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Editorial: Acidente chamado Brasil

Da Redação
Por Da Redação
Difícil entender como uma firma considerada clandestina consegue rodar, movimentar venda de passagem, apanhar passageiros | Foto: Divulgação | Bombeiros PMESP
Difícil entender como uma firma considerada clandestina consegue rodar, movimentar venda de passagem, apanhar passageiros | Foto: Divulgação | Bombeiros PMESP - Foto: Divulgação | Bombeiros PMESP

Até quando vidas serão perdidas, no Brasil, por conta da negligência de órgãos responsáveis por fiscalizar e impedir a atuação de empresas clandestinas e de motoristas sem habilitação profissional? O mundo, robusto para produzir tristeza, dor e sofrimento, tem sua inclinação natural facilitada por este hábito nocivo à cidadania a ponto de interromper brutalmente a existência de 41 vítimas, no município paulista de Taguaí.

Como terá sido para cada uma delas o momento da surpresa do choque final, sem cumprirem o seu bom destino, embarcadas involuntariamente na triste viagem derradeira? Mais um exemplo do descaso não poderia ficar impune, pois a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) admitiu não ter autorização para operar a empresa de ônibus Star Viagem e Turismo.

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Difícil entender como uma firma considerada clandestina pelo órgão fiscalizador consegue rodar, movimentar rotinas de venda de passagem, apanhar e desembarcar passageiros em seus veículos, sem ser notada por quem deveria zelar pela ordem. São Paulo é um estado grande demais para a fiscalização poder controlar na plenitude todo tipo de transporte, porém chama a atenção o fato de a própria agência responsável admitir, nos registros, dados sobre a ilegalidade da viação: retrato de um país sem rumo.

Seria o caso de questionar por que, sabendo-se detalhadamente de multas, débitos, atrasos em impostos e licenciamento, a circulação dos veículos era permitida, sem a cassação do registro da empresa ou outra medida preventiva. O dossiê Star inclui uma série de fretamentos irregulares para transporte de estudantes em rodovias, como a Raposo Tavares, mas a retenção dos veículos e a retirada de passageiros foi o máximo das ações produzidas, mantendo a empresa ativa.

Seria leviano supor leniência, mas pode-se constatar, ao menos, a ineficácia dos responsáveis pela fiscalização, considerando o fato de eles mesmos admitirem conhecer as repetidas fraudes cometidas pela empresa, sem uma atitude mais firme a freá-la.

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