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Convivência põe fim ao preconceito

Carina Rabelo
Por Carina Rabelo

A distância na convivência entre as crianças normais e especiais é o principal entrave para o fim do preconceito. Professores e educadores subestimam a capacidade dos portadores de síndrome de down e temem não serem capazes de lidar eles. O medo leva escolas a abrir mão da possibilidade da convivência com as diferenças e o preconceito crava suas raízes na sociedade, pois limita a possibilidade de relacionamento.



"A maioria dos educadores é de uma geração de mais de 30 anos, que não teve a oportunidade de conviver com portadores de síndrome de down, por isso o preconceito contra a inclusão ainda é tão forte", analisa Lívia.



Segundo a psicanalista, Clarissa Baleeiro, que trabalhou em escolas regulares durante 30 anos, o papel das instituições de ensino deveria ser o de acabar com o mito social que superestima as dificuldades e limites das crianças especiais, não intensificá-lo. No entanto, as escolas regulares ainda não estão preparadas para esta tarefa.



"As escolas hoje estão muito mais preocupadas com a informação do que com a formação do aluno. O foco agora é o vestibular e até mesmo as atividades artísticas ficam em segundo plano. A oferta de um trabalho específico para portadores de necessidades especiais não é uma prioridade para a maioria das instituições de ensino", esclarece.

A especialista recomenda que os pais de crianças com síndrome de down matriculem os filhos em escolas regulares, para garantir a socialização com os demais, e nas escolas especiais, que estão mais estruturadas para atender às necessidades.



Lívia Borges, diretora do Ser Down, acredita que a exclusão dos alunos especiais tem sido vencida ao longo dos anos, mas que a realidade ainda está longe de ser ideal. "Temos avançado em políticas públicas para a inclusão, mas o que precisam mudar é a mentalidade dos educadores. Muitos têm medo de terem suas competências em xeque ao trabalhar com um aluno especial.”



Cidadania - Para o secretário municipal de educação, Ney Campello, a principal dificuldade para implementação das diretrizes é a mudança de paradigmas no sistema educacional. "As pessoas precisam entender que a inclusão, não se refere apenas ao deficiente, mas a todos. Educação Inclusiva está voltada para a cidadania global, plena, livre de preconceitos e que reconhece e valoriza as diferenças".



Rosane Lowenthal, superintendente da Escola de Gente, uma das principais ONGs brasileiras que atuam na inclusão de deficientes nas escolas, defende que os professores não precisam de formação específica para garantir um bom ensino, mas devem receber apoio para melhorarem suas práticas educacionais.



"O mais importante é que todos entendam que é um direito de qualquer pessoa conhecer e conviver com a humanidade do jeito que ela é, com crianças com e sem deficiência. Os professores devem buscar apoio quando necessário, mas assimilar esta idéia é o que mais importa", comenta.



Francisca Novaes, coordenadora em exercício da educação especial no Estado, explica que a oferta da estrutura para atender portadores de necessidades especiais nas escolas públicas depende da demanda de alunos especiais matriculados. "A escola deve aceitar os alunos especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade. Mas o sistema só deverá implementar centros de apoio e salas multifuncionais para atender aos alunos especiais quando for identificada a sua matrícula", esclarece.



Segundo a Secretaria de Educação do Estado, 44 escolas regulares da rede contam com salas de apoio para portadores de necessidades especiais em toda a Bahia com 180 professores capacitados.

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