Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR

SALVADOR

Copa e São João alertam para uso dos fogos de artifício

Marta Erhardt
Por Marta Erhardt

A combinação entre a Copa do Mundo e o São João aquece as vendas dos fogos de artifício. Para a alegria dos fabricantes do setor, em maio de 2006, o consumo cresceu 70% comparado ao mesmo período no ano passado. O uso desses produtos no período junino, no entanto, requer cuidados extras com a segurança.



Tradicionalmente, no mês de junho, quando ocorrem as guerras de espada no interior da Bahia, aumenta o número de casos de queimaduras. Este ano, as comemorações dos jogos da Copa devem engrossar as estatísticas, de acordo com o diretor-médico do Hospital Geral do Estado (HGE) e responsável pelo Centro de Tratamento de Queimados, Carlos Briglia. “É provável que cresça o número de feridos com bombas, que é o fogo de artifício que mais mutila. Ela lesa o osso. Há casos em que é necessária a amputação da mão”, alerta.



Briglia acrescenta que nesse período, o número de feridos nesse tipo de acidente aumenta de 10 a 20% na capital baiana. A maioria dos atendimentos, porém, é de queimaduras leves, que não necessitam de internamento. Grande parte dos acidentes ocorre nas cidades do interior. “Lá, as queimaduras são mais extensas. E também existem as fogueiras, que são causas diretas de queimadura. Há registros de pessoas que caíram, foram empurradas ou se queimaram na tentativa de acender a fogueira”, conta.



Em 2005, o centro de Centro de Tratamento de Queimados do HGE, referência na Bahia para assistência pública às vítimas de queimaduras, atendeu 51 pessoas envolvidas em acidentes com fogos de artifício entre os dias 21 e 26 de junho. Do total, foram 26 casos de queimaduras e 25 ferimentos causados por bombas. O número foi inferior ao registrado em 2004, quando 72 pessoas foram atendidas no mesmo período. Foram 46 queimados e 26 feridos por bombas.



Na unidade, são atendidos os casos mais graves de todo o estado. “São pacientes recém-queimados que correm risco de morte, precisam de internamento ou cirurgias reparatórias”, explica o médico Carlos Briglia, que recomenda que os produtos sejam adequados à faixa etária do consumidor. “As crianças também são vítimas de queimaduras com pólvora e devem soltar fogos acompanhadas por adultos”, reforça.



Preocupada com os riscos de acidentes nas comemorações dos jogos do mundial e dos festejos juninos, a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, adverte para os cuidados que devem ser tomados com o manuseio dos fogos de artifício.



As principais recomendações do órgão são: seguir as instruções da embalagem; soltar os fogos sob a supervisão de adultos; não reutilizar os falhados; armazenar os produtos em local frio e seco; nunca atirá-los em direção de outras pessoas ou em lugares fechados, como carros ou casas; e não utilizar fogos de artifício após a ingestão de bebidas alcoólicas.



O analista de suporte, Fabiano Matias, 25, presenciou um grave acidente em 2004. No meio de uma guerra de espadas no município de Cruz das Almas, um colega dele foi atingido no rosto. “Estávamos sentados na praça quando a espada o feriu. Teve o nariz praticamente perdido, queimaduras no peito e precisou fazer cirurgia”, relata.



Matias já tinha sofrido dois acidentes com queimaduras de segundo grau, uma na mão e a outra na perna, mas mesmo assim não deixou a prática de lado. Somente depois do problema com o amigo é que abandonou a guerra, da qual participava desde 1999. “Morro de vontade, mas fiquei com um pouco de medo. Posso tocar uma ou outra, mas para guerra não quero ir. Acho emocionante, me divirto com todas aquelas espadas cortando as ruas”.



O comerciário Emmanuel Duran, 31, já perdeu as contas de quantas vezes se machucou com fogos de artifício e ainda tem a marca do último acidente, ocorrido no ano passado. Uma espada o atingiu na altura do joelho e ele teve que levar seis pontos no local. A ferida não desanimou o rapaz: “Tive que parar no momento do acidente, mas à noite, com uma bengala, eu continuei”, conta.



A prática de soltar espadas é tradição na família de Duran, que aprendeu a manusear o artefato com o pai. Morador de Salvador, o comerciante passa o São João em Cruz das Almas e participa da famosa guerra de espadas do município. Para evitar acidentes, usa roupa especial, com direito a capacete, luvas, calça e casacos de couro.



Movidos pela paixão pela guerra de espadas e para compartilhar as experiências com a prática, os espadeiros de Cruz das Almas criaram até comunidade no orkut, famosa rede de relacionamentos na Internet. Lá, 670 pessoas comentam os acidentes que já sofreram. O mesmo fazem os integrantes das comunidades dos espadeiros dos municípios de Senhor do Bonfim - famoso pela tradição da guerra de espadas - e São Felipe.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas