São Joaquim.
A ação dos vendedores clandestinos no ponto de embarque e desembarque de passageiros que fazem a travessia Salvador-Itaparica pelo sistema ferry-boat foi flagrada nesta sexta-feira, 20, pela reportagem do A Tarde On Line. Os cambistas tentavam vender uma passagem para pedestres com destino ao Terminal de Bom Despacho por até R$ 4 - o valor regular é R$ 2,85.
Os cambistas revendem ingressos comprados pela "tarifa-povão", que custa R$ 2,85 ida e volta e existe para beneficiar as pessoas que fazem a travessia diariamente, a trabalho. O bilhete especial é vendido exclusivamente no horário das 5 horas de segunda-feira a sábado, e o passageiro perde o direito de utilizar a mesma passagem se não fizer o trajeto de volta na mesma data da ida.
Essa passagem vale para qualquer horário, temos quantas você quiser, disse um cambista, sem especificar se estaria adquirindo os ingressos diretamente das bilheterias ou se compra das mãos de passageiros que fazem apenas uma perna do trajeto.
A transação era feita a menos de 50 metros das bilheterias do terminal. A TWB havia informado, depois que casos de atuação dos cambistas foram divulgados pela imprensa, que aumentaria a fiscalização nos terminais para coibir tal atividade, mas nesta sexta-feira os fiscais fardados atuavam apenas na parte interna do terminal.
A assessoria de imprensa da TWB garante que a empresa desconhece a comercialização clandestina de passagens da tarifa-povão e que já providenciou a instalação de câmeras para vigiar os terminais. Além disso, a empresa insiste que fiscais à paisana atuarão nos dias de maior movimento para flagrar irregularidades.
Apesar de pequenas filas e da disponibilização de uma embarcação a cada 30 minutos no final da tarde desta sexta-feira, alguns passageiros preferiram não enfrentar a espera. Foi o caso de uma passageira que não quis se identificar. Fui chegando e um rapaz me ofereceu por R$ 3, então achei melhor do que ir para a fila, diz. Quem preferiu comprar passagens na bilheteria aguardou, em média, 10 minutos.
A dona-de-casa Lúcia dos Santos diz que não vê necessidade em comprar ingressos com cambistas. A fila está rápida, não vale a pena pagar R$ 4 por uma passagem que custa R$ 2,85". Para ela, só se pode evitar a ação dos vendedores clandestinos se o serviço oferecido satisfizer o usuário. Se tiver ferry-boat suficiente e a fila não for grande, o usuário não vai recorrer ao cambista, opina.
Para o estudante José Cavalcante, é preciso melhorar a manutenção das embarcações e a oferta de horários durante a semana. "Quando chega o fim-de-semana, tem ferry toda hora, mas durante a semana, é mais difícil, reclama.
O estudante conta que passou menos de 15 minutos na fila para comprar os bilhetes, e já embarcaria em seguida, o que não aconteceria de segunda a quinta-feira. Se não fosse sexta-feira, esperaria mais de meia hora.