Editorial - Amor prático

Publicado quinta-feira, 24 de dezembro de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 23/12/2020, 23:00 | Autor: Da Redação

São incontáveis as divindades criadas pelo homem em busca de conferir algum sentido a um mundo caracterizado pela estranheza e marcado definitivamente por dor e sofrimento, como experimentamos atualmente com o rigor da pandemia. E como as crenças são baseadas na fé e nos dogmas de cada sistema religioso, torna-se impossível estabelecer qual a mais correta.

Permitir-se admirar a crença do outro, ou mesmo o agnosticismo, poderia ser uma boa solução para o convívio, mas a disposição para o diálogo não é a melhor qualidade quando se trata desta disputa. Erigiu-se, no mundo ocidental, a certeza do monoteísmo, fortalecido em mil anos de aliança entre a Igreja e os impérios, a partir do qual o marco fundador é o nascimento do Menino Jesus, comemorado a cada 25 de dezembro.

Capaz de milagres, segundo o texto sagrado, ou de lutar para libertar os homens, considerados filhos de Deus, Jesus é símbolo de resistência, uma vez ter nascido em humilde estábulo, representando a santidade da pobreza. José teria sido seu pai, embora o Espírito Santo, na crença católica, assuma a paternidade, ao fecundar a Virgem Maria, de cujo útero saiu o salvador da humanidade, conforme pode ser interpretado.

De todos os ensinamentos de Jesus Cristo, torturado e assassinado na cruz, um dos mais relevantes, por aparecer 17 vezes em vários dos livros, integrantes da Bíblia, curiosamente, é um dos menos lembrados e praticados. “Vende tudo que tens e dá aos pobres”, repetia Jesus, embora não se encontre facilmente pessoas com este grau de desprendimento, a ponto de compartilhar nesse nível riquezas com os desvalidos.

Ao contrário: percebe-se competitividade cada vez maior, cada qual querendo ser o melhor. O que deve servir de convite a todos, cristãos de todas as linhagens, a refletir neste Natal, como em todos os outros, sobre qual o sentido de dizer-se seguidor de Jesus, sem praticar este amor. É tempo de renovar o relacionamento humano em todos os níveis.

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