De preto, "Grito dos Excluídos" pede por melhorias na educação

Publicado sábado, 07 de setembro de 2019 às 12:56 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Roberto Aguiar | Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE

Com o tema Este sistema não vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade, centenas de manifestantes marcharam, na manhã deste sábado, no desfile de 7 de Setembro, do Campo Grande à Praça Castro Alves, no centro de Salvador, na 25ª edição do Grito dos Excluídos.

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Organizado pela Igreja Católica, com apoio de entidades sindicais, estudantis e movimentos sociais, o protesto foi marcado por discursos contra o governo do presidente Bolsonaro.

"O sistema que vivemos exclui os mais pobres, os trabalhadores, os quilombolas, as LGBTs, os negros, as mulheres, ou seja, todos os setores oprimidos da sociedade. O atual governo brasileiro perpetua esse sistema desigual com a reforma da previdência, com a retiradas de direitos trabalhistas e com cortes no orçamento da educação", afirmou o padre Zé Carlos, coordenador do Grito dos Excluídos.

Educação

A defesa da educação pública foi uma das bandeiras mais levantadas em toda a caminhada. Com faixas e cartazes, estudantes questionavam os cortes nos recursos das universidades e a suspensão de 5.600 bolsas de pesquisas anunciada na última segunda-feira, 2, pelo Ministério da Educação.

Com o rosto pintado com as cores verde e amarelo, a estudante Maria Clara Leite, de 16 anos, erguia um cartaz em defesa das universidades públicas. "Estou aqui lutando para que eu possa ter acesso à universidade pública. Estou nas ruas em defesa do meu futuro", disse a estudante secundarista.

Enquanto no desfile oficial as cores verde e amarelo eram predominantes, no Grito do Excluídos a cor preta era majoritária. "É um simbolismo de luto pela educação. A universidade pública está sofrendo um forte ataque, seja nos cortes seja nos programas educacionais, que visam transformar a educação em mercadoria, uma lógica mercadológica. Mas estamos resistindo a estes ataques", ressaltou a professora da Universidade Federal da Bahia, Sandra Marinho, que também é representante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN).  

A presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB) destacou que apesar da predominância da cor preta, a manifestação também era patriótica. "Nosso protesto é também um ato patriótico, não é porque não estamos de verde e amarelo que não somos defensores do nosso País. Estamos de preto hoje representando o luto, em simbologia ao retrocesso que estamos vivendo no Brasil", pontuou.

Hino nacional

Além dos estudantes e professores, outras categorias profissionais e movimentos socais marcaram presença no Grito dos Excluídos. Trabalhadores dos Correios, petroleiros, indígenas, quilombolas, movimentos feministas, LGBTs e de luta contra o racismo também marcharam até a Praça Castro Alves. As centrais sindicais CUT, CTB e CSP Conlutas e partidos políticos - PT, PCdoB, Psol, PCB e PSTU - também estavam presentes. Ao final do percurso, os manifestantes cantaram o hino nacional.

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O protesto foi marcado por discursos contra o governo do presidente Bolsonaro

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