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Convênio garante reforma de capela do Abrigo D. Pedro II

Thiago Fernandes
Por Thiago Fernandes

A Petrobras e a Prefeitura Municipal de Salvador oficializarão nesta quinta-feira, 16, parceria para recuperação da Capela Santa Isabel do Abrigo Dom Pedro II, no bairro da Boa Viagem. O local, que está parcialmente interditado pela Defesa Civil devido ao risco de desabamento, sedia no dia 25 de novembro a cerimônia de beatificação da Irmã Lindalva, freira assassinada no interior do abrigo em abril de 1993. Além da reforma geral da capela, o convênio prevê ainda a pintura, escoramento e iluminação da fachada de todo o prédio principal do complexo arquitetônico do local.

Após a assinatura do convênio, a estatal inicia o processo de contratação da empreiteira que será responsável pela obra e acompanhamento dos trabalhos, o que deve acontecer dentro de duas semanas. De acordo com o engenheiro Manoel Perez, consultor responsável pela definição das intervenções necessárias no imóvel, o prazo de três meses entre o início dos trabalhos e a data marcada para a cerimônia é suficiente para a finalização das obras.

"É necessário deixar claro que essa primeira etapa inclui apenas a reforma da Capela e não de todo o prédio, o que levaria muito mais tempo", diz. Perez esclarece também que, apesar do caráter emergencial da obra, a restauração será definitiva e não haverá nova intervenção durante a reforma do restante do abrigo.

O custo total da reforma está estimado em R$1,7 milhão, que será aplicado pela estatal na forma de patrocínio. A opção permite mais celeridade, se comparada ao financiamento de obras através da Lei Rouanet, que prevê a realização de licitação pública. De acordo com a titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), Maria das Dores Loiola Bruni, o financiamento sinaliza positivamente para uma futura parceria para restauração de todo o abrigo, do qual fazem parte oito prédio, os mais antigos datados de 1887.

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Todo o complexo arquitetônico foi tombado em 1980 pelo Instituto do Patrimônio Artístico Histórico Nacional (Iphan) e não passa por uma grande reforma desde 1997, quando completou 110 anos de fundação. "A nossa intenção é manter as negociações para viabilizar a reforma completa, mas precisávamos fazer essa intervenção e garantir a realização da cerimônia em novembro", afirmou.

De fato, antes do anúncio da reforma, o temor da Igreja Católica era que fosse necessário transferir a cerimônia da beatificação para outro local. Essa hipótese chegou a ser levantada pelo frei italiano Paolo Lombardi, representante do Vaticano que veio a Salvador em março inspecionar o local. Na ocasião, o religioso definiu o estado de conservação da capela como "vergonhoso". "Do jeito que está, Salvador não fará um boa imagem para o mundo", declarou à época.

Expectativa - De acordo com a administradora do abrigo, Marielza Espírito Santo Benjoino, a expectativa realmente é que a obra seja somente a primeira etapa para a reforma geral de todo o imóvel, cujo projeto de recuperação está orçado em R$12 milhões. "Esse é o desejo maior de todos envolvidos no processo, em especial dos idosos daqui", afirmou. Atualmente, além da capela, dois dos oito prédios do complexo arquitetônico estão interditados pela Defesa Civil. Outros três prédios estão com interdições parciais. No local, moram 120 idosos. Com a reforma e reabertura dos prédios desocupados, a estimativa é que o Abrigo possa receber até 250 idosos.

Sobre a reforma da capela, o gerente regional de comunicação institucional da Petrobras no Nordeste, Rosemberg Pinto, afirmou, através de sua assessoria de imprensa, que a intenção da empresa é, além do resgate histórico, dar melhor qualidade de vida aos moradores do local. "Ao patrocinar essa obra, a Petrobras está cumprindo seu papel de empresa responsável visando à ampliação do convívio social dos idosos ali abrigados", afirmou.

Esse caráter social do convênio foi ressaltado também pela Secretária de Desenvolvimento Social: "Independente do valor arquitetônico do prédio, é importante ressaltar que o Dom Pedro II exerce uma função social importante para Salvador, sendo o único abrigo público para pessoas com mais de 60 anos. E é também com o bem estar dessas pessoas que estamos preocupados", afirmou Maria das Dores.

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